Mamífero marinho dá cria inédita no Brasil, e moto na praia pode atrapalhar a mãe
Uma fêmea de elefante-marinho teve um filhote na praia do Siriú, em Garopaba, no litoral de Santa Catarina. Segundo o ICMBio, o nascimento é inédito no Brasil. Por isso, o local entrou em uma ação coordenada de monitoramento e restrição de acesso, que segue até hoje.
Imagem: B.navez/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Origem: upload.wikimedia.org.
A ocorrência foi registrada pela equipe do Instituto Australis, que executa o Trecho 2 do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). A equipe viu a fêmea acompanhada do bebê, da espécie Mirounga leonina. A partir daí, o caso passou a ser tratado com cuidado redobrado, e as instituições passaram a se organizar em conjunto.
Quem está protegendo a mãe e o filhote
Não é uma equipe só cuidando do local. O ICMBio, pela APA da Baleia Franca e pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos (CMA/ICMBio), trabalha junto com o Ibama, a Polícia Ambiental, a Prefeitura de Garopaba, o Instituto Australis, o LabZoo/Udesc e o Projeto Cetáceos. Essas equipes se revezam na proteção à mãe e ao filhote, e todas fazem parte da rede do Protocolo de Encalhes de Mamíferos Marinhos da APA da Baleia Franca.
A força-tarefa já tomou medidas no local. Ela marcou presença na área, reforçou o isolamento onde os animais estão e montou uma escala de monitoramento e fiscalização. Voluntários e agentes locais também entram nessa escala, e todos atuam juntos para manter o isolamento.
Por que a distância importa
Desde o fim de semana em que o caso veio à tona, a força-tarefa recebeu relatos de aproximação indevida de pessoas aos animais. Há imagens desses momentos circulando nas redes sociais. Quem explica o risco é o chefe da APA da Baleia Franca, Stéphano Diniz. Para ele, o pedido é simples: não importunar as espécies selvagens.
Diniz lembra que a mãe precisa de sossego para amamentar, e que a sobrevivência do filhote depende disso. Circular de moto ou carro na praia é proibido por lei. Além de ser ilegal, o barulho pode estressar a fêmea e mudar o jeito dela de cuidar do bebê. Cachorros, som alto e aglomeração de gente também entram na lista de coisas que atrapalham os animais.
Não é a primeira vez que um elefante-marinho chama atenção no litoral brasileiro. No Rio, um animal apareceu no Leme, e a história de onde ele veio ajuda a entender por que esses encontros acontecem. O Brasil também tem outros mamíferos marinhos sob pressão, como o peixe-boi-marinho, criticamente ameaçado.
O que fazer se você estiver na praia do Siriú
Mantenha pelo menos 50 metros de distância da área de descanso dos animais. Evite se aproximar, porque são animais selvagens e há risco de reação quando alguém chega perto sem necessidade.
Leve em conta também o resto da lista: nada de cachorro, nada de som alto, nada de moto ou carro na areia. Se houver equipes no local, siga as orientações delas. Maltratar animais é crime pela Lei 9.605/98, e a regra vale para todo mundo que passar pela praia enquanto a mãe e o filhote estiverem ali.
Fonte: gov.br.
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