Webb revela "caldeirão" de estrelas nascendo a 3.300 anos-luz: a imagem da nebulosa NGC 7129
O telescópio espacial James Webb, da NASA, divulgou em 6 de outubro uma nova imagem da NGC 7129, um berçário de estrelas a cerca de 3.300 anos-luz da Terra. A poeira escondia muitas dessas estrelas. O infravermelho do Webb atravessa a nuvem e mostra jatos de protoestrelas.
A NGC 7129 em imagem do Webb: a cavidade dourada à esquerda, a nuvem vermelha de protoestrelas à direita. Imagem: NASA, ESA, CSA, STScI; processamento: Alyssa Pagan (STScI), NASA Science, recortada.
O Webb revelou muitas estrelas e protoestrelas que a poeira escondia na NGC 7129, um berçário de estrelas a cerca de 3.300 anos-luz. A NASA divulgou a imagem em texto de 6 de outubro e a descreve como um caldeirão de criação cósmica.
A conta é nossa: 3.300 anos-luz são cerca de 31 quatrilhões de quilômetros, porque cada ano-luz tem uns 9,46 trilhões.
O que mostra a imagem da NGC 7129
As estrelas nascem em nuvens moleculares, regiões frias e densas de poeira e gás. Segundo a NASA, esses casulos de poeira tornam as estrelas jovens impossíveis de ver para muitos telescópios, em especial os que não captam infravermelho.
O Webb tem alta sensibilidade ao infravermelho, e isso permite enxergar através da poeira e estudar o começo da vida de uma estrela. Na NGC 7129, as estrelas estão em fases diferentes: as mais massivas se formam e evoluem mais depressa.
A estrela central e a cavidade dourada
A mais massiva e mais madura é a estrela luminosa no centro, a LkHα 234. Ela tem de 5 a 8 vezes a massa do Sol e é uma estrela de pré-sequência principal, e é dela o padrão de difração mais marcante da imagem.
Estrelas desse tipo já juntaram quase toda a massa e agora se contraem sob a gravidade, o que aumenta a temperatura. Com o tempo, ela vai fundir hidrogênio, como o Sol faz hoje.
À esquerda da estrela fica uma cavidade dourada de cerca de 3,5 anos-luz, a maior marca do efeito da estrela central. São uns 33 trilhões de quilômetros, pela nossa conta. Jatos de uma fase anterior da estrela escavaram a nuvem densa de hidrogênio, e a luz dela e esses jatos esquentam o gás e o fazem brilhar.
Boa parte desse hidrogênio é soprada para longe, mas uma quantidade grande é comprimida. Isso cria as condições para nascerem ainda mais estrelas, algumas já visíveis dentro da cavidade, com ventos estelares e arcos de choque ao redor.
O que são os jatos de protoestrelas, em vermelho
À direita da estrela central, a mancha vermelha esconde objetos bem mais jovens: protoestrelas. Essa fase vem antes da pré-sequência principal e começa depois que as nuvens de gás e poeira se comprimem e se fragmentam.
Conforme acumulam matéria e ganham massa, as protoestrelas ejetam jatos de material superaquecido. Os jatos batem na matéria densa, cinza e translúcida que as envolve e criam choques, e é isso que dá a textura e o brilho vermelho.
Vários jatos de várias estrelas se sobrepõem do nosso ponto de vista, e daí vem o aspecto caótico da cena.
Como ler as cores da nebulosa NGC 7129
| Cor na imagem | O que a NASA diz que é | Onde aparece |
|---|---|---|
| Dourado | Hidrogênio atômico quente | Cavidade à esquerda da estrela central |
| Vermelho | Hidrogênio molecular mais frio, em choque com os jatos de protoestrelas | Região à direita da estrela central e filamentos no alto, à esquerda |
| Azul | Nebulosa com uma protoestrela no centro, cercada por um disco em forma de rosca | Canto superior esquerdo |
Arte: Watts & Wild, com dados do texto da NASA de 6 de outubro de 2026. A NASA descreve o dourado e o vermelho como a forma de representar cada gás na imagem.
As cores são uma representação: o Webb enxerga no infravermelho, que o olho humano não vê, e a imagem usa cores visíveis para representar cada gás.
A sombra em forma de rosca no canto azul
No alto, à esquerda, há outra mancha de jatos perto de uma nebulosa azul. No centro dela mora uma protoestrela cercada por um disco de material em forma de rosca, que projeta uma sombra sobre a nebulosa ao redor.
A NASA compara a estrutura à chamada Sombra de Morcego, já observada pelo telescópio espacial Hubble. A alta resolução do Webb mostra muita estrutura nos gases da região, e os astrônomos vão usar esses dados para estudar como as estrelas e protoestrelas influenciam o gás e a poeira em volta.
O que o Spitzer já tinha visto
A região não é nova para os astrônomos. O telescópio espacial Spitzer, da NASA e hoje aposentado, também observou o gás e a poeira da NGC 7129. A NASA diz que a resolução melhor do Webb mostra filamentos de gás e poeira mais detalhados, além de muitas galáxias ao fundo.
Outras imagens recentes do Webb aqui no site: os 21 discos de detritos em estrelas jovens e a casa de espelhos de galáxias que a teoria de Einstein ajudou a explicar.
O que a imagem da NGC 7129 ainda não responde
O texto da NASA descreve a imagem e a física dos jatos, mas não traz medidas de idade ou de massa das protoestrelas da região vermelha. A única massa citada é a da estrela central, de 5 a 8 vezes a do Sol.
As cores também não são o que um astronauta veria a olho nu. O próximo passo, segundo a NASA, é o trabalho dos astrônomos sobre os dados do Webb, e o texto original e as versões da imagem em alta resolução estão na página da agência.
Fontes: NASA Science, NASA’s Webb Captures Commotion From Nebula’s Stellar Jets, 6 de outubro de 2026. NASA Science, página do Webb.



