Tempo e clima

Os focos de calor de setembro de 2026 somaram 24.382 no satélite de referência do Inpe, o menor número para o mês desde 2002, com o Cerrado no ponto mais baixo desde então e a Amazônia 74% acima de 2025

Setembro fechou com 24.382 focos de calor no satélite de referência do Inpe, 13,6% abaixo de 2025 e 36% da média do mês desde 2002. O Cerrado, a Mata Atlântica e o Pantanal tiveram o setembro mais baixo desde 2002. Na Amazônia, o número subiu, puxado pelo Amazonas e pelo Pará.

Imagem do satélite GOES-19 do Pará no dia com mais focos de calor em setembro, com o rio Amazonas, a floresta e o Cerrado mais seco à direita

O Pará às 15h de 21 de setembro, o dia com mais focos do mês, com o rio Amazonas no alto e, à direita, a transição para o Cerrado no Maranhão e no Tocantins. Imagem: NOAA/NESDIS/STAR, satélite GOES-19, domínio público, via NOAA.

O Brasil registrou 24.382 focos de calor em setembro de 2026, o menor número para o mês desde 2002. A conta é do satélite de referência do Inpe, com dados até 30 de setembro. Em setembro de 2025 foram 28.214. A média dos setembros de 2002 a 2025 é de 68.112 focos.

Os focos de calor em setembro de 2026 ficaram 13,6% abaixo de 2025

O painel de estatísticas do Programa Queimadas, do Inpe, fechou setembro na manhã desta quinta (1º). O arquivo foi gerado às 12h09 com data limite de 30 de setembro, e os 24.382 focos batem com a soma, foco a foco, do arquivo mensal que o instituto publica.

Entre os 25 setembros desde 2002, nenhum teve tão poucos focos. O vizinho mais próximo é o do ano passado. Antes deles, o setembro mais fraco tinha sido o de 2013, com 36.019 focos, seguido do de 2009, com 36.116.

A série do Inpe começa em 1998, e o setembro de 2000 teve 23.293 focos. Esse número vem do NOAA-12, o satélite de referência até julho de 2002, e não se compara com os de hoje, como mostra o guia de como o Inpe conta um foco de calor.

Gráfico de barras com os focos de calor de setembro no Brasil de 1998 a 2026, com 2026 na barra mais baixa desde 2002
Focos de calor de setembro no Brasil, de 1998 a 2026, pelo satélite de referência do Inpe. As barras de 1998 a 2001 são do NOAA-12 e não se comparam com as do Aqua. Arte: Watts & Wild, com dados do painel de estatísticas do Inpe.

Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal no setembro mais baixo desde 2002

O Cerrado teve 8.104 focos, 44% a menos que em setembro de 2025. É o menor setembro do bioma desde 2002. O piso anterior era o de 2009, com 9.851. O bioma já vinha em queda no ano, como mostrou a comparação dos focos do Cerrado com os últimos cinco anos.

A Mata Atlântica caiu 62%, para 1.086 focos, e o Pantanal ficou em 102, contra 189 em 2025. Para os dois, também é o menor setembro desde 2002. A Caatinga teve 2.503 focos, 26% a menos, e o Pampa, 25.

BiomaSet. 2025Set. 2026VariaçãoPosição de 2026 desde 2002
Amazônia7.21112.562+74%2º menor
Cerrado14.5438.104-44%o menor
Caatinga3.3632.503-26%abaixo da média
Mata Atlântica2.8551.086-62%o menor
Pantanal189102-46%o menor
Pampa5325-53%2º menor
Brasil28.21424.382-14%o menor

Focos do satélite de referência (Aqua) no mês de setembro. Posição entre os 25 setembros de 2002 a 2026. Dados do Inpe gerados em 1º de outubro, com focos até 30 de setembro.

Na Amazônia, alta de 74% sobre o piso de 2025

A Amazônia foi o único bioma em alta. Foram 12.562 focos, contra 7.211 em setembro de 2025. A base de comparação é baixa, porque o setembro do ano passado foi o menor do bioma desde 2002.

Mesmo com a alta, o setembro de 2026 é o segundo menor da Amazônia desde 2002. A média dos setembros de 2002 a 2025 no bioma é de 34.422 focos, quase o triplo do registrado agora.

Gráfico comparando os focos de calor de setembro de 2025 e de 2026 em cada bioma brasileiro
Focos de setembro por bioma, em 2025 e em 2026. Só a Amazônia subiu. Arte: Watts & Wild, com dados do Inpe.

Amazonas na média de setembro e Pará na metade dela

O Pará liderou o país, com 5.224 focos, 76% acima de 2025. Ainda assim, ficou perto da metade da sua média de setembro desde 2002, que é de 10.071.

