Ciência e tecnologia

Erupção solar M6,7 e CME a caminho: NOAA prevê tempestade geomagnética G2 na sexta (9/10) e aurora mais ao sul

O Sol soltou uma erupção M6,7 nesta quinta (8/10), mas a tempestade que a NOAA espera para sexta vem de outra nuvem de plasma, lançada em 6 de outubro. O que isso muda para GPS, rádio e satélites, e se a aurora chega perto do Brasil.

Aurora verde em cortina sobre estrada nevada e pinheiros no Alasca, ilustração de tempestade geomagnética G2 como a prevista pela NOAA

Foto: Joshua Strang/Força Aérea dos EUA, Wikimedia Commons, domínio público. Aurora sobre a base de Eielson, no Alasca, em 2005. Foto de arquivo: não é a tempestade desta sexta.

A NOAA prevê tempestade geomagnética de nível G1 a G2 para esta sexta-feira (9/10), com o ponto mais forte entre 6h e 9h no horário de Brasília. O motivo é a chegada de uma ejeção de massa coronal, a CME, que deixou o Sol em 6 de outubro, segundo o aviso de G2 do Centro de Previsão de Clima Espacial (SWPC) emitido naquele dia.

Na previsão de três dias, o índice Kp, que mede a agitação do campo magnético da Terra, chega a 5,67 entre 9h e 12h UTC de sexta. O SWPC marca esse valor como G2, o nível moderado da escala que vai de G1 a G5. Nas 24 horas anteriores à emissão, o maior Kp medido foi 3, abaixo de qualquer nível da escala.

Hora a hora: quando a previsão aperta

A tabela traduz a previsão do SWPC para o relógio de Brasília. O primeiro bloco acima de G1 começa à meia-noite de sexta, com Kp 5,00, e o pico vem no começo da manhã.

Horário de BrasíliaHorário UTC (9/10)Kp previstoNível NOAA
21h a 0h (8/10)00 a 031,67abaixo de G1
0h a 3h03 a 065,00G1
3h a 6h06 a 094,33abaixo de G1
6h a 9h09 a 125,67G2
9h a 12h12 a 154,00abaixo de G1
12h a 15h15 a 183,00abaixo de G1
15h a 18h18 a 213,00abaixo de G1
18h a 21h21 a 004,00abaixo de G1
21h a 0h (9/10)00 a 03 de 10/104,00abaixo de G1

Ilustração: Watts & Wild com dados da previsão de três dias do SWPC/NOAA, emitida em 8 de outubro às 12h30 UTC (9h30 em Brasília). A conversão para o horário de Brasília (UTC menos 3 horas) é da redação.

O que um G2 faz na prática

O aviso do SWPC descreve o alcance do G2 em quatro frentes. Na rede elétrica, podem surgir oscilações, e sistemas de alta latitude podem registrar alarmes de tensão. Em satélites, a orientação pode falhar e aumenta o arrasto sobre os de órbita baixa.

No rádio de ondas curtas (HF), o sinal pode enfraquecer em latitudes altas. A aurora pode descer até a região que vai de Nova York a Wisconsin e ao estado de Washington. O SWPC diz que a área de impacto fica sobretudo além de 55 graus de latitude geomagnética, perto dos polos.

Aurora em faixas vermelha, roxa e verde sobre a curva da Terra, fotografada da Estação Espacial Internacional à noite
Foto: NASA, NASA Image Library, domínio público. Aurora de uma tempestade geomagnética vista da Estação Espacial Internacional, na costa de Portugal, em 19 de janeiro de 2026. Foto de arquivo: não é a tempestade desta sexta.

E no Brasil, a aurora chega?

O aviso cita lugares dos Estados Unidos e não menciona o Brasil. O país fica bem longe da faixa de 55 graus, então a previsão não aponta aurora por aqui. Em janeiro, a Serra Gaúcha também registrou um brilho parecido com aurora, num episódio que a gente já contou.

O efeito que mais interessa a quem mora no Brasil é outro: GPS e satélites. A relação entre clima espacial e navegação está no texto sobre o que uma erupção solar pode ou não derrubar. O aviso de G2 não fala em GPS.

A erupção M6,7 desta quinta é outra história

O SWPC registrou uma erupção de raios X de classe M6,7 com início às 12h29, pico às 12h48 e fim às 12h58 em Brasília, na região N12W20 do disco solar. A agência classificou o evento como R2, apagão de rádio moderado, e registrou emissões de rádio dos tipos II e IV.

Era meio-dia no Brasil no pico. Segundo o SWPC, o apagão R2 afeta o lado iluminado da Terra e pode cortar parcialmente o rádio HF por dezenas de minutos. O boletim não relata interrupções reais, só o efeito esperado nessa escala.

Em consulta da redação às 15h de Brasília, o SWPC ainda não tinha publicado aviso de CME ligado a essa erupção. Sem esse aviso, ela não entra na conta da tempestade de sexta.

Outra CME pode chegar no fim de sábado

A discussão de previsão do SWPC de 8 de outubro cita uma erupção C7,9 de 7 de outubro, às 13h17 UTC, com uma CME que saiu pela borda noroeste do Sol. A modelagem indicou uma componente na direção da Terra, com chegada no começo de 11 de outubro pelo horário UTC. Em Brasília, esse dia UTC começa às 21h de sábado (10/10).

O mesmo texto dá 40% de chance de novas erupções de classe M até 10 de outubro, vindas da região de manchas solares 4549, e 10% de chance de uma tempestade de prótons de nível S1.

Previsão não é medição

Tudo acima é previsão do SWPC, não registro. A CME de 6 de outubro ainda precisa chegar, e o nível G2 só vale se os instrumentos medirem o campo magnético agitado. O último Kp medido, 3, estava abaixo de G1.

A redação não afirma que a erupção desta quinta gerou CME, porque o SWPC não disse isso. Também não há previsão de aurora visível do Brasil. Para conferir se o G2 se confirmou, abra os alertas em tempo real do SWPC e a previsão de três dias. Para ver o que uma aurora rende em imagem, veja como o satélite Smile filmou uma aurora boreal por 45 horas seguidas.

Fontes: SWPC/NOAA, previsão de três dias, emitida em 8/10 às 12h30 UTC. SWPC/NOAA, alertas e avisos (G2 de 6/10; erupção M6,7 de 8/10). SWPC/NOAA, discussão da previsão de 8/10. NOAA, explicação das escalas de clima espacial.

Espaço de anúncio

Mais do Watts & Wild

Mais em Ciência e tecnologia →

A natureza do Brasil, uma vez por dia

Sem spam. Só o que viralizou no Brasil, checado e explicado, direto no seu e-mail.