Por que o mar é salgado se os rios são de água doce: a NOAA explica que o sal vem de rochas desgastadas pela chuva e de aberturas quentes no fundo do oceano, e que boa parte dele nunca mais sai da água
Todo rio acaba no mar, e a água do rio não tem gosto de sal. Mesmo assim, o oceano é salgado. A conta parece não fechar. A NOAA, agência oceânica dos Estados Unidos, explica que o sal vem de duas fontes: as rochas da terra e o fundo do próprio mar.
Fonte hidrotermal de 255 °C no topo de uma chaminé de sulfeto de 38 metros, no campo Loloa Kakai, no rifte Fonualei. Foto: NOAA Vents Program, cortesia MARUM (Universidade de Bremen) e NOAA-PMEL, domínio público, via Wikimedia Commons, redimensionada.
O mar é salgado porque recebe sais de duas fontes e muitos deles ficam: as rochas da terra, que chegam dissolvidas pelos rios, e as aberturas no fundo do oceano. É o que descreve a página da NOAA sobre o tema, atualizada em 23 de setembro de 2026.
Por que o mar é salgado: duas fontes, segundo a NOAA
A agência resume em uma frase: o sal do oceano vem do escoamento da terra e de aberturas no fundo do mar. As rochas continentais são a fonte principal dos sais dissolvidos na água marinha.
O caminho do sal começa na chuva
A água da chuva que cai sobre a terra é levemente ácida, e isso basta para desgastar as rochas. O desgaste solta íons, partículas com carga elétrica que ficam dissolvidas na água. Riachos e rios levam esses íons até o oceano.
Por isso a pergunta do título tem uma resposta menos estranha do que parece. O rio não leva só água: leva também o que a água tirou das pedras pelo caminho.
Por que o sal não some depois que chega
Muitos desses íons são aproveitados por seres vivos do oceano e saem da água. Outros não são retirados, e a concentração deles aumenta com o tempo, segundo a NOAA.
É esse acúmulo que desfaz o paradoxo: o rio entrega sais ao mar, e parte deles não sai mais.
Aberturas no fundo também soltam sais
A segunda fonte está debaixo d'água. A água do mar entra por rachaduras no fundo, é aquecida pelo magma e passa por reações químicas. Ela tende a perder oxigênio, magnésio e sulfatos e a ganhar metais, como ferro, zinco e cobre, tirados das rochas em volta.
A água quente sai por aberturas no fundo, as fontes hidrotermais, e leva os metais com ela. A NOAA lembra ainda que erupções vulcânicas submarinas soltam minerais direto no oceano.
Domos de sal, depósitos que a Terra guardou
Os domos de sal também contribuem para a salinidade, diz a agência. São depósitos enormes, formados ao longo de escalas de tempo geológicas, que existem debaixo da terra e do mar em várias partes do mundo. São comuns na plataforma continental do noroeste do Golfo do México, que a página da NOAA chama de Golfo da América.
Que sais são esses: a tabela do mar
Dois íons dominam a água do mar: cloreto e sódio. Juntos, eles somam cerca de 85% de todos os íons dissolvidos. Magnésio e sulfato respondem por outros 10%, e o resto aparece em concentrações muito pequenas.
| Íons do mar | Parcela dos íons dissolvidos (NOAA) | Em 1 kg de água do mar (conta nossa) |
|---|---|---|
| Cloreto e sódio, juntos | cerca de 85% | cerca de 30 g |
| Magnésio e sulfato, juntos | cerca de 10% | cerca de 3,5 g |
| Todos os outros, em concentrações muito pequenas | o restante, cerca de 5% | cerca de 1,8 g |
Arte: Watts & Wild, com dados da NOAA (National Ocean Service). As porcentagens são da NOAA; a coluna em gramas é conta do Watts & Wild sobre os 35 g de sais por quilo e trata todos os sais como íons, uma aproximação.
Faça a conta: quanto sal tem um quilo de mar
A salinidade média do oceano é de cerca de 35 partes por mil. Dito de outro jeito, uns 3,5% do peso da água do mar vêm dos sais dissolvidos.
Na prática: um quilo de água do mar leva cerca de 35 gramas de sais, porque 35 ÷ 1.000 = 3,5%. Em 100 quilos, são 3,5 quilos. E 85% de 35 gramas dá uns 30 gramas de cloreto e sódio.
O sal não se espalha igual pelo oceano
A salinidade varia com a temperatura, a evaporação e a chuva. Segundo a NOAA, ela costuma ser baixa no equador e nos polos e alta nas latitudes médias. Os 35 por mil são uma média, não um valor igual em todo lugar.
O que vive nessa água salgada
No mar brasileiro, essa água abriga de microrganismos que fazem a luz azul na arrebentação de praias do litoral a animais como a salpa, o bicho transparente do mar aberto.
Sal em oceano também aparece fora da Terra: em Encélado, lua de Saturno, um estudo mostrou jatos de gelo que separam os sais do oceano escondido.
O que a explicação da NOAA deixa em aberto
A página descreve as origens do sal e o mecanismo do acúmulo, mas não dá quanto sal vem de cada fonte nem em quanto tempo o mar chegou à salinidade de hoje.
A coluna em gramas da tabela é aritmética do Watts & Wild sobre os números da NOAA e trata todos os sais dissolvidos como íons, uma aproximação. Os 35 por mil são média, e a salinidade real muda de lugar para lugar.
Fontes: NOAA National Ocean Service, Why is the ocean salty? (atualizada em 23/09/2026). Imagens: NOAA Vents Program, NOAA e NASA Earth Observatory, via Wikimedia Commons.



