Ciência e tecnologia

ESA deixou de ir a conferências climáticas junto com parceiros americanos, mas mantém cooperação técnica, afirma diretora Simonetta Cheli à Live Science

A Agência Espacial Europeia (ESA) deixou de participar de conferências climáticas junto com parceiros americanos, embora a colaboração entre as equipes técnicas continue. A declaração é de Simonetta Cheli, diretora dos programas de observação da Terra da agência, em entrevista à Live Science publicada nesta terça-feira, 20 de outubro.

Imagem de divulgação: ESA deixou de ir a conferências climáticas junto com parceiros americanos, mas mantém cooperação técnica, afirma diretora Simonetta Cheli à Live Science

Imagem: Divulgação/Live Science. Origem: livescience.com.

O que aconteceu: Cheli descreveu um distanciamento na participação conjunta em encontros sobre clima, mas afirmou que a relação de trabalho com os americanos permanece preservada. A entrevista não anuncia o encerramento de uma missão compartilhada.

Por que importa: essa cooperação sustenta projetos de longa duração. Um exemplo é o Sentinel-6 Michael Freilich, lançado em 21 de novembro de 2020 com participação europeia e americana para medir o nível dos oceanos. A missão dá continuidade a uma série de observações iniciada em 1992, segundo registros oficiais da ESA e da NASA.

O que muda para você: não há anúncio de interrupção imediata de serviços ou dados ambientais usados pela população. A relevância está na continuidade das informações que apoiam pesquisas climáticas, planejamento costeiro e decisões de proteção civil — atividades que dependem de medições consistentes ao longo do tempo.

Cooperação técnica continua em um ambiente mais delicado

Cheli foi questionada sobre o espaço que a Europa poderia ocupar diante de cortes no financiamento da NASA mencionados pela reportagem. Sua resposta destacou a capacidade já construída pela ESA, sem apresentar um plano para substituir a agência americana.

Segundo a diretora, a Europa já tinha uma posição de destaque no acompanhamento de emissões antes das mudanças no cenário político. Ela avaliou que os satélites e sistemas europeus oferecem uma oportunidade de ampliar essa atuação.

Ao tratar dos Estados Unidos, Cheli separou a colaboração cotidiana entre especialistas da relação institucional mais ampla. A primeira, afirmou, continua funcionando bem; a segunda se tornou mais delicada.

A entrevista não identifica quais conferências deixaram de ter participação conjunta, quando essa mudança começou ou quais parceiros americanos estavam envolvidos em cada encontro. Portanto, a declaração não permite concluir que os Estados Unidos tenham abandonado todas as conferências climáticas ou rompido a cooperação espacial com a Europa.

ESA deixou de ir a conferências climáticas junto com parceiros americanos, mas mantém cooperação técnica, afirma diretora Simonetta Cheli à Live Science
Divulgação/Live Science. [Fonte original](https://www.livescience.com/planet-earth/we-used-to-go-to-the-climate-conferences-together-we-are-not-anymore-esa-official-simonetta-cheli-tells-us-how-the-political-landscape-for-earth-observation-is-changing)
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Imagem: Divulgação/Live Science. Origem: livescience.com.

Quadro de serviço: o que se sabe e o que falta esclarecer

Sentinel-6 mostra por que a continuidade das medições importa

A parceria em torno do Sentinel-6 ajuda a dimensionar o que está em jogo. O projeto reúne ESA, NASA, EUMETSAT e NOAA, além de apoio europeu e francês.

Seu trabalho integra uma sequência de medições da altura da superfície dos oceanos iniciada pelo satélite franco-americano TOPEX/Poseidon, em 1992, e continuada pelas missões Jason.

Esse histórico permite comparar mudanças ao longo de décadas. Uma imagem isolada mostra uma situação em determinado momento; uma série de medições permite acompanhar sua evolução.

Por isso, a questão central para a pesquisa não se resume à presença de representantes em um evento. Também envolve a manutenção de instrumentos, a compatibilidade dos dados e a preservação dos registros produzidos por missões anteriores.

O exemplo não comprova que projetos estejam ameaçados pela mudança relatada por Cheli. Ele mostra a importância prática de preservar a colaboração que, segundo ela, continua no nível técnico.

Observação da Terra depende de informações de diferentes países

Na entrevista, Cheli citou desmatamento, qualidade do ar, transformação dos oceanos e derretimento do gelo entre os fenômenos acompanhados do espaço.

A diretora defendeu que esses temas exigem compartilhamento internacional de dados. Alterações ambientais em uma região podem produzir efeitos além de suas fronteiras, o que limita o alcance de iniciativas conduzidas de forma isolada.

Ela também destacou a preservação de arquivos de missões já encerradas e o uso de computadores de alto desempenho para processar conjuntos cada vez maiores de informações.

Esse trabalho conecta observações antigas e novas. Para avaliar possíveis consequências do distanciamento relatado, os próximos sinais concretos serão eventuais alterações anunciadas nos projetos conjuntos, no acesso aos dados ou nos compromissos de financiamento. A entrevista, por enquanto, descreve uma mudança na atuação em conferências, acompanhada da continuidade da cooperação entre especialistas.

Fonte: livescience.com.

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Fonte: livescience.com.

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