Ciência

Sonda DAVINCI da NASA aguenta 465 °C: o teste que simulou a descida até a superfície de Vênus, com seis ciclos de aquecimento num forno da Pensilvânia e mais de 100 sensores de temperatura

A NASA aqueceu um modelo de engenharia da sonda que vai descer a Vênus até 465 graus Celsius, em cerca de uma hora, e repetiu a prova seis vezes. O teste, feito entre 28 de agosto e 10 de setembro num forno da Pensilvânia, terminou sem dano ao aparelho.

Modelo de engenharia da sonda DAVINCI, esfera de aço pendurada por cintas sobre um suporte, antes do teste de calor de Vênus

O modelo de engenharia da sonda de descida DAVINCI, fotografado antes do teste térmico. Foto: NASA/Mike Guinto, NASA, domínio público, recortada.

A sonda DAVINCI aguenta o calor de Vênus, ao menos em solo: o modelo de engenharia passou por seis ciclos de 465 °C sem falha. A NASA divulgou o resultado em 24 de setembro e o repetiu num comunicado de 2 de outubro.

O que a NASA testou em Bedford

A equipe levou o modelo a um forno da empresa Rex Heat Treat, em Bedford, na Pensilvânia. Segundo a NASA, é uma das poucas instalações capazes de chegar a temperaturas como as de Vênus tão rápido quanto a sonda vai sentir.

O aparelho testado tem o tamanho de uma bola de ioga. Foi colocado numa câmara forrada de cerâmica, com as paredes chamuscadas, e o forno subiu até 869 °F, ou 465 °C, ao longo de cerca de uma hora.

Técnico mexe na sonda DAVINCI de aço, sobre um suporte, diante da porta aberta do forno industrial, ao lado de um banner da missão
Um técnico prepara o modelo de engenharia da sonda DAVINCI diante do forno de Bedford, na Pensilvânia, antes do teste térmico. Foto: NASA/Mike Guinto, NASA, domínio público, recortada.

Seis subidas até a temperatura da superfície

O ritmo de aquecimento é o mesmo que a sonda terá na descida até a superfície de Vênus. Depois da primeira rodada, a equipe repetiu o processo outras cinco vezes, e o modelo passou por todas sem dano, segundo a agência.

Jim Garvin, pesquisador principal da DAVINCI no Centro de Voo Espacial Goddard, da NASA, em Greenbelt (Maryland), descreveu o resultado como um sucesso. Foram seis corridas até a temperatura da superfície de Vênus, numa linha do tempo de descida de 55 a 60 minutos, com a instrumentação interna completa.

Mais de 100 sensores dentro do modelo

Durante a prova, peças que imitam os instrumentos da sonda foram monitoradas por mais de 100 sensores de temperatura. É a leitura desses sensores que mostra se o isolamento segura o calor longe dos aparelhos.

Quatro homens empurram a sonda DAVINCI sobre trilhos para dentro do forno, enquanto um deles opera um equipamento de medição
Equipe empurra a sonda para dentro da câmara do forno. Os fios ligam o modelo aos sensores. Foto: NASA/Mike Guinto, NASA, domínio público, recortada.

Uma casca de titânio com portas para o gás

A sonda real terá uma casca de titânio, resistente à corrosão e leve. Dentro vão os instrumentos que analisam os gases da atmosfera, câmeras e um rádio para enviar dados à nave-mãe, que estará a cerca de 9.000 quilômetros de altura.

Kristen Brown, gerente da sonda no Goddard, resumiu o problema: o sistema precisa proteger os instrumentos do calor e, ao mesmo tempo, deixar entrar de forma planejada os gases quentes que serão estudados, por portas de admissão especiais.

O que a sonda DAVINCI vai fazer em Vênus

Segundo a página da missão, a nave fará uma série de sobrevoos de Vênus. Dois anos depois do início da missão, vai soltar a sonda, que mede a composição química, a temperatura, a pressão e os ventos da atmosfera durante a descida.

Abaixo das nuvens, a sonda fotografa em alta resolução uma região montanhosa chamada Alpha Regio, que pode estar entre as superfícies mais antigas do planeta. A NASA diz que serão as imagens de maior resolução já feitas da superfície de Vênus, usadas para montar um mapa em 3D.

Vênus já teve água?

É a pergunta central da missão: se o planeta teve oceanos e foi habitável como a Terra. A DAVINCI quer medir gases nobres e a química da atmosfera, que guardam pistas de como Vênus se formou e mudou ao longo de 4,5 bilhões de anos.

Para ler sobre outros mundos do Sistema Solar, o site tem o caso de Vênus não ter lua e a hipótese de que engoliu a própria. Também tem a chegada da missão europeia e japonesa a Mercúrio em BepiColombo captura as duas sondas e o calendário de ano novo em Marte, que dura 687 dias.

O que Garvin diz sobre os anos 1970

Garvin afirmou que não havia, nos Estados Unidos, uma avaliação tão completa de hardware do tamanho de uma espaçonave em temperaturas de Vênus desde meados dos anos 1970. A frase é dele, em tradução livre.

O teste de calor vem depois de uma campanha, no início do verão do Hemisfério Norte, para demonstrar o sistema de imagem da sonda. Para Garvin, a equipe cumpriu os dois grandes marcos do ano em prazo acelerado.

O porém do teste de Vênus: modelo no chão, ainda sem aprovação final

O que passou pelo forno foi um modelo de engenharia, não a sonda que vai a Vênus. A prova reproduz a temperatura e o ritmo de aquecimento da descida, e a NASA a trata como evidência de que o isolamento protege os instrumentos.

A missão ainda trabalha para ser aprovada na fase de projeto final e fabricação. Esse é o próximo passo a acompanhar, e a página da missão no site da NASA é onde saem as atualizações.

Fontes: NASA, DAVINCI Probe Can Stand the Heat, 2 de outubro de 2026. NASA Science, blog da DAVINCI, 24 de setembro de 2026. NASA Science, página da missão DAVINCI.

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