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Ultrassom pode aliviar delírios, mas teste não mostrou melhora nas alucinações

Se você acompanha pesquisas sobre esquizofrenia, um pequeno estudo com ultrassom trouxe um resultado específico: os participantes apresentaram delírios menos intensos, mas não houve melhora significativa nas alucinações auditivas.

Imagem de divulgação: Ultrassom pode aliviar delírios, mas teste não mostrou melhora nas alucinações

Imagem: Divulgação/Live Science. Origem: livescience.com.

O experimento envolveu dez pessoas com esquizofrenia ou transtorno esquizoafetivo, e o benefício observado após uma sessão de dez minutos se estendeu por pelo menos uma semana.

Segundo a Live Science, em reportagem de 20 de outubro de 2026, os resultados foram publicados na revista npj Acoustics. Os participantes receberam tanto a estimulação quanto um procedimento simulado, usado como comparação, com intervalo de uma semana.

O achado importa porque a esquizofrenia envolve diferentes grupos de sintomas. O Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, o NIMH, também descreve dificuldades de motivação, expressão emocional e organização do pensamento. Por isso, melhorar um sintoma não equivale a tratar todas as manifestações da condição.

Para você ou alguém que acompanha uma pessoa em tratamento, a consequência prática é entender o alcance da notícia: existe uma possibilidade em investigação, mas o teste não estabelece uma alternativa pronta para substituir os cuidados atuais. O resultado é preliminar e não justifica interromper ou trocar medicamentos por conta própria.

Como o ultrassom foi aplicado no cérebro

A técnica se chama estimulação transcraniana por ultrassom. Um dispositivo colocado sobre a cabeça envia ondas sonoras através do crânio para tentar modificar a atividade de uma região cerebral específica.

Neste experimento, o alvo foi o globo pálido interno do lado direito. Essa estrutura fica em uma região profunda do cérebro e integra um circuito que conecta diferentes áreas envolvidas no processamento de informações.

A escolha não foi aleatória. Em uma pesquisa anterior, os autores haviam associado uma conexão mais intensa entre essa estrutura e outra região cerebral a sintomas psicóticos mais graves.

A hipótese da equipe é que desequilíbrios nesse circuito possam dificultar a filtragem de sinais irrelevantes. Mas o estudo ainda não demonstra que esse mecanismo explique, sozinho, os delírios ou a resposta à estimulação.

Delírios e alucinações são sintomas diferentes

Um delírio é uma crença persistente que não corresponde à realidade e resiste a evidências contrárias. A pessoa pode, por exemplo, acreditar que está sendo perseguida sem que existam elementos que sustentem essa percepção.

Uma alucinação envolve perceber algo sem o estímulo externo correspondente. No caso das alucinações auditivas, isso pode significar ouvir vozes ou outros sons que não estão ocorrendo no ambiente.

No teste, os pesquisadores avaliaram a intensidade da convicção nos delírios e o sofrimento associado a eles. Também investigaram alucinações auditivas e aspectos gerais da cognição.

A estimulação foi associada a delírios menos graves durante a semana seguinte, em comparação com o procedimento simulado. As avaliações não encontraram mudanças significativas nas alucinações auditivas nem na cognição geral.

A melhora observada nos delírios não pode ser estendida às alucinações auditivas. Da mesma forma, a ausência de diferença significativa em dez participantes não prova que a técnica jamais possa produzir algum efeito sobre esse outro sintoma.

O que a comparação com o procedimento simulado acrescenta

Você pode estar se perguntando: se os sintomas variam naturalmente, como saber se a melhora veio do ultrassom?

O procedimento simulado ajuda a enfrentar essa dúvida. Como cada participante passou pelas duas condições, os pesquisadores puderam comparar o que ocorreu após a estimulação e após a sessão de controle.

Esse desenho oferece uma referência mais útil do que apenas observar pacientes antes e depois de uma aplicação. Ainda assim, uma amostra de dez pessoas deixa incertezas sobre a consistência do efeito e sobre quem poderia se beneficiar.

Também é necessário separar duração da sessão de duração do benefício. Os dez minutos correspondem à aplicação estudada. Eles não representam um prazo comprovado para tratar a esquizofrenia.

Quais efeitos indesejados apareceram

Foram relatados sintomas leves, como cansaço e dor de cabeça. Alguns participantes também tiveram aumentos transitórios dos delírios.

Esses acontecimentos foram tão frequentes após o procedimento simulado quanto após a estimulação. Por isso, não é possível atribuí-los automaticamente ao ultrassom.

Mas esse resultado também não demonstra segurança definitiva. Um estudo pequeno não permite avaliar adequadamente efeitos raros ou as consequências de aplicações repetidas por períodos prolongados.

Os pesquisadores pretendem ampliar o número de participantes e testar diferentes doses de estimulação. A possibilidade de reduzir efeitos indesejados associados a medicamentos continua sendo uma hipótese a investigar, não uma vantagem comprovada pelo experimento.

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Por que o alvo cerebral pode fazer diferença

O dado que ajuda a interpretar essa linha de pesquisa é que “ultrassom no cérebro” não descreve uma intervenção única. A região atingida e a forma de estimulação podem mudar o resultado.

A reportagem menciona outro estudo que estimulou partes do estriado, uma estrutura diferente, e avaliou alucinações. Nesse caso, os pesquisadores encontraram redução desses sintomas por pelo menos uma semana.

Os experimentos não são equivalentes, mas a diferença orienta uma pergunta para os próximos testes: seria possível escolher o alvo conforme o sintoma que se pretende tratar?

O desafio é descobrir qual região estimular, de que maneira e para quais pacientes. É essa combinação que pesquisas maiores precisarão esclarecer antes de transformar o sinal inicial de benefício em uma opção clínica bem estabelecida.

Fonte: livescience.com.

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Fonte: livescience.com.

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