Ciência e tecnologia

Telescópio Roman, da NASA, já mira estrelas: faz a primeira observação com o instrumento que apaga a luz da estrela para ver planetas e discos de poeira

O telescópio espacial Nancy Grace Roman, da NASA, viaja para a órbita final desde 30 de agosto e já testou o coronógrafo, instrumento que bloqueia a luz das estrelas para mostrar planetas. A primeira observação foi em 22 de setembro, numa estrela fraca da Grande Nuvem de Magalhães.

Foguete Falcon Heavy sobe diante do Sol levando o telescópio Roman da NASA, em 30 de agosto de 2026

O Falcon Heavy com o Roman a bordo cruza o disco do Sol logo após a decolagem, em 30 de agosto de 2026, na Flórida. Foto: NASA/John Kraus, Biblioteca de Imagens da NASA, domínio público, recortada.

O telescópio Roman, da NASA, fez em 22 de setembro a primeira observação do coronógrafo, instrumento que bloqueia a luz de uma estrela para deixar à vista os planetas e os discos de poeira em volta dela.

A NASA contou o resultado em um texto de 30 de setembro. O alvo foi uma estrela fraca da Grande Nuvem de Magalhães, galáxia vizinha da Via Láctea.

O que o telescópio Roman fez desde o lançamento

O Roman decolou em 30 de agosto de 2026, às 7h26 na Flórida (8h26 em Brasília), a bordo de um Falcon Heavy da SpaceX, na plataforma 39A do Centro Espacial Kennedy, segundo o comunicado de lançamento da NASA.

A equipe no Centro Goddard recebeu os primeiros dados sete minutos depois, e o foguete soltou o telescópio 31 minutos após a decolagem.

Desde então ele segue para o ponto L2, a cerca de 1 milhão de milhas da Terra (uns 1,6 milhão de km). A NASA fala em três meses de viagem e de testes. Nesse período, os instrumentos passam por calibração, um de cada vez.

Telescópio Roman dentro da carenagem branca com o logotipo da NASA, em sala limpa do Kennedy, ao lado da outra metade da carenagem
Equipes preparam o Roman para ser fechado na carenagem do foguete, em 19 de agosto de 2026, no Centro Espacial Kennedy (EUA). Foto: NASA/Sydney Rohde, Biblioteca de Imagens da NASA, domínio público, recortada.

A primeira observação do coronógrafo, em duas etapas

Antes do coronógrafo, o time testou de 15 a 21 de setembro o sistema de guiagem fina, que segura o telescópio apontado para o alvo. Em 22 de setembro, o coronógrafo abriu os olhos para a luz do espaço pela primeira vez.

Essa observação foi só um teste de foco. A cientista Vanessa Bailey, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (JPL), disse que ela confirma que o instrumento consegue formar uma imagem focada. Os detectores estavam mais quentes que o normal, e por isso a imagem veio com ruído.

A segunda etapa foi no domingo, 27 de setembro. Com os detectores resfriados, a equipe mirou outro ponto da Grande Nuvem de Magalhães, onde esperava ver muitas estrelas em um quadro só. Viu, e a observação confirmou a pontaria do instrumento.

Para que serve o coronógrafo que apaga a luz da estrela

A luz de uma estrela ofusca os planetas que giram em torno dela. O coronógrafo do Roman bloqueia essa luz para que objetos fracos apareçam: planetas e discos de poeira em volta de estrelas próximas.

Por isso ele exige tanta firmeza. Segundo Begoña Vila, que lidera os sistemas de guiagem do Roman no Goddard, qualquer vibração ou erro de apontamento deixa a luz da estrela vazar e apaga os planetas que os cientistas querem ver.

A NASA descreve o coronógrafo como uma demonstração de tecnologia. A meta é fotografar planetas parecidos com Júpiter, um passo para missões futuras, como o conceito do Observatório de Mundos Habitáveis, que poderiam fotografar planetas parecidos com a Terra.

