Em operação com apoio da Polícia Federal, o ICMBio retira 69 ararinhas-azuis negativas para circovírus de um criadouro em Curaçá, na Bahia, e as leva a um centro de conservação em Petrolina, em Pernambuco
ICMBio transfere 69 ararinhas-azuis negativas para circovírus de um criadouro em Curaçá, na Bahia, a um centro de conservação em Petrolina, em Pernambuco.
Uma operação do ICMBio com apoio da Polícia Federal e da Inema retirou 69 ararinhas-azuis e duas araras-maracanãs de um criadouro em Curaçá, na Bahia, depois que 34 das 103 aves do local testaram positivo para circovírus. As negativas foram levadas a um centro de conservação em Petrolina, em Pernambuco, para quarentena.
Ararinhas-azuis (Cyanopsitta spixii) em cativeiro, imagem ilustrativa da espécie. Foto: Evan Centanni/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) retirou, em 27 de maio de 2026, 69 ararinhas-azuis de um criadouro particular em Curaçá, no interior da Bahia. Duas araras-maracanãs também foram removidas do local na mesma ação.
Segundo nota do ICMBio, a operação teve apoio da Polícia Federal e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) e se baseou em uma decisão da Justiça Federal. O criadouro funciona em parceria com a organização alemã ACTP.
As aves retiradas do criadouro testaram negativo para o vírus. Elas foram levadas ao Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), ligado à Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), em Petrolina, no sertão de Pernambuco, onde passam por quarentena e novos exames.
O que a operação encontrou dentro do criadouro em Curaçá
Das 103 ararinhas-azuis mantidas no criadouro de Curaçá, 34 testaram positivo para circovírus, segundo o ICMBio. O restante do plantel, considerado livre do vírus no momento da testagem, foi o grupo retirado do local.
A separação entre aves positivas e negativas foi o critério usado pela equipe da operação. As 34 ararinhas com resultado positivo permaneceram no criadouro de Curaçá, isoladas das demais.
Por que 34 das 103 aves testaram positivo para o vírus
O ICMBio afirma que o surto foi identificado durante o acompanhamento sanitário do plantel do criadouro. A instituição relata ainda que houve descumprimento de medidas de biossegurança recomendadas para conter a circulação do vírus entre os animais.
Por isso, as aves negativas precisaram ser retiradas do ambiente onde as positivas continuavam. Segundo o instituto, manter os dois grupos juntos aumentaria o risco de novas contaminações entre as ararinhas ainda saudáveis.
O que é o circovírus e a doença do bico e da pena
O circovírus é o agente por trás da doença do bico e da pena dos psitacídeos, grupo de aves que inclui araras, papagaios e periquitos. A enfermidade é altamente contagiosa e não tem cura conhecida.
Entre os sinais da doença estão o embranquecimento das penas e deformidades no bico. Em boa parte dos casos, a infecção é letal para o animal contaminado, o que torna o isolamento uma medida central de contenção.
Como funciona o centro que recebeu as ararinhas em Petrolina
O Cemafauna é um centro de conservação e manejo de fauna silvestre ligado à Univasf, voltado a espécies da Caatinga. A estrutura já recebe animais silvestres da região para reabilitação, pesquisa e, em alguns casos, reprodução em cativeiro.
No Cemafauna, as 69 ararinhas-azuis e as duas araras-maracanãs passam por quarentena sanitária e novos testes, etapa que antecede qualquer decisão sobre o retorno das aves a programas de reprodução ou de soltura.
Por que a ararinha-azul já é considerada extinta na natureza
A ararinha-azul é endêmica da Caatinga brasileira e está classificada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) como extinta na natureza. Os poucos indivíduos remanescentes da espécie vivem em cativeiro ou em programas de reintrodução monitorados.
A ave já esteve espalhada pelo sertão do Nordeste antes de desaparecer do ambiente selvagem, principalmente por causa da perda de habitat e da captura ilegal para o comércio de aves.
Qual é o papel do criadouro de Curaçá no programa de reintrodução
O Criadouro Conservacionista Ararinha Azul, em Curaçá, integra o esforço de reprodução em cativeiro que sustenta o programa de reintrodução da espécie na Caatinga baiana, ao lado de outras instituições parceiras do ICMBio.
Manter esse plantel livre de doenças graves é considerado essencial pelo instituto, já que cada ave reprodutora representa uma fração relevante da população total da espécie, hoje medida em poucas centenas de indivíduos.
O que pode acontecer com as aves que ficaram em Curaçá?
O ICMBio ainda mantém acompanhamento veterinário e sanitário sobre as 34 ararinhas que testaram positivo e permaneceram isoladas no criadouro de Curaçá, sem um prazo anunciado para essa etapa.
A doença do bico e da pena não tem tratamento definitivo, e a evolução de cada caso costuma variar de ave para ave, o que dificulta prever se o grupo isolado poderá voltar a integrar o plantel reprodutor no futuro.
A quarentena em Petrolina não tem data marcada para terminar
A quarentena das 69 ararinhas levadas ao Cemafauna segue sem data marcada para terminar, assim como o retorno delas a atividades ligadas ao programa de reprodução ou de reintrodução na Caatinga.
O destino final do criadouro de Curaçá segue em aberto, já que o episódio expôs falhas de biossegurança em uma estrutura que abrigava boa parte do plantel reprodutivo da espécie.
Qual é a situação das ararinhas-azuis nas semanas seguintes à operação
Reportagens publicadas após a operação, como a do O Tempo e do Conexão Planeta, confirmam que a transferência ao Cemafauna seguiu o plano anunciado pelo ICMBio, com as aves negativas isoladas das positivas.
Já o CicloVivo mostra que o ICMBio reforçou o monitoramento sanitário da espécie depois de indícios do vírus em um filhote nascido em vida livre, ampliando fiscalização, testagem e isolamento sanitário no programa de reintrodução.
Casos de contaminação em plantéis de reprodução acendem alerta sobre a fragilidade de espécies com pouquíssimos indivíduos. O mesmo tipo de cuidado aparece em resgates recentes de fauna nativa, como o do furão-da-Amazônia que viveu meses como animal de estimação e o da cobra coral encontrada dentro de um tijolo em Santa Catarina.
Identificar corretamente cada espécie também foi decisivo nesses episódios, como no caso do cateto que costuma ser confundido com o queixada. Com a ararinha-azul, a checagem é feita por exame laboratorial, não a olho nu.
A situação da ararinha-azul segue sendo acompanhada pelo ICMBio, que não indicou uma data para encerrar o isolamento das aves. Você acompanhava a história da ararinha-azul antes desse surto? Conte o que sabia nos comentários.



