O Amazonas registrou 3.259 focos de calor por satélite entre 1º e 23 de setembro de 2026, alta de 273% sobre o mesmo período de 2025, segundo o Programa Queimadas do INPE
O Amazonas somou 3.259 focos de calor entre 1º e 23 de setembro de 2026, alta de 273% sobre o mesmo período do ano passado, segundo o INPE.
O Amazonas somou 3.259 focos de calor detectados por satélite entre 1º e 23 de setembro de 2026, alta de 273% sobre os 873 registrados no mesmo período do ano passado, segundo o Programa Queimadas do INPE. O total do mês já supera a média histórica de setembro, com uma semana ainda por vir.
Focos de calor, em laranja, e fumaça sobre rios do Amazonas, em imagem de satélite de 21 de setembro de 2026. Imagem: NASA Worldview/GIBS, dados MODIS Terra (domínio público).
O Amazonas registrou 3.259 focos de calor por satélite entre 1º e 23 de setembro de 2026, segundo o Programa Queimadas do INPE. No mesmo intervalo de 2025, o estado teve 873 focos, uma alta de 273% neste ano.
Esse levantamento usa o satélite de referência do INPE, o mesmo empregado desde 1998 para comparar incêndios florestais ano a ano no Brasil. Em Manaus, moradores voltaram a sentir cheiro de fumaça e névoa persistente na Zona Norte, segundo reportagem da revista Amazônia de 23 de setembro.
Os focos de calor no Amazonas praticamente quadruplicaram em um ano. Em 23 dias de setembro de 2026, o satélite de referência do INPE contou 3.259 focos no estado, quase quatro vezes mais que os 873 do mesmo período de 2025, um volume que já ultrapassa a média histórica de todo o mês.
O pico do mês veio em 22 de setembro, com 520 focos só naquele dia
No dia 22 de setembro, o Amazonas teve 520 focos de calor, o maior volume diário do mês até agora. Outro pico ocorreu em 6 de setembro, com 400 focos detectados em 24 horas.
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Pela janela de 1º a 19 de setembro, usada por parte da imprensa local, a comparação também mostra alta forte: 2.384 focos neste ano contra 624 em 2025, aumento de 282%. O padrão se repete em qualquer recorte do mês.
O que é um foco de calor, e por que ele não é sinônimo de incêndio
Um foco de calor é um ponto de temperatura elevada identificado pelo satélite, que pode indicar desde um incêndio florestal até uma queima agrícola pequena. Ele não mede área queimada nem número de incêndios reais no solo.
Um mesmo incêndio grande pode gerar vários focos ao longo de horas, enquanto uma fumaça densa pode encobrir focos reais da visão do satélite. Por isso o INPE recomenda comparar sempre o total do satélite de referência, nunca somar dados de sensores diferentes.
Como o INPE mede isso: o satélite de referência ativo desde 1998
Esse satélite de referência é o parâmetro oficial do Programa Queimadas para comparar anos diferentes, porque mantém o mesmo sensor e a mesma órbita desde 1998. Outros satélites usados pelo INPE têm resolução e horário de passagem distintos, o que muda a contagem.
A série histórica do Amazonas, estado por estado, está disponível no painel público do INPE, atualizado diariamente com o total de cada mês desde 1998. O mesmo painel mostra a média, o mínimo e o máximo de cada mês em toda a série.
No ano, o Amazonas já soma quase um quarto do recorde histórico de 2024
No acumulado de 2026, o Amazonas soma 5.790 focos de calor até 23 de setembro, cerca de 23% dos 25.499 registrados em todo o ano de 2024, recorde da série. O ano de 2024 teve agosto e julho como os meses mais críticos, com 10.328 e 4.241 focos.
Mesmo com a alta de setembro, o Amazonas segue longe do ritmo do ano recorde, calculado pelo INPE a partir de 27 anos de série. Nos oito primeiros meses de 2026, o estado somou 2.531 focos, um sexto dos 15.235 registrados no mesmo período de 2024.
O recorde do próprio mês de setembro pertence a 2022, e segue distante
Setembro de 2022 foi o mais quente da série no Amazonas, com 8.659 focos de calor no mês inteiro, segundo o histórico do INPE. Mesmo com a alta atual, 2026 ainda soma menos da metade desse total, com uma semana de setembro ainda por vir.
Depois de 2022, os anos seguintes tiveram setembros mais amenos: 6.991 focos em 2023, 6.879 em 2024 e apenas 942 em 2025, o mais baixo da década. A comparação mostra como o mês varia de um ano para outro, mesmo sem mudança na metodologia do satélite.
A fumaça chega a Manaus enquanto o rio Negro também vive vazante forte
A fumaça das queimadas voltou a ser sentida em Manaus nos últimos dias, com névoa persistente e queda de visibilidade na Zona Norte da cidade, segundo a revista Amazônia. O fenômeno costuma se intensificar quando a estação seca se soma ao aumento dos focos de calor no estado.
Em Manaus, o rio Negro também está em vazante acelerada, com o Serviço Geológico do Brasil projetando a terceira maior seca já registrada na capital. Menos chuva deixa a vegetação mais seca e facilita a propagação do fogo na região.
A maior parte do fogo na Amazônia tem origem em queima para limpar terra
A maior parte dos focos de calor na Amazônia tem origem em fogo posto por pessoas, usado para limpar pasto, preparar plantio ou renovar área já desmatada, segundo o histórico de monitoramento do INPE. Vento e estiagem prolongada ajudam esse fogo a escapar do controle e alcançar mata em pé.
Nem toda fumaça vista do espaço indica destruição, já que órgãos como o ICMBio também usam queima controlada como técnica de manejo, como mostrou o caso de um vídeo de brigadistas no Pantanal que foi confundido com incêndio criminoso. A diferença está na intenção e no controle da equipe sobre as chamas.
Os números de setembro de 2026 ainda são parciais, e a última semana pode mudar o total
O painel do INPE ainda não fechou o mês de setembro de 2026, já que os dados oficiais cobrem só até o dia anterior à consulta. Os sete dias finais do mês podem elevar ou reduzir a diferença percentual em relação a 2025.
Essa comparação entre anos também depende da nebulosidade sobre a floresta, porque nuvens densas escondem focos que o satélite não consegue detectar naquele dia. Por isso o INPE recomenda olhar tendências de meses inteiros, não apenas um recorte curto do calendário.
O que vem a seguir para o Amazonas até o fim da temporada seca
O período mais crítico da temporada de fogo na Amazônia costuma se estender até outubro, quando a estiagem chega ao pico em boa parte do estado. O INPE atualiza o painel de focos diariamente, o que permite acompanhar se a alta de setembro se mantém ou perde força.
Essa seca também muda a rotina de animais da região, como mostrou o resgate do furão-da-Amazônia criado como bichinho de estimação em Manaus, cidade que agora convive com fumaça no ar. Você já sentiu o cheiro de queimada perto de casa este ano? Conte a sua experiência nos comentários.