Quão firme o Roman precisa ficar parado

Nos testes de guiagem, o Roman ficou estável a menos de 1/100.000 de grau por meia hora com a câmera principal, ou por 8 horas com o coronógrafo. A NASA compara essa estabilidade a mirar um laser numa moeda de 10 centavos de dólar a 240 km de distância, e quer chegar a 370 km.

O sistema lê a posição de estrelas de referência cerca de quatro vezes por segundo e manda pequenos ajustes ao controle de atitude. Para isso, usa um pedaço de cada um dos 18 detectores da câmera principal. O Roman não tem um guiador separado, ao contrário de outros telescópios espaciais.

Também testará uma guiagem inédita, que se orienta pelos espectros das estrelas, não só pelo ponto de luz. A NASA esperava validar esse modo nas semanas seguintes ao texto de 30 de setembro.

Câmera de 300 megapixels e 1,4 terabyte por dia

A câmera principal, chamada Wide Field Instrument, tem 300 megapixels e 18 detectores de 4K. A NASA projetou o Roman para varrer o céu 1.000 vezes mais rápido que o Hubble, e a página da missão dá um campo de visão pelo menos 100 vezes maior.

Corpo do telescópio Roman com os instrumentos, coberto por plástico, erguido por guindaste numa sala limpa do Goddard
O conjunto de instrumentos e a plataforma do Roman erguidos por guindaste em sala limpa do Centro Goddard (EUA), em 12 de junho de 2025. Foto: NASA/Mike Guinto, Biblioteca de Imagens da NASA, domínio público, recortada.

O telescópio vai mandar 1,4 terabyte de dados por dia, a maior taxa entre as missões de astrofísica da NASA até agora.

A agência diz que aprendizado de máquina, inteligência artificial e cientistas cidadãos vão ajudar a peneirar tudo. Quem quiser ver como é esse trabalho voluntário pode começar por um projeto de ciência cidadã com telescópios da NASA.

Linha do tempo do Roman até agora

DataO que aconteceu com o Roman
30/08/2026Lançamento em Falcon Heavy, às 8h26 no horário de Brasília
15 a 21/09Testes do sistema de guiagem fina, que mantém o telescópio apontado
22/09Primeira observação do coronógrafo, numa estrela da Grande Nuvem de Magalhães
27/09Segunda observação, com detectores resfriados, num campo com muitas estrelas
Início de 2027Previsão da NASA para as primeiras imagens do Roman

Arte: Watts & Wild, com datas dos textos da NASA de 30 de agosto e 30 de setembro de 2026.

Quem fez o Roman e de onde vem o nome

O nome homenageia Nancy Grace Roman, a primeira astrônoma-chefe da NASA, chamada de mãe do Hubble. O telescópio é gerenciado pelo Goddard, com o JPL, o Caltech/IPAC, o Instituto de Ciência do Telescópio Espacial e cientistas de várias instituições.

As principais empresas parceiras são BAE Systems, L3Harris e Teledyne. A ESA, a JAXA, a agência francesa CNES e o Instituto Max Planck de Astronomia, da Alemanha, também contribuem.

Para comparar com outro telescópio da NASA no espaço, veja o que o Webb achou em discos de poeira em volta de 21 estrelas e como ele vê o fundo do universo em uma lente gravitacional.

O que a primeira observação ainda não prova

A observação de 22 de setembro foi um teste de foco, com detectores mais quentes e ruído na imagem. Até o texto de 30 de setembro, o coronógrafo só tinha observado estrelas, e a NASA trata o instrumento como demonstração de tecnologia, não como o centro da missão.

O objetivo principal do Roman é outro: matéria escura, energia escura e exoplanetas, com grandes levantamentos do céu. Os planetas parecidos com a Terra citados pela NASA dependem de missões futuras, que ainda são conceito.

Onde acompanhar os próximos testes do Roman

A NASA previu a ativação da câmera principal nas primeiras semanas de viagem e marcou as primeiras imagens do Roman para o início de 2027. Os avanços saem no blog da missão e na página do Roman na NASA.

Fontes: NASA, blog do Roman, 30 de setembro de 2026. NASA, comunicado do lançamento, 30 de agosto de 2026. NASA Science, página da missão Roman.

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