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Só 22,3% dos professores dos anos finais do fundamental no Brasil estão satisfeitos com o salário, contra 38,7% na média dos países da OCDE, mostra relatório divulgado em 29 de setembro

O Panorama da Educação 2026, da OCDE, tem um capítulo só sobre o Brasil e um tema central neste ano: a falta de professores. Veja quantos estão sem qualificação completa, quem vem de outra carreira, quantos deixam a sala de aula e quanto o país gasta por aluno.

Professora de matemática escreve na lousa verde de uma escola pública em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, enquanto alunos de uniforme copiam a matéria

A professora de matemática Camile Dias Simão Morestrello dá aula no Ciep Ministro Salgado Filho, em Nova Iguaçu (RJ), em 2014. A foto não faz parte da pesquisa. Foto: Sergio Amaral/MDS, CC BY-SA 2.0, Wikimedia Commons.

Na maioria, não. Só 22,3% dos professores dos anos finais do ensino fundamental no Brasil dizem estar satisfeitos com o salário, segundo a pesquisa Talis 2024, citada pela OCDE no relatório Panorama da Educação 2026. Na média dos países da organização, são 38,7%.

O relatório, em inglês Education at a Glance, saiu em 29 de setembro e compara os sistemas de educação dos países da OCDE e de parceiros como o Brasil. Cada país ganha uma nota própria, com os números mais recentes disponíveis.

O tema deste ano é a falta de professores. A OCDE lembra que faltam trabalhadores qualificados em vários setores, e que a sala de aula não escapou.

Quantos professores estão satisfeitos com o salário?

Os números vêm da Talis 2024, a pesquisa internacional da OCDE sobre ensino e aprendizagem. Ela ouve professores dos anos finais do ensino fundamental, do 6º ao 9º ano no Brasil.

No Brasil, 22,3% estão satisfeitos com o salário. Na média da OCDE, são 38,7%, que a própria organização chama de percentual "muito mais baixo" que o de satisfação com o resto do emprego.

O resto do emprego, aqui, são as condições de trabalho sem contar o salário. Nesse ponto a diferença também aparece: 44,3% dos professores no Brasil estão satisfeitos com as condições de trabalho, sem contar o salário, contra 68,4% na média da OCDE.

Gráfico: no Brasil, 22,3% dos professores estão satisfeitos com o salário (OCDE 38,7%), 44,3% com as condições de trabalho sem contar o salário (OCDE 68,4%), 11,5% vieram de outra carreira (OCDE 8,4%) e 10,3% deixaram a profissão no ano (OCDE 6,4%)
Professores no Brasil e na média da OCDE, segundo o Panorama da Educação 2026. Arte: Watts & Wild.

Quantos professores deixam a profissão?

Em 2022, 10,3% dos professores plenamente qualificados do fundamental e do médio no Brasil deixaram a profissão, por aposentadoria ou pedido de saída. A média da OCDE é 6,4%, com dados de 2024/25.

O relatório faz uma ressalva sobre esse número. Uma saída alta pode indicar insatisfação, mas também depende da idade dos professores, do mercado de trabalho e da cultura de cada país.

Professor sem qualificação completa: quantos são

No Brasil, 9% dos professores do fundamental e do médio das escolas públicas não tinham qualificação completa em 2024/25. A média da OCDE é 9,1%, praticamente igual.

Pela definição da OCDE, é quem ainda não cumpre todas as exigências da lei do país para ser professor. Pode ter o diploma e não ter a formação pedagógica, ter a formação e não ter o diploma exigido, ou não ter nenhum dos dois.

Segundo o relatório, contratar gente nessa situação é uma das formas como a falta de docentes aparece. Em outros países, ela aparece como vaga que fica sem ninguém.

Quem vem de outra carreira

Chamar quem já trabalhou em outra área é uma saída comum contra a falta de docentes, diz a OCDE. No Brasil, 11,5% de quem dá aula nos anos finais do fundamental vieram de outra carreira, acima dos 8,4% da média.

Segundo o relatório, a estratégia também ajuda a variar o perfil de quem ensina, com gente que traz a experiência de outro trabalho para a escola.

