Pegadas de 110 milhões de anos confirmam dinossauros em Roraima
Rochas avermelhadas da Bacia do Tacutu, no extremo norte de Roraima, guardam trilhas deixadas por animais que passaram por ali há cerca de 110 milhões de anos. Um estudo publicado na revista Cretaceous Research descreve as marcas como a primeira evidência de dinossauros no Norte do Brasil.
Pegadas de dinossauros em leito rochoso do Vale dos Dinossauros, em Sousa (PB), em setembro de 2016. Foto de arquivo de outro sítio, não de Roraima. Foto: Diagoh, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0, recortada.
Pegadas de 110 milhões de anos encontradas na Bacia do Tacutu, em Roraima, são a primeira evidência de dinossauros no Norte do Brasil. O artigo saiu na Cretaceous Research, volume 183, com autores da Universidade Federal de Roraima e da Universidade Federal do Pampa.
O que o título do artigo já entrega
O trabalho se chama Tracking dinosaurs in the Tacutu Basin, algo como seguindo dinossauros na Bacia do Tacutu. O subtítulo fala em primeira evidência icnológica de dinossauros no Cretáceo Inferior do Norte do Brasil.
Icnologia é o ramo da paleontologia que estuda rastros, e não ossos. Aqui, o que sobrou dos animais foi o caminho que eles fizeram na lama, que virou rocha.
Dez pontos de rocha avermelhada
Segundo o Brasil 247, que noticiou o estudo em 8 de outubro, as expedições acharam marcas preservadas em pelo menos dez pontos. As camadas fazem parte da Formação Serra do Tucano, dentro da Bacia do Tacutu, onde a erosão deixou as trilhas expostas.
Carnívoros de duas pernas e herbívoros de patas largas
A reportagem descreve dois tipos de marca. Pegadas com três dedos e garras pontiagudas apontam para terópodes, dinossauros carnívoros que andavam sobre duas pernas.
Impressões de pontas mais arredondadas e largas indicam ornitópodes, herbívoros. Predador e presa deixaram rastro no mesmo lugar, mas a reportagem não diz se as trilhas são do mesmo dia ou de milhares de anos de diferença.
Como as pegadas de 110 milhões de anos sobreviveram
Segundo a reportagem, a margem de rios e lagos acumulava argila e areia úmida. O peso do bicho deformava o chão, que secava rápido e era coberto por novas camadas antes de a chuva ou o vento apagarem a marca.
Com o tempo, a pressão e os minerais transformaram o sedimento em rocha. As lajes rachadas da foto acima, no Nordeste, mostram como a lama seca fica marcada em polígonos.
Uma Amazônia de rios temporários
Para a reportagem, o conjunto das marcas reconstitui um ambiente de planícies fluviais e rios temporários, com vegetação suficiente para sustentar herbívoros. A imagem da floresta contínua que existe hoje não vale para o Cretáceo Inferior, segundo o texto.
A reportagem fala em Amazônia. O título do artigo fala em Norte do Brasil. A Bacia do Tacutu fica no extremo norte de Roraima, e o artigo é o que define o recorte.
Roraima entra num mapa que já tinha o Nordeste
Pegadas de dinossauros do Cretáceo Inferior já eram conhecidas no Nordeste. Pesquisadores como Ismar de Souza Carvalho descreveram trilhas na Bacia de Sousa, na Paraíba e na Bacia do Rio do Peixe, no mesmo período geológico.
A diferença é o endereço. A Bacia do Tacutu fica no extremo norte do país, bem longe das bacias nordestinas. Para a reportagem, ela vira área de prospecção para novas equipes de campo.
O que está confirmado e de onde vem cada dado
| Informação | De onde vem | Situação |
|---|---|---|
| Primeira evidência de dinossauros no Cretáceo Inferior do Norte do Brasil | Título do artigo na Cretaceous Research, volume 183 | Registrado na revista |
| Autores ligados à UFRR e à Universidade Federal do Pampa | Registro do artigo no OpenAlex | Conferido no registro |
| Idade de cerca de 110 milhões de anos | Reportagem do Brasil 247, 8 de outubro de 2026 | Atribuído ao estudo pela reportagem |
| Pelo menos dez pontos com marcas, na Formação Serra do Tucano | Reportagem do Brasil 247 | Atribuído ao estudo pela reportagem |
| Terópodes carnívoros e ornitópodes herbívoros | Reportagem do Brasil 247 | Atribuído ao estudo pela reportagem |
Arte: Watts & Wild, com dados do registro Crossref e da reportagem do Brasil 247 de 8 de outubro de 2026.
O que ainda falta para fechar a história
O texto completo do artigo fica na página da revista, na ScienceDirect, que bloqueou a leitura automática. Medidas das pegadas, número de trilhas, velocidades dos animais e espécies possíveis estão lá, e não aparecem aqui.
As informações de idade, número de pontos e tipos de dinossauro vêm da reportagem do Brasil 247, e não de leitura direta do estudo. Uma pegada prova que o animal passou, mas não diz quanto tempo ficou nem quantos eram.
Para entender como se calcula velocidade a partir de rastros, vale ver o caso das pegadas na França. Outros achados fósseis recentes estão em um dente-de-sabre argentino e em um fóssil de 309 milhões de anos.
Fontes: Cretaceous Research, volume 183, DOI 10.1016/j.cretres.2026.106335. Registro Crossref do artigo. Registro OpenAlex, com os autores e instituições. Brasil 247, 8 de outubro de 2026. Carvalho et al., Cretaceous Research, 2013. Carvalho e Leonardi, Cretaceous Research, 2023.



