Amanhecer em Marte: Curiosity faz a foto mais detalhada de penhascos esculpidos pelo vento, com chão azulado
A NASA divulgou em 6 de outubro um panorama de seis imagens feito pelo rover Curiosity às 8h30 da manhã local de Marte. É a visão mais detalhada até agora de penhascos esculpidos pelo vento, os yardangs, e o chão aparece em tons azulados. A base dessa camada é a meta do rover para 2027.
Trecho do panorama do Curiosity com os penhascos da camada de yardangs no horizonte, no noroeste do Monte Sharp, em Marte. Divulgação/NASA/JPL-Caltech/MSSS, recortado.
O Curiosity fotografou o amanhecer em Marte em 11 de agosto, o sol 4.982 da missão, e a NASA mostrou o resultado em 6 de outubro. A imagem é o registro mais detalhado até hoje dos yardangs no noroeste do Monte Sharp, segundo o Laboratório de Propulsão a Jato (JPL).
O amanhecer em Marte visto pela Mastcam
A Mastcam, câmera instalada no mastro do rover, fez seis imagens que foram emendadas depois de chegarem à Terra. A hora local do registro foi 8h30. A câmera foi construída e é operada pela Malin Space Science Systems, de San Diego, na Califórnia.
Por que o chão aparece azulado
A maioria das fotos da Mastcam passa por balanço de branco, um ajuste que compensa a cor da luz para os tons da cena parecerem naturais. Esta passou sem o ajuste, e por isso preserva a aparência do início da manhã, com azul no primeiro plano, segundo a NASA.
O azul do pôr do sol marciano é outro assunto, tratado em por que o pôr do sol é vermelho na Terra e azulado em Marte. Aqui a cor vem do tratamento da imagem.
O que são yardangs e onde ficam
Yardangs são penhascos e cristas esculpidos pelo vento. Na foto, eles aparecem no horizonte, mais claros que as rochas escuras do primeiro plano.
A camada com essas formas se estende por cerca de 16 km (10 milhas) no noroeste do Monte Sharp, uma montanha de 5 km de altura que o Curiosity sobe desde 2014.
Ashwin Vasavada, cientista do projeto Curiosity no JPL, descreveu a camada em tradução livre: “Parece fora de lugar. Tem a cor errada, as camadas se inclinam num ângulo estranho e ela quase parece colada.” Para ele, é isso que torna a chegada empolgante.
De lagos antigos à erosão do vento
Cada camada do Monte Sharp registra um período da história de Marte. Estudando-as, os cientistas descobriram lagos e riachos que cobriam essa região há bilhões de anos. A água secou e deixou minerais salgados.
Depois que o material parou de se depositar na montanha, parte dele pode ter sido arrancada pelo vento. Seria assim que surgiram os yardangs, segundo a NASA.
Um quilômetro de subida e o caminho até 2027
O rover chegou há pouco a 1 km de altitude acima do ponto de partida, o trecho mais alto já escalado em Marte. É a mesma região que ele explora na quinta missão estendida, que começou nas cristas em forma de teia de aranha (boxwork) e está no segundo ano.
No próximo ano, ele vai rodar por camadas ricas em sulfatos e carbonatos, sinais de secagem antiga da superfície. Os cientistas esperam chegar à base dos yardangs em algum momento de 2027, quando o braço robótico poderá coletar dados desses penhascos.
Outro rover, o Perseverance, também achou rochas que mudam o que se sabe do planeta: o campo de rochas claras em Marte. E um ano marciano dura bem mais que o terrestre, como mostra a matéria sobre o início do ano 39 em Marte.
O que ninguém sabe sobre esses penhascos
A origem da camada de yardangs não está resolvida. A hipótese citada por Vasavada é que ela seja cinza de erupções vulcânicas antigas, mas ele mesmo diz que ninguém sabe ao certo o que a criou.
A foto também tem quase dois meses de atraso: foi feita em 11 de agosto e divulgada em 6 de outubro. A chegada à base dos penhascos em 2027 é uma expectativa dos cientistas, não uma data marcada. O andamento da missão fica na página do Curiosity na NASA.
Fonte: NASA/JPL, Curiosity captura o amanhecer em Marte, 6 de outubro de 2026. NASA, página da missão Curiosity.



