Macaco que só existe no Rio precisa encontrar parceiros em outros pedaços de mata
Proteger a mata não basta para salvar o mico-leão-dourado: as populações ficam isoladas em fragmentos de floresta, e os animais precisam se encontrar para se reproduzir. Por isso o ICMBio, o instituto federal de conservação da biodiversidade, lançou um programa de manejo populacional para a espécie, com ciclo de 2025 a 2035.
Imagem: Hans Hillewaert/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0). Origem: upload.wikimedia.org.
O trabalho acontece dentro e fora da floresta, com bichos criados em instituições que recompõem grupos na natureza.
O que o programa oficial quer fazer
O Programa de Manejo Populacional do Mico-leão-dourado (Leontopithecus rosalia) tem como objetivo realizar um manejo integrado em toda a área em que a espécie ocorre. A meta é compensar os efeitos das ameaças e restaurar as populações na natureza.
Os instrumentos são os reforços populacionais e as reintroduções, feitos com animais vindos de instituições de manejo fora da natureza, como zoológicos e centros de criação. O responsável é o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio).
O grupo que acompanha o programa reúne pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense, do Zoológico de São Paulo, do Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro, de universidades e de instituições de fora do país, como o Zoológico de Copenhague. Há especialistas em genética, em biologia de populações e em ecologia de doenças.
Um bicho que só existe no Rio de Janeiro
O mico-leão-dourado só ocorre na Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro, seu único habitat natural, segundo a Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD). Nos anos 1970, a espécie esteve perto da extinção, e as reintroduções de animais nascidos em zoológicos começaram na década de 1980.
Por que a floresta isolada é um problema
Populações pequenas, presas em fragmentos, podem sofrer com a reprodução entre parentes. A AMLD, por isso, chega a transferir animais de um grupo para outro para evitar esse efeito. Macacos de populações diferentes precisam se encontrar para se reproduzir, e é por isso que conectar fragmentos importa.
Em 2017, um surto de febre amarela matou quase um terço da população, que caiu de 3.700 para 2.500 animais, a primeira queda desde o início do programa de conservação, segundo a AMLD. O caso mostra que uma doença pode atingir a espécie inteira, e por isso o manejo conta com especialistas em doenças e em genética.
O que fazer fora da mata
Parte do esforço está fora da floresta. A AMLD cita, na área de conectividade, uma passagem vegetada, descrita como a primeira numa rodovia federal do país, e passagens de fauna que ligam os fragmentos. Restaurar a mata também faz parte do trabalho: um centro de restauração em Silva Jardim vai recuperar 130 hectares.
Quem acompanha a fauna ameaçada pode ler também sobre o tatu-bola, que se fecha para escapar mas não escapa da caça e sobre o peixe-boi marinho, criticamente ameaçado. O ICMBio mantém a página do programa, com o protocolo de captura de micos-leões de 2025 e a ficha da espécie.
Fonte: gov.br.
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