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Gêiser dispara água fervente sem bomba; o que empurra é um calor guardado no subsolo

Um gêiser só funciona onde se juntam três coisas: calor de um sistema magmático recente, água e rochas cheias de fraturas. Juntas, elas formam reservatórios subterrâneos que acumulam água quente e a soltam em erupções separadas, segundo o USGS, o serviço geológico dos Estados Unidos.

Imagem de divulgação: Gêiser dispara água fervente sem bomba; o que empurra é um calor guardado no subsolo

Imagem: Yellowstone National Park/Wikimedia Commons (Public domain). Origem: upload.wikimedia.org.

Não há bomba nenhuma. O que empurra a água para o alto é o calor guardado debaixo da terra.

Gêiseres são raros

Os gêiseres naturais da Terra são pouco comuns: existem menos de 1.000 no mundo, e cerca de metade fica no Parque Nacional de Yellowstone, nos Estados Unidos. Outros grandes campos ficam no Vale dos Gêiseres, na península de Kamchatka, na Rússia, e em El Tatio, nos Andes chilenos. Também há gêiseres em Whakarewarewa, na Nova Zelândia, e às margens do lago Bogoria, no Quênia.

Resumo em dados
AssuntoGêiser dispara água fervente sem bomba; o que empurra é um calor guardado no subsolo
Data26/10/2026
Número citado14.000 anos: atuais se formaram depois da última glaciação, há menos de 14.000 anos.
Fonteusgs.gov
Dados do texto e da fonte citada na matéria. Fonte: usgs.gov

A palavra vem de Geysir, nome que os islandeses deram no século 17 a uma fonte quente de erupção intermitente no sudoeste da Islândia. Comportamento parecido já foi visto no fundo do mar e é deduzido em Encélado, lua de Saturno, e em Tritão, lua de Netuno.

Como funciona o mecanismo

Muitos gêiseres parecem ter um reservatório subterrâneo onde o vapor se acumula entre as erupções. Quando a água sobe e sai, o conduto e o reservatório mais fundo se esvaziam, e isso estimula a fervura embaixo do solo.

O gás carbônico dissolvido nas águas termais também pode influenciar as erupções. Reservatórios fundos e grandes dão mais água e geram erupções maiores e mais longas.

Por que alguns são pontuais

A regularidade vem do tamanho e da profundidade do reservatório. Quando ele é fundo o bastante, não sente o clima da superfície. Quando é grande o suficiente, terremotos pouco mexem nele. Por isso a maioria dos gêiseres não é sensível ao tempo na superfície.

Os gêiseres de piscina são a exceção: o volume de água a esquentar fica em contato com o ar, e por isso vento e temperatura mudam o comportamento deles.

Gêiseres também se influenciam. Os que ficam hidraulicamente isolados, como o Old Faithful, tendem a ter intervalos mais regulares entre as erupções.

Um fenômeno que pode desaparecer

Gêiseres são feições passageiras, com fases de atividade e de repouso. Terremotos, deslizamentos, mudança na recarga de água, erosão dos cones e lenta deposição de sílica nos canais os afetam.

A maior parte dos gêiseres da zona vulcânica de Taupo e muitos que existiam em Nevada sumiram por causa da produção de energia geotérmica. Os grandes campos atuais se formaram depois da última glaciação, há menos de 14.000 anos.

Os pesquisadores os estudam porque funcionam como laboratórios naturais para processos parecidos com os dos vulcões. Quem quiser entender o risco real desse mundo pode ler o que mais mata num vulcão, e ver como a ciência acompanha esses fenômenos do espaço em o satélite europeu que seguiu a cinza do Anak Krakatau.

O que ainda falta descobrir

Dois séculos de pesquisa melhoraram muito o entendimento, mas o USGS lembra que ainda faltam observações longas e detalhadas, por vários anos seguidos, para determinar as leis que governam a ação dos gêiseres. Quem quiser se aprofundar pode procurar o artigo "The Fascinating and Complex Dynamics of Geyser Eruptions", na revista Annual Review of Earth and Planetary Sciences.

Fonte: usgs.gov.

Leia também: Foco de calor: o que é e como o INPE conta cada um · Por que o mar é salgado se os rios são de água doce · Coral doente tem quase 4 vezes mais risco de morrer no calor do mar

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