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Lago Tefé chegou a 40,9°C e 154 botos e tucuxis morreram desde setembro, diz o ICMBio

Já são 154 botos e tucuxis mortos no Lago Tefé, no Amazonas, desde 23 de setembro, segundo o boletim técnico do ICMBio. Desse total, 131 eram botos-vermelhos e 23 eram tucuxis. A água do lago chegou a 40,9°C em um ponto muito raso, onde não havia golfinhos.

Imagem de divulgação: Lago Tefé chegou a 40,9°C e 154 botos e tucuxis morreram desde setembro, diz o ICMBio

Imagem: Gpgeo/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Origem: commons.wikimedia.org.

A temperatura é, até agora, a única variável ambiental com comportamento anormal. Exames feitos até o momento não acharam um agente infeccioso como causa principal das mortes.

Cena de reportagem: file:MarcaICMBio.jpg - Wikipedia, no trecho “O que o boletim diz sobre a mortandade no Lago Tefé”
Foto: Brazilian Government/Wikimedia Commons (Public domain). Fonte

O que o boletim diz sobre a mortandade no Lago Tefé

O ICMBio trata o caso como evento incomum de mortalidade na região do Médio Solimões. A seca e o calor da água provavelmente têm ligação direta com as mortes, mas o instituto não descarta contaminação da água nem doenças.

Em 28 de setembro, às 16h, a água marcou 39,1°C. Naquele dia, 70 animais morreram. Ao longo de um dia comum, a temperatura oscila entre 29°C e 38°C, uma variação grande para animais de água doce.

Em 18 de outubro, o lago passou de 38,8°C, e na manhã seguinte apareceu outro boto-vermelho morto, um macho jovem, ainda fresco, na Enseada do Papucu. Os dados completos estão no boletim técnico da Operação Emergência Botos Tefé.

Os exames até agora: sem vírus, bactéria ou fungo associado

Dos 154 animais, 122 passaram por necropsia ou processamento, e amostras seguiram para laboratórios de vários pontos do Brasil. Dezessete indivíduos já tiveram análise histológica, sem indício de agente infeccioso como causa primária.

O PCR de 18 animais deu negativo para Morbillivirus, Toxoplasma, Clostridium, Mycobacterium e fungos em geral, todos ligados a mortes em massa. Uma análise metagenômica do viroma também descartou infecção viral ativa. O estudo do bacterioma ainda não é conclusivo.

Há ainda uma proliferação da alga Euglena sanguinea no Papucu desde 3 de outubro. Ela tem potencial de matar peixes, mas, segundo o ICMBio, não há evidência de que a toxina tenha relação com a morte dos golfinhos nem dos peixes. A mortandade de peixes está dentro do esperado para seca extrema.

Cena de reportagem: file:Perucac dam.jpg - Wikipedia, no trecho “Como o ICMBio tenta proteger os botos que ainda estão vivos”
Foto: tamburix/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0). Fonte

Como o ICMBio tenta proteger os botos que ainda estão vivos

A operação tem três frentes: monitorar os vivos, localizar e examinar os mortos e acompanhar o ambiente (água, peixes e fitoplâncton). Há um flutuante de reabilitação pronto para receber animais com sinais clínicos graves, mas até o boletim ninguém tinha sido resgatado.

As equipes testam formas de conduzir os grupos para fora das áreas críticas. Entre elas estão os pingers, aparelhos que emitem som para afastar cetáceos, e o Huki Lau, uma espécie de cortina de objetos adaptada de povos tradicionais do Havaí. Redes de pesca tiraram boa parte dos animais da Enseada do Papucu, e uma barreira de estacas de madeira, o pari, feita com conhecimento de moradores, foi instalada em uma das aberturas.

A crise acontece em um ano em que a seca marcou a região amazônica, tema que aparece também no texto sobre os focos de calor de setembro de 2026. Para entender como são os rios da região, leia por que o Rio Negro tem cor de chá e o Solimões é barrento.

Quem mora perto do lago deve avisar o ICMBio ao encontrar um animal morto ou debilitado, sem tentar manusear a carcaça.

Fonte: gov.br.

Leia também: ICMBio isola ararinhas-azuis após surto de circovírus · Focos de calor no Amazonas sobem 273% em setembro de 2026 · ICMBio tem programa de manejo do tamanduá-bandeira até 2035

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