Ciência

Nebulosa de Carina pode ser vista do Brasil nas noites de outubro

Quem acorda cedo no sábado (10) e olha para o sul pode achar uma mancha pálida entre as estrelas. É a Nebulosa de Carina, berçário de estrelas gigantes a cerca de 7.500 anos-luz. A Lua nova deixa o céu escuro, mas ela só sobe de madrugada e fica baixa.

Nuvens de gás e poeira laranja, azul-claro e verde da Nebulosa de Carina em imagem do telescópio Hubble, com estrelas pequenas espalhadas

Imagem do telescópio Hubble (NASA, ESA, N. Smith e Hubble Heritage Team) da Nebulosa de Carina, de arquivo. Não é a imagem citada na reportagem do Portal de Camaquã. Wikimedia Commons, domínio público, recortada.

A Nebulosa de Carina pode ser vista do Brasil nas madrugadas de outubro, baixa no céu do sul, com céu escuro e sem nuvens. A Semana Mundial do Espaço levou o tema ao Portal de Camaquã em 8 de outubro, sem dar hora nem altura. A conta está abaixo.

Onde achar a Nebulosa de Carina no céu

Ela fica na constelação de Carina, no extremo sul do céu: declinação de −59°52′. Vista do Brasil, a nebulosa surge no sul-sudeste, sobe até ficar bem ao sul e some quando o dia clareia.

O catálogo NGC dá a ela cerca de 2° de largura, quatro vezes o diâmetro da Lua cheia, segundo a ficha da Wikipédia. A distância, pela ESA/Hubble, é de uns 7.500 anos-luz. As estimativas variam: o Webb cita 7.600 para a região vizinha, e há trabalhos com 8.500.

A que horas ela nasce e que altura alcança

Em outubro, a nebulosa passa a noite abaixo do horizonte no Norte e no Nordeste e só nasce de madrugada. No Sul, ela nasce por volta das 22h20. A conta da redação para a madrugada de sábado (10) está na tabela.

CidadeNasce, por volta deCéu começa a clarearAltura nesse momento
Porto Alegre22h204h3030°
São Paulo0h204h2026°
Rio de Janeiro0h204h1025°
Brasília1h454h3520°
Salvador1h304h0018°
Recife1h553h5014°
Fortaleza2h354h0511°
Belém3h354h459°

Arte: Watts & Wild, com cálculo próprio para a madrugada de 10 de outubro de 2026, horário de Brasília. "Céu começa a clarear" é o início do crepúsculo astronômico, com o Sol 18° abaixo do horizonte. Margem de poucos minutos.

Ela nasce cerca de 4 minutos mais cedo a cada dia, e o fim do mês dá mais tempo de céu escuro.

Um punho fechado com o braço esticado cobre uns 10° do céu. Em São Paulo, a nebulosa fica a dois punhos e meio do horizonte quando o céu clareia. Em Belém, a menos de um.

A Lua nova ajuda, mas só por alguns dias

A Lua nova de sábado (10) acontece às 12h50 de Brasília, segundo o guia de outubro da NASA. Nesses dias a Lua não atrapalha a madrugada.

Depois ela cresce, e o brilho dela apaga primeiro as manchas fracas do céu, como esta. O guia do céu de outubro mostra quando a Lua volta a incomodar.

O que dá para ver a olho nu, de binóculo e na foto

Via Láctea austral com o Cruzeiro do Sul no centro e a Nebulosa de Carina, mancha avermelhada, à direita
A Nebulosa de Carina, em vermelho à direita, ao lado do Cruzeiro do Sul, no centro. O ponto amarelado à esquerda é Alfa do Centauro. Foto: A. Fujii, ESO (eso1629), Wikimedia Commons, licença CC BY 4.0, recortada.

A olho nu, em lugar longe da cidade, ela aparece como mancha difusa e esbranquiçada dentro da Via Láctea, segundo o Portal de Camaquã. Cores, nem pensar: o olho não acumula luz como a câmera. O binóculo ajuda a separar a mancha do fundo de estrelas.

Nas fotos de longa exposição, como a de cima, ela vira um borrão vermelho. Quem não tem um céu assim por perto pode começar pelo parque de céu escuro de Desengano, no Rio de Janeiro.

O que a imagem espacial mostra que o olho não vê

Paredões de gás e poeira alaranjados sob um céu azul cheio de estrelas, a borda da região NGC 3324 na Nebulosa de Carina vista pelo Webb
Os "Penhascos Cósmicos", na borda da região NGC 3324, na Nebulosa de Carina, vistos em infravermelho pelo Webb. Nenhum olho humano vê isso. Foto: NASA, ESA, CSA e STScI, Wikimedia Commons, domínio público, recortada.

Os Penhascos Cósmicos, na borda da região NGC 3324, estão entre as primeiras imagens científicas do Webb, de julho de 2022. Segundo a NASA, os picos mais altos da imagem têm cerca de 7 anos-luz de altura, e a região fica a uns 7.600 anos-luz.

O texto do Portal de Camaquã fala de uma imagem recente feita por um dos mais avançados telescópios espaciais já construídos, sem dar o nome do instrumento. Para ver como o Webb pega estrelas em formação, leia a matéria sobre o NGC 7129.

Eta Carinae, a estrela que brilhou demais em 1843

Dentro da nebulosa mora a Eta Carinae. Por volta de 1843, o sistema teve uma erupção que o deixou excepcionalmente brilhante no céu, segundo o Portal de Camaquã. O gás lançado na época ainda é estudado pelos astrônomos.

O que a redação não conseguiu confirmar

Os horários e as alturas da tabela são conta própria, com as coordenadas do catálogo e margem de poucos minutos. Confira no Stellarium ou no Anuário do Observatório Nacional antes de sair. Nuvem, umidade, poluição luminosa e prédios no horizonte sul podem esconder tudo.

A reportagem do Portal de Camaquã usa foto ilustrativa do Pixabay e não identifica o telescópio da imagem, então a capa aqui é de arquivo. Em Belém, a 9° do horizonte, a nebulosa fica rente à linha do horizonte, onde a atmosfera e as luzes da cidade pesam mais.

Fontes: ESA/Hubble, imagem heic0707a. Webb, comunicado de julho de 2022. Portal de Camaquã, 8 de outubro de 2026. Carina Nebula, Wikipédia, com dados do catálogo NGC. NASA, guia de outubro de 2026. ESO, eso1629.

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