Roedor sumido há 65 anos reaparece na Isla Mocha, no Chile, depois de sete anos de busca
Guarda-parques da CONAF, a corporação florestal do Chile, encontraram vivos quatro exemplares do degu de Isla Mocha (Octodon pacificus) na Reserva Nacional Isla Mocha, um roedor que se acreditava extinto na ilha desde 1959. O achado veio depois de sete anos de busca e de monitoramentos feitos quatro vezes por ano, segundo a CONAF.
Imagem: Brian Gratwicke/Wikimedia Commons (CC BY 2.5). Origem: upload.wikimedia.org.
O degu é endêmico do Chile. Ver quatro deles com vida, depois de décadas sem registro, é o tipo de notícia que muda o status de uma espécie.
Como foi o achado
O monitoramento de fauna foi feito pelo Departamento de Áreas Silvestres Protegidas da CONAF, com estudantes de tese da Universidade do Chile. Os quatro roedores ficaram cerca de 15 minutos em estudo, com coleta de amostras biológicas, medição e pesagem, e depois foram devolvidos ao hábitat.
O administrador da reserva, Francisco Astete, contou que o processo foi muito longo: foram sete anos desde que a busca começou, com monitoramento quatro vezes por ano. Ele atribuiu o resultado ao trabalho em equipe.
Como é esse roedor
Os degus são muito sociais e vivem em tocas subterrâneas, que costumam cavar em comunidade. O degu da ilha tem pelagem marrom-acinzentada homogênea, diferente do degu do continente (O. degu), que tem pelo longo e macio, marrom-alaranjado nas costas e mais claro na barriga.
Segundo a CONAF, o tamanho e o peso do degu da Isla Mocha podem chegar a duplicar os do degu do continente. Ele vive em áreas rochosas com matagal denso e pequenos bosques, e pode se reproduzir em qualquer época do ano.
O que o achado muda
Para Julián Reyes, chefe de conservação da diversidade biológica da CONAF Biobío, o resultado "mudará a categoria de conservação da espécie". Ela poderia deixar de ser considerada extinta na zona e passar para a categoria Perigo Crítico. Reyes também diz que o achado reforça a importância da Reserva Nacional Isla Mocha para a proteção do animal.
Reyes espera essa mudança de categoria, mas ela ainda é uma expectativa dele, não uma decisão tomada.
O próximo passo
Agora o trabalho é descobrir o tamanho da população, ou seja, quantos indivíduos vivem na ilha, e entender o comportamento deles. Esses dados vão mostrar se a espécie está estável ou se precisa de mais proteção.
Redescobertas como essa também acontecem no Brasil. O Rota Planeta contou como a ararinha-azul voltou a nascer livre na Caatinga e como o tatu-bola depende de planos de conservação.
Fonte: conaf.cl.
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