Ave que sumiu da natureza em 2000 voltou a nascer livre na Caatinga baiana
A ararinha-azul voltou a se reproduzir em liberdade: em 2023, os primeiros filhotes nasceram na natureza, em Curaçá, na Bahia, mais de 20 anos depois de a espécie ser vista pela última vez em vida livre, em outubro de 2000.
Imagem: Daderot/Wikimedia Commons (CC0). Origem: commons.wikimedia.org.
A informação é do ICMBio, o instituto federal de conservação da biodiversidade, no plano de ação da espécie.
O avanço é real, mas o próprio órgão mantém a ave na categoria Criticamente em Perigo (CR).
De três aves a nenhuma
A ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) só existia numa pequena região semiárida do Baixo-Médio Vale do Rio São Francisco, na Caatinga baiana. Sempre foi considerada rara, e sua área de distribuição ficou muito tempo pouco conhecida.
Só em 1986 foram localizados os três últimos indivíduos conhecidos em vida livre, em Curaçá. Em 1990, restava apenas um na natureza, o que motivou a criação do Projeto Ararinha-Azul, para monitorar esse último exemplar. Mesmo com os esforços, a espécie foi registrada pela última vez em liberdade em outubro de 2000 e passou a ser tratada como extinta na natureza.
O que sustentou a espécie em cativeiro
Hoje a população em cativeiro tem cerca de 300 indivíduos, segundo o ICMBio. O Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ararinha-Azul foi oficializado em 2012, com dois objetivos: ampliar a população mantida em cativeiro e recuperar o habitat histórico da ave.
No primeiro ciclo, o plano registrou um grande sucesso reprodutivo e dobrou o número de aves cativas. O governo federal, em parceria com o Projeto Ararinha na Natureza, criou duas áreas protegidas: o Refúgio de Vida Silvestre da Ararinha-Azul e a Área de Proteção Ambiental (APA) da Ararinha-Azul.
A volta à natureza
A reintrodução começou em 2022, com a soltura dos primeiros grupos na área histórica de ocorrência, em Curaçá. Em 2023, os primeiros filhotes nasceram em vida livre, que o ICMBio descreve como um avanço significativo para o sucesso da reintrodução.
O segundo ciclo do plano, de 2019 a 2024, tinha como meta central reintroduzir a ave na área original até 2024, com aumento contínuo da população, conservação dos habitats e participação das comunidades locais em práticas sustentáveis. O ciclo se encerrou em 2024.
O que ainda falta
As ações que sobraram e as recomendações finais foram incorporadas ao PAN Aves da Caatinga, que amplia a proteção para outras espécies da região. A ararinha-azul segue na categoria CR, o que mostra que a recuperação ainda não está consolidada.
Quem acompanha a fauna ameaçada pode ler também sobre o peixe-boi marinho, criticamente ameaçado e a desova das tartarugas marinhas. Para acompanhar a monitoria do plano, o ICMBio mantém uma página própria com os produtos de cada ciclo.
Fonte: gov.br.
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