Animais

Elefante-marinho no Leme e em Copacabana: por que veio da Antártida

Na tarde de terça-feira (6), um elefante-marinho entrou e saiu da água do posto 3 de Copacabana até a pedra do Leme, com guarda-vidas apitando para os surfistas e curiosos por perto. Depois seguiu rumo à Região dos Lagos. É uma espécie que vive em águas geladas, bem ao sul.

Filhote de elefante-marinho de boca aberta, deitado na neve, com montanhas nevadas ao fundo na Geórgia do Sul

Elefante-marinho jovem na Geórgia do Sul, no Atlântico Sul, em 2009. Foto de arquivo da espécie, não é o animal do Rio. Foto: Butterfly austral (Serge Ouachée), Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 3.0, recortada.

O elefante-marinho do Leme e de Copacabana é um animal do extremo sul que, segundo autoridades ambientais ouvidas pela CNN Brasil, foi levado à costa do Rio por uma corrente fria que corre do sul para o norte. A reportagem, com informações da Reuters, saiu em 6 de outubro.

Do posto 3 à pedra do Leme

O fotógrafo Ari Kaye registrou o animal e contou que ele "veio desfilando, entrando e saindo da água desde o posto 03 até a pedra do Leme". Lá, os guarda-vidas se preocuparam com quatro surfistas na água e apitaram da areia para que saíssem.

Por volta das 14h, depois de passar por Copacabana, o elefante-marinho seguiu para a Região dos Lagos, segundo o fotógrafo. Ele também disse que os curiosos na areia incomodavam o bicho e o impediam de descansar, como tinha feito em São Conrado.

Quatro dias antes, em São Conrado

Na sexta-feira (2), um elefante-marinho ficou na areia de São Conrado entre os postos 1 e 2. O Corpo de Bombeiros isolou o trecho com bandeiras roxas, que indicam animal marinho na orla, e acionou um órgão ambiental para avaliar o estado dele, segundo a CNN Brasil.

Nenhuma das reportagens abertas confirma por exame que os dois avistamentos são do mesmo animal. A ligação vem do relato do fotógrafo.

De onde um elefante-marinho vem até o Rio

Rafael Carvalho, do Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores da UERJ, disse ao SBT News que o animal de São Conrado possivelmente veio da Península Valdés, na Argentina, a região mais próxima da costa brasileira onde a espécie é encontrada.

Segundo ele, nessa época do ano os elefantes-marinhos costumam ficar no mar atrás de comida. Alguns percorrem longas distâncias e, empurrados pelas correntes, chegam a lugares distantes de casa.

O biólogo Marcelo Szpilman, do AquaRio, avalia que o animal é jovem e que a presença da espécie no litoral brasileiro é ocasional, segundo o Correio da Manhã. A espécie vive principalmente em regiões subantárticas.

O tamanho de um elefante-marinho do sul

O nome vem do macho adulto, que desenvolve um apêndice nasal inflável parecido com uma pequena tromba. Machos adultos passam de 5 metros e de 3 toneladas, e as fêmeas pesam entre 400 e 900 quilos, segundo o Correio da Manhã.

Elefante-marinho deitado de lado na areia dourada de uma praia de Campos dos Goytacazes, com ondas ao fundo
Elefante-marinho em repouso na praia do Xexé, em Campos dos Goytacazes (RJ), em julho de 2025. É outro animal, de outra visita. Foto: Henrique Nogueira, Wikimedia Commons, licença CC BY 4.0, recortada.

A base de dados Animal Diversity Web, da Universidade de Michigan, registra machos de até 6 metros e mais de 3,7 toneladas. Fêmeas passam pouco de 2 metros. A mesma fonte diz que a espécie só sobe à praia para trocar de pele, se reproduzir e cuidar dos filhotes.

CaracterísticaMacho adultoFêmea adultaQuem informa
ComprimentoAté 6 metrosPouco mais de 2 metrosAnimal Diversity Web
PesoMais de 3,7 toneladasDe 400 a 900 quilosAnimal Diversity Web e Correio da Manhã
MergulhoMais de 1,5 mil metros e mais de uma hora submersoRegistro da espécie, sem divisão por sexoCorreio da Manhã
Em terraSó em muda de pele e reproduçãoIdemAnimal Diversity Web

Arte: Watts & Wild, com dados do Animal Diversity Web (Universidade de Michigan) e da reportagem do Correio da Manhã de 2 de outubro de 2026.

Em terra, o bicho parece lento, mas se desloca rápido em curtas distâncias. No mar, mergulha a mais de 1,5 mil metros de profundidade e fica submerso por mais de uma hora, segundo o Correio da Manhã.

Já aconteceu antes no Rio

Em 13 de julho de 2020, um elefante-marinho de cerca de três metros nadou entre surfistas e banhistas no Arpoador. O biólogo Salvatore Siciliano, da Fiocruz, estimou que o bicho tinha menos de 2 anos e vinha do Uruguai ou da Argentina, segundo o relato republicado pela Tribuna de Jundiaí.

Para Siciliano, machos jovens e inexperientes acabam se aventurando em águas mais distantes quando saem atrás de comida. Em setembro de 2026, a espécie também foi notícia em Santa Catarina por outro motivo, o filhote que nasceu em Jaguaruna.

O que fazer se encontrar um na praia

Os Bombeiros do Rio orientam quem vê um animal marinho na areia a seguir quatro passos, segundo a CNN Brasil:

Nunca tentar devolvê-lo ao mar, porque ele pode estar só descansando, debilitado ou doente. Não tocar, puxar nem empurrar. Evitar aglomeração e barulho. Não oferecer comida nem água.

Szpilman acrescenta o motivo da distância: "Os dentes são fortes. Deve-se manter uma distância segura." Para saber a quem avisar no seu estado, veja o telefone do Cetas e do órgão ambiental. Quem se interessa por ver bichos de longe encontra mais em os animais mais fotografados do Brasil.

O que ainda ninguém confirmou

As reportagens não trazem nota do Inea nem do ICMBio sobre o animal do Leme, e a explicação da corrente fria é uma avaliação de autoridades ambientais, sem medição divulgada. A origem na Península Valdés é hipótese de um pesquisador da UERJ para o animal de São Conrado.

Sexo e idade também aparecem só como avaliação de especialistas. Se o bicho voltar à areia, o caminho é manter distância e avisar os Bombeiros ou o órgão ambiental do estado.

Fontes: CNN Brasil, 6 de outubro de 2026 (com Reuters). CNN Brasil, 2 de outubro de 2026. Correio da Manhã, 2 de outubro de 2026. SBT News, 2 de outubro de 2026. Tribuna de Jundiaí, 14 de julho de 2020. Animal Diversity Web, Mirounga leonina.

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