Ciência

Resto de supernova vista pelos chineses em 1181 ganha retrato novo: a imagem do dia da NASA mostra Pa 30

O telescópio Gemini North, no Havaí, fez o retrato mais detalhado já obtido de Pa 30, e a NASA o escolheu como imagem astronômica do dia 7 de outubro de 2026. Os filamentos em forma de fogos de artifício são cadeias de nós minúsculos, o que sobrou de uma explosão registrada na Terra em 1181.

Nebulosa Pa 30, resto da supernova de 1181, com filamentos laranja em forma de fogos de artifício e estrelas azuis ao redor

Pa 30, o provável resto da supernova de 1181, em imagem do Gemini North, recortada. Foto: International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA, NOIRLab, licença CC BY 4.0.

A imagem do dia da NASA em 7 de outubro de 2026 mostra Pa 30, a nebulosa que provavelmente é o resto da supernova que astrônomos da China, do Japão e do mundo árabe viram em 1181.

A foto foi feita com o telescópio Gemini North, no Havaí, e divulgada em 6 de outubro pelo NOIRLab, o centro da Fundação Nacional de Ciência dos EUA que opera o observatório.

O que muda em relação às imagens anteriores é a resolução. Os raios que parecem fogos de artifício não são riscos lisos, como se pensava, e sim fileiras de nós de gás. A equipe contou cerca de dez vezes mais estrutura filamentar do que se conhecia.

Cadeias de nós no lugar de riscos lisos

O trabalho foi liderado por Timothy Cunningham, do Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian (hoje na Universidade de Warwick), e por Ilaria Caiazzo, do Instituto de Ciência e Tecnologia da Áustria. Os dados vieram do espectrógrafo GMOS, instalado no Gemini North.

Imagem completa da nebulosa Pa 30 com filamentos laranja saindo de uma estrela central e estrelas azuis espalhadas no fundo escuro
Pa 30 na versão completa da imagem, sem recorte. A cor laranja marca os filamentos de gás. Foto: International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA, NOIRLab, licença CC BY 4.0.

Segundo a nota do APOD, cada nó em forma de pérola tem 4 dias-luz de diâmetro. Como um dia-luz equivale a cerca de 26 bilhões de quilômetros, a conta da redação dá algo perto de 100 bilhões de quilômetros por nó.

Para os astrônomos, a estrutura em nós sugere que havia variações de temperatura ou de densidade no gás em volta da estrela, e elas moldaram a matéria lançada pela explosão enquanto ela se afastava.

A supernova de 1181 foi registrada em oito textos

Oito textos históricos mostram que astrônomos chineses, japoneses e árabes viram a "estrela convidada" entre 4 e 6 de agosto de 1181. Ela ficou visível por 185 dias na constelação de Cassiopeia.

É uma das cinco supernovas da Via Láctea observadas da Terra antes da invenção do telescópio, segundo o NOIRLab. Desde então se passaram 845 anos, e o APOD chama o caso de mistério que ainda não acabou.

Como Pa 30 foi ligada à explosão

A nebulosa só foi descoberta em 2013, numa campanha de ciência cidadã que vasculhava dados do satélite WISE atrás de nebulosas planetárias. Foi a 30ª achada pelo astrônomo amador americano Dana Patchick, e daí vem o nome.

Imagens de acompanhamento nos telescópios do Observatório Nacional de Kitt Peak, no Arizona, mostraram os filamentos radiais num formato quase esférico. Pela idade e pelo brilho estimados, os cientistas consideram Pa 30 o provável resto da SN 1181.

A estrela que sobrou está no meio da explosão

No centro de Pa 30 há uma estrela chamada IRAS 00500+6713, com cerca de 200 mil graus Celsius na superfície. Os ventos dela correm a uns 16 mil quilômetros por segundo, perto de 5% da velocidade da luz.

Estrelas que sobrevivem a uma supernova costumam ser empurradas para longe do ponto da explosão. Esta aparece quase exatamente no centro, o que indica uma explosão simétrica, sem o empurrão forte.

Cúpula do telescópio Gemini North em Maunakea com um feixe de laser laranja subindo para um céu verde de luminescência atmosférica
O Gemini North, em Maunakea, no Havaí, com o laser usado para corrigir a turbulência do ar. Foto: International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA/M. Rodriguez, NOIRLab, licença CC BY 4.0, recortada.

Daí os autores concluem que a SN 1181 foi uma supernova do tipo Iax, rara e de menor energia, que não destrói a estrela por inteiro. Segundo o NOIRLab, Pa 30 é o único resto do tipo Iax conhecido na Via Láctea.

O Gemini é mantido por um consórcio que inclui o Brasil, listado pelo NOIRLab entre os países parceiros do International Gemini Observatory, ao lado de EUA, Canadá, Chile, Argentina e Coreia do Sul.

O que ainda é hipótese sobre Pa 30

A ligação de Pa 30 com a explosão de 1181 é provável, não comprovada: o NOIRLab fala em "provável resto", e a conclusão se apoia em idade, brilho e posição da estrela. A origem dos nós também está em aberto, porque o texto do observatório diz apenas que as variações de temperatura ou densidade "podem" ter existido.

O APOD acrescenta que os astrônomos não sabem exatamente o que aconteceu nessa explosão. Segundo o texto, acredita-se que a causa tenha sido a fusão de duas anãs brancas, mas é uma suposição.

Para ver outro caso recente de estrela morta, há a matéria sobre o planeta que pode ter nascido de uma estrela morta, e para outra imagem de telescópio, a nebulosa NGC 7129 vista pelo Webb.

A análise saiu na The Astrophysical Journal, com o título "Detection of knots in the supernova type Iax remnant Pa 30" e o DOI 10.3847/1538-4357/ae9cb2. A imagem pode ser conferida na página do APOD e as imagens do NOIRLab podem ser reproduzidas com crédito, segundo a política de uso do observatório.

Fontes: NOIRLab, comunicado noirlab2624, 6 de outubro de 2026. NASA, Astronomy Picture of the Day, 7 de outubro de 2026. The Astrophysical Journal, artigo de Cunningham et al..

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