Ciência e tecnologia

Seis satélites do tamanho de uma torradeira vão virar um radiotelescópio: NASA mira 2027 para a SunRISE

A NASA marcou o lançamento da SunRISE, seis satélites que vão voar separados e funcionar como uma antena só, para ouvir os estrondos de rádio do Sol. A data saiu em 6 de outubro: não antes de meados de 2027, num Falcon Heavy. Em janeiro, o plano era lançar ainda em 2026.

Satélites da missão SunRISE da NASA enfileirados em laboratório, com painéis solares pretos abertos como asas, sobre mesa azul

Parte da fila de satélites da SunRISE no laboratório da Universidade Estadual de Utah, em Logan, em novembro de 2023. Foto de arquivo (recorte): NASA/JPL-Caltech/Space Dynamics Laboratory (Allison Bills), banco de imagens da NASA.

A NASA vai lançar a missão SunRISE não antes de meados de 2027, num foguete Falcon Heavy da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.

O anúncio está no blog da missão, de 6 de outubro. Os seis satélites, cada um do tamanho de um forno elétrico de bancada, já estão prontos e guardados.

Um lugar na carona de outra carga

A SunRISE não tem foguete só para ela. Vai de carona numa carga patrocinada pelo Comando de Sistemas Espaciais da Força Espacial dos EUA. É por isso que a data depende do calendário de outro lançamento e não só do trabalho da equipe.

Os satélites foram montados e testados no Space Dynamics Laboratory, da Universidade Estadual de Utah, em Logan. Ficam guardados lá e só seguem para a Flórida pouco antes do lançamento, segundo a NASA.

Do plano de janeiro ao prazo de 2027

O prazo escorregou duas vezes no mesmo ano. Em janeiro, a missão ia subir num foguete Vulcan Centaur ainda em 2026. Em julho, a NASA trocou o foguete por um Falcon Heavy e disse que daria a nova data em breve. A data veio em outubro.

DataO que a NASA anunciouFoguete
20 de janeiro de 2026Seis satélites passam nos testes de vibração, vácuo térmico e compatibilidade eletromagnética. Lançamento previsto para "mais tarde neste ano"Vulcan Centaur, da United Launch Alliance, a partir de Cabo Canaveral
13 de julho de 2026NASA troca de foguete e diz que divulgará o novo prazo "em breve"Falcon Heavy, da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy
6 de outubro de 2026Lançamento "não antes de meados de 2027"Falcon Heavy, em carona com carga patrocinada pela Força Espacial dos EUA

Arte: Watts & Wild, com dados dos três posts do blog da missão SunRISE na NASA Science (janeiro, julho e outubro de 2026).

Os posts da NASA trazem os foguetes e as datas, mas o motivo da mudança fica fora deles. Sem uma explicação oficial, qualquer causa seria chute.

Seis caixinhas, uma antena

Ilustração de dois satélites pequenos de painéis solares abertos e antenas longas diante do Sol, ao fundo, com um terceiro em primeiro plano
Ilustração da missão SunRISE divulgada pela NASA: os satélites no espaço, com os painéis solares abertos e as antenas esticadas. Imagem: NASA Science, divulgação.

Cada satélite abre quatro hastes de antena de cerca de 2,5 metros, dispostas em X. Os seis voam em formação, a até 16 quilômetros uns dos outros, numa órbita um pouco acima da geossíncrona, a cerca de 35 mil quilômetros de altitude. A legenda da foto de 2023 fala em 10 quilômetros de distância.

Cada um escuta o rádio do Sol e manda o sinal para a Terra pela Rede do Espaço Profundo da NASA.

Lá, os cientistas usam interferometria: combinam o que os seis ouviram como se viesse de uma única antena do tamanho de toda a formação. Em linhas gerais, quanto mais afastadas as antenas, mais detalhe o conjunto enxerga.

O que a missão SunRISE vai ouvir no Sol

O alvo são os estouros de rádio da coroa, a atmosfera externa do Sol. Eles nascem quando partículas aceleradas deixam a estrela. Segundo Sue Lepri, pesquisadora principal da SunRISE na Universidade de Michigan, a origem é a enorme energia guardada no campo magnético solar, que acelera as partículas a velocidades altíssimas.

As ondas de rádio chegam à Terra antes das partículas. Ouvir o rádio primeiro dá uma vantagem de aviso.

Em casos extremos, as partículas solares podem danificar satélites e afetar astronautas, e a NASA diz que acompanhar essas ondas pode melhorar a previsão e a mitigação. A missão também vai mapear o campo magnético do Sol da coroa externa ao espaço entre os planetas.

Os seis satélites da missão SunRISE em fila sobre uma mesa azul, o da frente num suporte preto com a inscrição SunRISE, contra fundo laranja
A mesma foto, inteira: os seis satélites em fila, cada um com corpo de metal cor de cobre e dois painéis solares. Foto: NASA/JPL-Caltech/Space Dynamics Laboratory (Allison Bills), novembro de 2023. Banco de imagens da NASA.

Para que serve o rádio do Sol, vista daqui da Terra

A SunRISE é um instrumento de pesquisa, com missão principal de um ano. O que ela entrega, segundo a NASA, é dado para melhorar a previsão e a mitigação dos efeitos das partículas solares.

Para entender o que uma tempestade solar forte pode atrapalhar no dia a dia, a gente traduziu a escala americana de clima espacial em um guia para quem depende de celular e GPS.

Outra missão recente que acompanha o que o Sol faz com a Terra é a do Smile, que filmou uma aurora boreal por 45 horas seguidas.

A SunRISE se junta a outras missões da NASA que olham o Sol, como a Solar TErrestrial RElations Observatory, a Parker Solar Probe e a Solar Orbiter, esta última feita com a Agência Espacial Europeia. Em outra frente de satélites, o site também contou a história da nave da NASA que vai inspecionar satélites desativados.

O prazo é "não antes de", e a distância tem duas versões

O prazo é "não antes de". Se a carga principal atrasar, a SunRISE atrasa junto, e a NASA ainda não deu o dia do lançamento. Os satélites seguem guardados em Utah até o prazo se firmar.

A conta sobre a distância entre os satélites também varia conforme o texto da NASA: 16 quilômetros no post de janeiro, 10 na legenda da foto de 2023. O texto não explica a diferença.

A missão é uma Missão de Oportunidade do programa Explorers, gerida pelo Centro Goddard, com ciência liderada pela Universidade de Michigan e projeto sob o JPL.

Fontes: NASA Science, blog da SunRISE, 6 de outubro de 2026. NASA Science, 13 de julho de 2026. NASA Science, 20 de janeiro de 2026. NASA Science, página da missão SunRISE. Banco de imagens da NASA, PIA25789.

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