Rover Curiosity flagra falésias misteriosas em Marte; uma hipótese é cinza de vulcão antigo
O rover Curiosity, da NASA, registrou em Marte uma vista nova de falésias moldadas pelo vento. Elas podem guardar sinais de vulcões que existiram há muito tempo. A imagem foi divulgada pelo ScienceDaily, que reproduz o comunicado do Jet Propulsion Laboratory da NASA, publicado em 22 de outubro.
Imagem: Amit Patel/Flickr (CC BY 2.0). Origem: flickr.com.
A vista foi montada com seis fotos tiradas pela câmera Mastcam do rover em 11 de agosto, durante o 4.982º dia marciano, chamado sol. As fotos chegaram à Terra separadas e foram unidas em um único panorama. Ao contrário da maioria das fotos da Mastcam, elas não passaram pelo ajuste de balanço de branco. Por isso, as cores ficaram como eram na manhã de Marte, com tons azulados no primeiro plano.
O rover Curiosity e a subida do Monte Sharp
O Curiosity escala o Monte Sharp desde 2014. A montanha tem cerca de 5 quilômetros de altura e guarda camadas de rocha sedimentar. Cada camada registra um capítulo diferente da história do planeta. Estudando essas camadas, os cientistas reconstruíram lagos e rios que existiram ali há bilhões de anos.
Depois, a água sumiu e deixou sais minerais para trás. Quando o material parou de se acumular, o vento pode ter desgastado parte da rocha e esculpido os yardangs, falésias que se estendem por cerca de 16 quilômetros no noroeste da montanha.
Recentemente, o rover ganhou 1 quilômetro de altitude, a maior subida já feita por um rover em Marte.
Por que essas falésias intrigam os cientistas
Os yardangs não se parecem com o terreno em volta. A cor é diferente, e as camadas estão inclinadas em um ângulo que chamou a atenção da equipe. Ashwin Vasavada, cientista do projeto Curiosity no Jet Propulsion Laboratory, no Sul da Califórnia, disse: "O yardang parece fora do lugar. A cor está errada, as camadas se inclinam de um jeito estranho e parece que foram coladas ali. Mas é isso que torna chegar lá empolgante. Ninguém tem certeza do que criou essa camada. Uma ideia é que ela seja cinza de erupções vulcânicas antigas."
Os pesquisadores também suspeitam que outros processos, além do vento, tenham ajudado a formar a camada. Se for cinza vulcânica, como ela chegou a essa encosta? Por enquanto, a pergunta segue aberta. Não está claro se a origem é mesmo vulcânica.
Quadro de serviço: o que se sabe e o que ainda não se sabe
- O que se sabe: a vista foi feita em 11 de agosto, com seis fotos da Mastcam.
- Onde: o rover sobe o Monte Sharp, perto dos yardangs, que se estendem por cerca de 16 quilômetros.
- O que ainda não se sabe: como a camada se formou e se a cinza vulcânica é mesmo a explicação.
- Quando: a equipe quer chegar à base das formações em 2027 e examinar as rochas com o braço robótico.
Quando a resposta deve chegar
Até lá, o rover segue por camadas de rocha com sulfatos e carbonatos. Esses minerais são provas de que Marte teve condições secas há muito tempo.
Para você, que acompanha a missão, a espera deve ser longa. A equipe quer chegar à base das falésias em 2027, e só então o robô deve analisar as rochas com o braço robótico. Até lá, as novas imagens devem mostrar as formações com mais detalhes.
O dado mais esperado ainda não existe. Ele vem quando o rover tocar as rochas da base dessas falésias, e os cientistas esperam que isso mostre como essas formas surgiram.
Fonte: sciencedaily.com.
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