Animais e natureza

Cateto ou queixada, o pequeno porco-do-mato brasileiro que aparece sozinho na trilha raramente está mesmo sozinho, e o motivo muda a forma como você deveria reagir ao avistar um

O Catraca Livre publicou em 19 de setembro uma explicação sobre dois pecarídeos que só existem na fauna brasileira e são fáceis de confundir com porco. Entenda o que diferencia o cateto do queixada e por que ver um sozinho na trilha nem sempre é o que parece.

Cateto ou queixada visto sozinho em trilha na floresta brasileira

Frame de vídeo mostra um queixada (Tayassu pecari) andando sozinho numa trilha de mata em Cotriguaçu (MT). Reprodução/YouTube (Richard Hatakeyama).

Cateto e queixada são dois pecarídeos brasileiros parecidos com porcos pequenos, mas de espécies diferentes, que vivem em grupo na mata. O Catraca Livre explicou em 19 de setembro como distinguir os dois pela aparência e por que avistar só um deles na trilha nem sempre revela todo o grupo.

Cateto e queixada são dois parentes brasileiros do porco que vivem em grupo dentro da mata. Um exemplar sozinho na trilha costuma ser só a ponta do bando, segundo o Catraca Livre.

A reportagem do Catraca Livre, publicada em 19 de setembro, usa o Animal Diversity Web, da Universidade de Michigan, para explicar como reconhecer cada espécie antes de se aproximar de um grupo na mata.

O cateto tem uma faixa clara no pescoço, como um colar, e o queixada tem uma mancha clara na mandíbula inferior. Como os dois vivem em grupo, avistar um sozinho na trilha não garante que o resto do bando esteja longe.

Registro de um queixada isolado numa trilha de mata. Vídeo: Reprodução/YouTube (Richard Hatakeyama).

O cateto tem uma faixa clara no pescoço, como um colar

O cateto, cujo nome científico é Pecari tajacu, apresenta uma faixa clara na região do pescoço que lembra um colar. É esse detalhe que dá nome popular ao animal.

O queixada, de nome científico Tayassu pecari, tem uma área clara na mandíbula inferior. Segundo o Catraca Livre, essa marca no rosto está por trás do nome popular da espécie.

Como saber se aquele animal na trilha é cateto ou queixada?

Leia também: Bolsa de sereia: tubarão-lixa põe ovo Noronha

A pergunta que mais aparece em quem se depara com um desses animais é justamente essa: cateto ou queixada? A resposta está na coloração da cabeça e no grupo que acompanha cada espécie.

Segundo o Animal Diversity Web, a aparência semelhante entre as duas espécies pode confundir à primeira vista, mas a coloração e a organização dos grupos ajudam a diferenciá-las com segurança.

Cateto ou queixada caminhando entre árvores na mata brasileira
O corpo robusto e escuro dificulta identificar a espécie de longe. Reprodução/YouTube (Richard Hatakeyama).

Queixadas costumam viver em grupos maiores que os catetos

As duas espécies são animais sociais que vivem em grupo, mas o queixada tende a formar bandos maiores que os do cateto. Essa diferença de tamanho pode mudar o risco de um encontro.

O Catraca Livre destaca que catetos e queixadas têm formas próprias de comunicação e defesa dentro do grupo, o que explica por que a espécie raramente se afasta do bando.

Um animal sozinho na trilha pode enganar sobre o tamanho do grupo

O ponto central da matéria é este: encontrar um único cateto ou queixada pode significar que outros animais do mesmo bando estão próximos, ainda escondidos na vegetação ao redor da trilha.

A decisão mais prudente, segundo a publicação, não é tentar se aproximar do indivíduo visível, e sim considerar que o espaço ao redor também pode estar sendo usado pelo grupo.

Vale o mesmo raciocínio de outro flagrante recente: a onça que voltava sozinha, noite após noite, para beber água num tanque no interior do Brasil, contada em outra matéria do Watts & Wild. Um único animal visível costuma revelar bem mais sobre o comportamento do grupo do que parece à primeira vista.

Comentários do público no vídeo de cateto ou queixada no YouTube
O que o público comentou no vídeo. Reprodução/YouTube.

O que quem já flagrou um cateto ou queixada no mato comenta no vídeo

Nos comentários do vídeo usado como referência, @sandro891 escreveu que os animais realmente andam em grupos e são os preferidos das onças, pois são vegetarianos. A relação com as onças-pintadas ajuda a explicar por que viver em bando é importante para a espécie.

@pinguim909 comenta um detalhe curioso do comportamento: o som de dentes batendo que o animal faz quando se sente ameaçado. Já @genildo880 brinca com a caça, mas a orientação vai na direção oposta, de manter distância do bando.

Queixada em trilha de mata fechada no Mato Grosso
Vegetação fechada dificulta ver se há mais animais do bando por perto. Reprodução/YouTube (Richard Hatakeyama).

A dieta de frutas e sementes explica por que eles andam em bando

Catetos e queixadas se alimentam de frutas, sementes e vegetação variada, e a dieta muda conforme o ambiente e a disponibilidade de comida em cada época do ano na mata.

Viver em grupo ajuda a espécie a cobrir mais área de floresta em busca de alimento, e a perda de habitat interfere diretamente no tamanho das populações, segundo o Animal Diversity Web.

Um cachorro perto do bando pode transformar o encontro em confusão

Entre as recomendações do Catraca Livre está evitar que cães persigam ou latam para catetos e queixadas. Um cachorro perto do grupo pode ser o gatilho que vira uma confusão.

A publicação também recomenda não bloquear a rota dos animais, não oferecer comida, não fotografar filhotes de perto e observar a uma distância segura, com o auxílio de binóculos.

O vídeo usado aqui é bem mais antigo que a notícia que ele ilustra

O registro em vídeo do queixada em Cotriguaçu, no Mato Grosso, é de 2008 e passa de 59 mil visualizações no YouTube. Ele não é o flagrante que originou a matéria do Catraca Livre.

O vídeo mostra o mesmo comportamento descrito na matéria, o animal isolado atravessando a trilha sozinho, mas cada mata e cada grupo se comporta de um jeito diferente.

É o mesmo cuidado que vale para outros flagrantes de bicho solto pelo Brasil, como o da cobra que picou uma turista numa trilha das Cataratas do Iguaçu: cada encontro tem as próprias circunstâncias.

O que fazer se você cruzar com um cateto ou queixada na trilha

A orientação do Catraca Livre e do Animal Diversity Web pode ser resumida assim: manter distância, não avançar sobre o animal, não deixar o cachorro latir e não oferecer comida.

Essas espécies só existem na fauna brasileira, do mesmo jeito que os porcos soltos numa ilha remota viraram um caso à parte na história natural. Você já viu um cateto ou queixada de perto? Deixe sua opinião nos comentários.

Espaço de anúncio

Mais do Watts & Wild

Mais em Animais e natureza →

O que está bombando, uma vez por dia

Sem spam. Só o que viralizou no Brasil, checado e explicado, direto no seu e-mail.