Animais

Fóssil argentino revela novo dente-de-sabre parente dos marsupiais

Paleontólogos argentinos descreveram uma nova espécie de predador dente-de-sabre, o Pampaluctor calibar, a partir de ossos achados em 2014 num barranco da costa da província de Buenos Aires. O bicho não era felino, e sim parente dos marsupiais, e viveu mais tarde do que se supunha para o grupo.

Crânio de Thylacosmilus, predador dente-de-sabre aparentado dos marsupiais, com o canino longo e curvo e a mandíbula com aba óssea, em exposição de museu

Crânio de Thylacosmilus, parente do animal descrito agora, no Museu Americano de História Natural (EUA), em julho de 2023. Os ossos do Pampaluctor não incluem crânio. Foto: Ryan Schwark, Wikimedia Commons, domínio público (CC0), recortada.

O Pampaluctor calibar é um predador dente-de-sabre da América do Sul que não era felino: pertencia à linhagem dos tilacosmilídeos, aparentada dos marsupiais. A descrição saiu na revista Alcheringa, em 22 de setembro de 2026, e tem Eric del Campo, do Museu Argentino de Ciências Naturais, em Buenos Aires, como primeiro autor.

O que foi encontrado, e onde

Em 2014, integrantes de um museu local acharam fragmentos de um fóssil num barranco à beira-mar, nos pampas argentinos. Eles datam do fim do Plioceno ou do começo do Pleistoceno, segundo a reportagem da Phys.org de 5 de outubro de 2026.

Os ossos eram de um carnívoro grande, mas o único grupo em que encaixavam, o dos parentes dos marsupiais com dentes em forma de sabre, já teria desaparecido antes. A identidade do fóssil ficou em aberto até a equipe de Del Campo estudá-lo.

Um dente-de-sabre que não é gato

O artigo, assinado também por Federico Agnolín, Nicolás Chimento, Daniel Boh, Mariano Magnussen e Francisco De Cianni, tem 32 páginas e descreve um novo tilacosmilídeo (família Thylacosmilidae, grupo Metatheria), segundo os metadados registrados no Crossref.

O gênero mais conhecido da família é o Thylacosmilus. Ele parece um felino de dentes de sabre, como o Smilodon, mas é um esparassodonte, ordem de carnívoros aparentada dos marsupiais atuais. A semelhança vem de evolução convergente: bichos sem parentesco chegaram a formas parecidas.

Silhueta preta do Thylacosmilus atrox com o esqueleto em branco, em vista lateral, com escala de 10 centímetros, cabeça baixa e caninos longos
Reconstrução do esqueleto de Thylacosmilus atrox, o parente mais conhecido do Pampaluctor, com escala de 10 cm. Ilustração: Ivan Iofrida, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0.

Por que o achado muda a data de validade do grupo

Segundo a Phys.org, o estudo indica que o Pampaluctor está entre os esparassodontes mais jovens já encontrados. O Thylacosmilus viveu da parte final do Mioceno até o fim do Plioceno, e o novo animal vem depois.

A ideia clássica é que os animais nativos da América do Sul, carnívoros e herbívoros, perderam espaço para os "modernos" do norte quando as duas Américas se ligaram. Del Campo diz que o Pampaluctor mostra que os nativos duraram mais e conviveram com os primeiros recém-chegados do norte.

Quem dividia a paisagem com ele

De acordo com Del Campo, o Pampaluctor foi provavelmente o predador de topo do seu tempo. O único outro carnívoro relativamente grande conhecido dali é um parente dos guaxinins de 25 kg, que comia carniça. Doninhas e raposas vindas do norte também já estavam por lá.

A Phys.org lembra que ele não é caso isolado: espécies como as aves-do-terror, enormes e sem voo, também surgem em registros bem mais recentes do que se achava. Para Del Campo, a história desses grupos "está longe de resolvida".

O que o dente-de-sabre do estudo ainda não conta

A Phys.org diz que os ossos "podem pertencer" a uma espécie nova, e a cautela vem do próprio estudo. Os metadados da revista e a reportagem foram lidos por inteiro, mas o texto completo do artigo fica atrás de uma verificação automática de acesso, que não foi contornada.

Por isso não há aqui medidas dos ossos, peso estimado nem a idade exata em anos: esses números ficam com o artigo. Quem quiser conferir a descrição completa pode abrir o DOI do artigo na Alcheringa.

O que isso diz sobre a megafauna sul-americana

O debate sobre quando e por que a megafauna da América do Sul sumiu continua aberto, e a matéria sobre por que a África ainda tem elefantes e o Brasil não mostra outro lado dele. Para outro predador de feição marcante, veja o espinossauro do Saara.

Uma espécie nova baseada em fragmentos

O material de 2014 são fragmentos, e a atribuição a uma espécie nova é uma interpretação dos autores, ainda sujeita à avaliação de outros especialistas. O artigo é de 22 de setembro de 2026 e é recente demais para ter sido testado por outros pesquisadores.

Fontes: Del Campo et al., Alcheringa, 2026, DOI 10.1080/03115518.2026.2727509. Crossref, registro do artigo. Phys.org, 5 de outubro de 2026. Wikipedia, Thylacosmilus. Wikipedia, Sparassodonta.

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