Gato que arrieiros contavam há décadas finalmente aparece em câmera escondida no Chile
Uma câmera escondida na estepe altoandina do Parque Nacional Radal Siete Tazas, no Chile, registrou um gato-andino a mais de 200 quilômetros ao sul de qualquer registro anterior da espécie. Os guardaparques chamaram as imagens de inesperadas, surpreendentes e históricas. O felino é um dos mais raros das Américas.
Imagem: Reprodução/wildnet.org. Origem: wildnet.org.
A CONAF, a corporação florestal chilena, divulgou o achado em maio de 2023. O registro saiu do monitoramento da temporada 2022-2023, e os nomes dos arquivos das fotos indicam 24 de dezembro de 2022.
Por que o registro do gato-andino em Radal Siete Tazas importa
Até pouco tempo, o Chile só tinha registros do gato-andino no altiplano do Norte Grande. Nos últimos anos, apareceram flagrantes importantes nas regiões de Valparaíso e Metropolitana, o que já tinha ampliado o mapa da espécie. Quem curte a paisagem andina do país pode ver outro lado dela nas lagoas de altitude do Atacama.
Radal Siete Tazas fica bem mais ao sul. Segundo Aldo Reyes, administrador do parque, a câmera que pegou o animal está a mais de 200 km dos pontos conhecidos até então. É, por isso, o registro mais austral do gato-andino no país.
A espécie vive de forma fragmentada em quatro países: Peru, Bolívia, Argentina e Chile. A densidade é muito baixa, e o bicho depende de ambientes rochosos da Cordilheira dos Andes, onde vive a vizcacha-de-montanha, sua principal presa.
O que os arrieiros já diziam sobre o gato pálido da montanha
José Caro, veterinário da CONAF Maule, ligou as imagens a uma história antiga da região. Para ele, o registro confirma o que os arrieiros contavam: havia nas montanhas um gato pálido e pequeno, ainda sem nome oficial naquele território.
O mesmo ponto já tinha mostrado vizcachas e outro felino silvestre, o gato-colocolo. Caro explica como diferenciar os dois. O gato-andino tem hábitos mais noturnos, nariz escuro, cauda longa e grossa e faixas incompletas nas patas dianteiras.
Como funciona o monitoramento com câmeras-trampa
As câmeras fazem parte do monitoramento padronizado que a CONAF mantém no Sistema Nacional de Áreas Silvestres Protegidas do Estado. No Radal Siete Tazas, o sistema roda desde 2019.
Os guardaparques acompanham carnívoros nativos e também ameaças, como cães domésticos e gado. Esse trabalho já rendeu registros históricos de espécies em diferentes categorias de conservação, algumas em perigo de extinção, caso do gato-andino.
Fonte: conaf.cl.
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