Ciência e tecnologia

Parque de céu escuro: Desengano (RJ) foi o 1º da América Latina

O Parque Estadual do Desengano, no Norte Fluminense, recebeu em dezembro de 2021 o selo de Dark Sky Park. Foi o primeiro da América Latina. O título vale para quem quer ver a Via Láctea a olho nu, e as Orionídeas de outubro dão um motivo a mais para ir.

Céu estrelado sobre a silhueta de montanhas do Parque Estadual do Desengano, no Rio de Janeiro, um parque de céu escuro

Céu noturno sobre o Parque Estadual do Desengano, em Santa Maria Madalena (RJ), em outubro de 2015. A luz alaranjada no horizonte vem de longe, fora do parque. Foto: Tiagorck, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0, recortada.

O Parque Estadual do Desengano, no Rio de Janeiro, foi o primeiro parque de céu escuro da América Latina. O título de International Dark Sky Park veio da então International Dark-Sky Association, hoje DarkSky International, e foi anunciado em 21 de dezembro de 2021, segundo o comunicado dela.

O parque fica entre Santa Maria Madalena, São Fidélis e Campos dos Goytacazes e é administrado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Foi também a primeira certificação do tipo no Brasil, nas palavras de Ashley Wilson, diretora de conservação da entidade.

O que é um parque de céu escuro

É uma área protegida cujo céu à noite tem qualidade excepcional para observar estrelas e onde há compromisso de proteger o ambiente noturno. A certificação não olha só para o escuro. Olha também para o que o parque faz para mantê-lo.

No Desengano, o processo levou pouco mais de um ano. A entidade avaliou primeiro as medições técnicas do céu e depois os compromissos assumidos: reduzir a poluição luminosa no parque e no entorno e organizar a visita noturna, que já existia.

As medidas que o parque tomou para manter o escuro

Pedra de granito iluminada pelo sol baixo sobre a mata fechada do Parque Estadual do Desengano, no Rio de Janeiro
Serra coberta de Mata Atlântica no Parque Estadual do Desengano (RJ), em 2014. Foto: Sérgio Costa, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 2.0, recortada.

Vales, morros e vegetação isolam o céu do Desengano da luz de fora, segundo a DarkSky. A média das leituras de brilho do céu é de 21,75 magnitudes por segundo de arco ao quadrado. Nessa faixa, a Via Láctea aparece com clareza, cheia de cor e de contraste.

O parque também mexeu na própria casa. Trocou as 78 luminárias da sede por peças blindadas, com lâmpadas âmbar de 2300 K, e tirou 3 que não eram necessárias. Usou coberturas de material reciclado e mede a poluição luminosa com aparelhos SQM-L.

O que o parque fezComo a DarkSky descreveO que muda para quem visita
Trocou a iluminação da sede78 luminárias trocadas por modelos blindados com lâmpadas âmbar de 2300 K; 3 luminárias dispensáveis foram retiradasA luz da sede não ofusca a vista nem apaga estrelas
Mediu o brilho do céuMédia de 21,75 magnitudes por segundo de arco ao quadrado, com a Via Láctea bem visívelDá para ver a Via Láctea a olho nu, sem telescópio
Organizou a visita noturnaEntrada liberada 24 horas; depois das 17h, o visitante assina um termo de responsabilidade na sedePlaneje a volta no escuro e chegue com a lanterna carregada
Escolheu um setor para observarMorumbeca dos Marreiros, o único com acesso por veículo motorizado e a melhor estruturaÉ o ponto de partida natural para a primeira noite

Arte: Watts & Wild, com dados da página do Desengano e do comunicado de 21 de dezembro de 2021 da DarkSky International.

Como visitar o parque de céu escuro à noite

A entrada é permitida 24 horas por dia. Quem chega depois das 17h assina um termo de responsabilidade no Centro de Visitantes. A própria DarkSky indica o setor Morumbeca dos Marreiros como o melhor ponto para observar, por ser o único acessível de carro e o mais bem estruturado.

O Inea mantém um Programa Astronômico com atividades de observação e caminhada sob o céu escuro. Um clube de astronomia parceiro, o Louis Cruls, faz um planetário ao ar livre em anfiteatro, com luz verde e legendas para identificar planetas e constelações.

As Orionídeas de 21 para 22 de outubro no Desengano

A chuva de meteoros do cometa Halley fica ativa de 2 de outubro a 7 de novembro, com pico na noite de 21 para 22, segundo o Diário do Litoral. Em boas condições, chega a cerca de 20 meteoros por hora. O calendário completo está em outra matéria.

O problema é a Lua, bem iluminada no pico. Na tabela de pôr da Lua nas capitais, ela se põe no Rio às 2h43 e o céu clareia às 3h56: uma janela escura de 1h13. No parque, o horário não foi calculado.

Um céu escuro ajuda a ver riscos fracos que somem sobre uma cidade, mas não afasta a Lua. Para os outros alvos do mês, há o guia do céu de outubro.

O que a fonte de 2021 não garante para outubro

A DarkSky diz que, entre maio e agosto, o céu fica livre de nuvens. Outubro está fora dessa janela, então a vista não tem essa promessa. A taxa de 20 meteoros por hora também é um máximo teórico, não uma previsão para o parque.

Os documentos da entidade são de dezembro de 2021, e a página do parque não traz atualização de 2026. Antes de ir, confirme com o Inea o acesso, o horário e a abertura do Programa Astronômico na data escolhida.

Fontes: DarkSky International, comunicado de 21 de dezembro de 2021. DarkSky International, página do Desengano State Park. Diário do Litoral, 6 de outubro de 2026.

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