O Amazonas teve 3.726 focos, quase quatro vezes os 942 de 2025. O número fica colado na média de setembro do estado, de 3.711. A alta já aparecia na parcial de setembro do Amazonas, e o mês fechado confirmou o salto.

Acre, com 877 focos, e Rondônia, com 515, também ficaram acima de 2025. Os dois seguem muito abaixo da média de setembro, que passa de 3.700 no Acre e de 6.900 em Rondônia.

EstadoSet. 2025Set. 2026VariaçãoMédia de setembro 2002 a 2025
Pará2.9675.224+76%10.071
Amazonas9423.726+296%3.711
Bahia3.3372.747-18%4.541
Maranhão4.5952.481-46%5.491
Mato Grosso2.2941.964-14%13.872
Tocantins2.6511.934-27%4.788
Piauí2.1471.848-14%3.221
Minas Gerais2.897956-67%3.605
Acre840877+4%3.773
Rondônia388515+33%6.972
Ceará647466-28%324
Goiás1.625431-73%2.294

Os 12 estados com mais focos em setembro de 2026, pelo satélite de referência. Média calculada pelo Watts & Wild com os 24 setembros de 2002 a 2025 do painel do Inpe.

Sete estados tiveram o menor setembro desde 2002

Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro fecharam com o menor número de focos de setembro desde 2002.

São Paulo caiu de 1.011 para 45, o Paraná de 447 para 43 e Mato Grosso do Sul de 311 para 99. Mato Grosso, que tem média de 13.872 focos em setembro, ficou em 1.964. O Maranhão teve o segundo menor setembro desde 2002, com 2.481.

Roraima, Amapá e Alagoas foram na contramão

Roraima teve 216 focos, o maior número para setembro desde 2002. O topo anterior era de 194, em 2023. O Amapá, com 235, teve o segundo maior. Alagoas, com 40, e Sergipe, com 9, também fecharam no topo das suas séries de setembro.

O Ceará não chegou ao seu topo, mas ficou acima da média. Teve 466 focos, contra uma média de 324 nos setembros desde 2002.

Os municípios e os dias com mais focos no mês

No arquivo do Inpe, Altamira, no Pará, foi o município com mais focos em setembro, 524. Depois vêm Novo Aripuanã, no Amazonas, com 490, São Félix do Xingu, no Pará, com 426, e Barra, na Bahia, com 360.

Fecham a lista Jacareacanga e Itaituba, no Pará, com 350 e 317, e Lábrea, no Amazonas, com 316. O dia com mais focos foi 21 de setembro, com 1.641, seguido de 18 de setembro, com 1.626.

De janeiro a setembro, o menor total desde 2003

Somados os nove meses, 2026 tem 70.350 focos no satélite de referência. Em 2025, no mesmo período, eram 75.745. Em 2024, eram 210.205.

É o menor total de janeiro a setembro desde 2003, o primeiro ano inteiro medido pelo Aqua. O de 2002 começa com o NOAA-12 e mistura os dois satélites.

Os três pontos do fechamento, conferidos

O guia do Watts & Wild sobre o Inpe listava três pontos para conferir no fechamento do mês. O primeiro é a data limite do painel, que chegou a 30 de setembro. O segundo é se o Aqua contou focos até o fim do mês, e contou: foram 991 no dia 30.

O terceiro é o horário. O Aqua está à deriva desde 2022 e passa cada vez mais tarde. Em setembro de 2026, 22.449 dos 24.382 focos caíram entre 15h e 16h59 de Brasília, e outros 1.778 já depois das 17h.

Até onde vai a leitura de um mês de focos

Foco de calor não é área queimada. Um incêndio grande pode virar dezenas de focos, e um fogo rasteiro sob a mata, ou escondido por nuvem na hora da passagem, pode não aparecer. O satélite de referência passa no máximo uma vez por tarde sobre cada ponto.

O atraso do Aqua também pesa. Quanto a passagem mais tarde muda a contagem, nem o Inpe nem a NASA calculam. Por isso, a queda de 2026 não pode ser atribuída só a menos fogo, e a comparação com os anos antigos pede cautela.

Os números são os do painel gerado em 1º de outubro. O Inpe prevê trocar o satélite de referência pelo NPP-Suomi quando o Aqua parar, com ajuste da série desde 2002.

Fontes: painel de estatísticas do Programa Queimadas do Inpe (arquivo do Brasil, gerado em 1º/10/2026, dados até 30/09) e arquivo mensal de focos de setembro de 2026, com contagem própria por bioma, estado, município, dia e horário. Imagem GOES-19 da NOAA.

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