Ave que sumiu da natureza em 2000 ganha território só para ela na Caatinga
A ararinha-azul tem uma unidade de conservação só para ela: o Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha Azul, na Caatinga, com 29.234,73 hectares e criação por decreto em 5 de junho de 2018. O Decreto nº 9.402 é a base legal da unidade, segundo o ICMBio, o instituto federal de conservação da biodiversidade.
Imagem: VanderGomes/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Origem: upload.wikimedia.org.
A criação do refúgio faz parte da estratégia de trazer de volta uma ave que chegou a ser considerada extinta na natureza.
O que a unidade é, em números
O Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha Azul está no bioma Caatinga e ocupa 29.234,73 hectares. A gestão regional é da GR2 Nordeste, do ICMBio. A página oficial da unidade reúne o decreto de criação, o mapa com os limites e a lista de espécies ameaçadas protegidas ali.
Refúgio de Vida Silvestre, em linhas gerais, é uma categoria de unidade de conservação voltada a proteger ambientes naturais onde vivem espécies da fauna e da flora. A página do ICMBio não detalha esse conceito, então o que vale aqui é o que o decreto e os dados oficiais registram.
Por que a ave precisava de um território
A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) só existia numa pequena região semiárida do Vale do Rio São Francisco, na Bahia. A última vez em que foi vista em liberdade foi em outubro de 2000, e depois disso a espécie passou a ser considerada extinta na natureza. Hoje consta como Criticamente em Perigo.
O plano de ação do ICMBio para a espécie previa recuperar o habitat histórico da ave. Nesse esforço, o governo federal, em parceria com o Projeto Ararinha na Natureza, criou duas unidades: o refúgio e a Área de Proteção Ambiental da Ararinha-Azul. Soltar aves sem ter um lugar protegido para elas teria pouco efeito.
A volta à natureza
A reintrodução começou em 2022, com a soltura dos primeiros grupos em Curaçá, na área histórica de ocorrência. Em 2023, os primeiros filhotes nasceram em vida livre, o que o ICMBio descreve como um avanço significativo. A matéria do Rota Planeta conta como a ararinha-azul voltou a nascer livre na Caatinga.
O que olhar nos próximos passos
O refúgio mostra que a conservação de uma espécie começa pelo território. Outras espécies brasileiras seguem o mesmo caminho, como o tatu-bola, que depende da Caatinga. Para consultar o decreto e o mapa da unidade, o caminho é a página do refúgio no site do ICMBio.
Fonte: gov.br.
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