Professora apresenta aula de química com projetor na lousa verde para alunos do ensino médio sentados em carteiras, com ventilador na parede
Aula de química no ensino médio, em 2023. Foto: DECFC2023, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons.

Mais professores, menos alunos

Entre 2015 e 2024, o número de docentes dos anos iniciais do fundamental no Brasil cresceu 4%, enquanto o de alunos caiu 7%. Na média da OCDE, os docentes aumentaram 13% e os alunos, 2%.

A projeção do relatório é que o número de crianças de 5 a 14 anos no Brasil caia 3% entre 2024 e 2033. A OCDE avisa que isso, sozinho, não diz de quantos docentes o país vai precisar: pesam também o tamanho das turmas, quem sai da profissão e o dinheiro disponível.

Quanto o Brasil gasta por aluno?

O gasto público do Brasil com educação, do fundamental à universidade, foi de 4,5% do PIB em 2023, acima dos 4% da média da OCDE. Mas, segundo o relatório, a diferença de renda entre os países faz o valor por aluno variar muito mais que a fatia do PIB.

O gasto público por aluno, do fundamental à universidade, foi de US$ 4.133 no Brasil em 2023, contra US$ 13.601 na média da OCDE. Os valores estão em dólares ajustados pelo poder de compra de cada país.

No Brasil, 75% do gasto corrente das escolas dos anos iniciais vai para pagar quem trabalha nelas. Na média da OCDE, são 79%.

Gráfico: gasto público por aluno por ano em 2023, do fundamental à universidade: US$ 4.133 no Brasil e US$ 13.601 na média da OCDE
Gasto por aluno em dólares ajustados pelo poder de compra, em 2023. Arte: Watts & Wild com dados da OCDE.

800 horas de aula por ano

Quem dá aula no Brasil tem, no mínimo, 800 horas de aula por ano, tanto nos anos iniciais quanto nos finais do fundamental. Na média da OCDE, são 770 horas nos anos iniciais e 710 nos finais.

O Brasil é um dos poucos países em que o professor dos anos iniciais não dá mais horas de aula que o colega dos anos finais. E essas horas são só as de aula, sem contar preparar aula e corrigir prova.

Quem está na sala de aula

Nos anos iniciais do fundamental, as mulheres eram 89% dos docentes no Brasil em 2024 e 82% de quem dirige as escolas. A diferença de 7 pontos é menor que a da média da OCDE, de 15 pontos.

Na educação infantil, a fatia de mulheres entre os docentes no Brasil é a mesma da média da OCDE: 96%.

O que os números não dizem

Satisfação com o salário é o que o professor responde na pesquisa, não o valor que ele recebe. A nota do Brasil também não separa os números por estado nem por rede, municipal ou estadual.

E os anos nem sempre batem. A saída da profissão no Brasil é de 2022, e a média da OCDE é de 2024/25, o que a própria nota do país registra.

Ciência e universidades brasileiras aparecem em outras matérias do site. Veja a posição da USP no ranking mundial de universidades, o curso de edição de genes do Butantan e o alerta de Carlos Nobre sobre o desmatamento da Amazônia.

Perguntas rápidas

Quantos professores no Brasil estão satisfeitos com o salário?

Segundo a pesquisa Talis 2024, citada pela OCDE no Panorama da Educação 2026, 22,3% dos professores dos anos finais do ensino fundamental no Brasil estão satisfeitos com o salário. Na média dos países da OCDE, são 38,7%.

O que é professor sem qualificação completa?

É quem ainda não cumpre todas as exigências da lei do país para ser professor: tem o diploma mas falta a formação pedagógica, tem a formação mas falta o diploma exigido, ou falta os dois. No Brasil, eram 9% dos professores das escolas públicas em 2024/25.

Quantos professores deixam a profissão no Brasil?

Em 2022, 10,3% dos professores plenamente qualificados do fundamental e do médio saíram da profissão no Brasil, por aposentadoria ou pedido de saída. A média da OCDE, com dados de 2024/25, é 6,4%.

Quanto o Brasil gasta por aluno?

Em 2023, o gasto público por aluno, do fundamental à universidade, foi de US$ 4.133 no Brasil, em dólares ajustados pelo poder de compra. A média da OCDE foi de US$ 13.601.

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