A Sony pediu patente de um controle do PlayStation que lê cartão e celular por aproximação, e o pedido, publicado nos Estados Unidos em 17 de setembro, mostra bem mais que pagamento
O documento tem 34 páginas, 16 delas de desenhos, e saiu no escritório de patentes dos Estados Unidos. Veja como o controle leria cartão e celular, o que mais ele faria, por que a Sony diz que precisa disso e o que ainda falta para virar produto.
Controle do PlayStation 5, o DualSense, nas mãos de uma jogadora. Foto: InclusiveGameLab, CC BY-SA 4.0, Wikimedia Commons.
É um pedido de patente, não um produto à venda. O controle do PlayStation que lê cartão e celular por aproximação está num pedido da Sony, publicado pelo escritório de patentes dos Estados Unidos em 17 de setembro de 2026. A página oficial do DualSense no Brasil não menciona NFC.
O documento é o pedido US 2026/0273403 A1, com o título em inglês de "transferência de informação feita pelo controle de videogame". Quem pede é a Sony Interactive Entertainment, de Tóquio, dona da marca PlayStation. O pedido foi depositado em 17 de março de 2025 e só agora ficou público.
Quatro inventores assinam: Alex Song, Daniel Hiatt, Mayu Watanabe e Chris Thielbar, todos com endereço na Califórnia.
Como o controle do PlayStation leria o cartão?
O pedido descreve o passo a passo, com desenhos. Primeiro o console abre uma tela de pagamento. No exemplo da figura 4A, ela diz "bem-vindo à loja de jogos, informe uma forma de pagamento".
Depois a TV pede para aproximar o aparelho do controle. O controle percebe o celular por perto e dá um sinal: pode acender uma luz, tocar um som ou vibrar. A tela então pergunta se "o controle desejado está vibrando".
O celular confirma que recebeu o sinal, e os dados de pagamento seguem do celular, ou de um servidor na nuvem, para o controle e dele para o console. O console confere a forma de pagamento com um servidor antes de mostrar "pagamento concluído".
NFC, Bluetooth e até 12 polegadas de distância
Para perceber o aparelho, o pedido cita NFC, a tecnologia do pagamento por aproximação, e Bluetooth. Também fala em detectar o toque físico do celular no controle e em ler um código QR com uma câmera do próprio controle.
A distância prevista vai de 0 a 12 polegadas, cerca de 30 centímetros. Para o caso de encostar o aparelho, o texto fala em 0 a 4 polegadas, uns 10 centímetros.
Dá para pagar sem celular?
Sim, pelo pedido. Segundo o documento, dá para aproximar direto um cartão de crédito ou um cartão-presente.
Um dos desenhos mostra a mensagem "cartão-presente recebido, créditos: 25 dólares". A ideia, diz o texto, é atender quem está sem o celular à mão ou nem tem um.
O que mais o controle faria
O título fala em pagamento, mas o pedido vai além. Ele lista outros usos para o mesmo gesto de aproximar:
Cartão de jogador: passar para o console um cartão com o nome de usuário, a data de nascimento, o ranking e o número de vitórias e derrotas.
Partida com amigos: entrar num jogo com várias pessoas aproximando o aparelho do controle, sem parar a partida de quem já está jogando.
Compra na loja: numa loja ou feira de games, com jogos em demonstração, a tela pergunta "quer comprar este jogo?". A pessoa aproxima o celular, o jogo vai para a biblioteca dela e o aviso chega ao celular, mesmo sem ela ter o console ali.
Levar a partida para o celular: mandar para o telefone um resumo da conversa do jogo, gravações e capturas de tela.
Entre os exemplos de compra, o documento cita jogos, itens dentro do jogo, produtos de loja virtual e até comida de aplicativo de entrega.
Por que a Sony diz que precisa disso
O pedido explica o problema que quer resolver. Do jeito tradicional, diz o texto, para entrar na conta ou pagar o console depende de vários aparelhos: mostra um código QR para o celular ler, ou pede para digitar dados num teclado, enquanto o controle só navega pelos menus.
Segundo o texto, coordenar tudo isso faz a comunicação falhar, deixa o console mais lento e pode sobrecarregar e até esquentar o processador. Passar tudo pelo controle reduziria o número de aparelhos e de etapas.
O documento lista as formas de pagamento que os jogadores guardam na conta: cartão de crédito, conta bancária, cartão-presente, carteira digital e carteira de criptomoedas.
O que ainda falta para virar produto
Pedido de patente não é anúncio. A publicação só torna a ideia pública. O escritório de patentes ainda precisa analisar e conceder, e ter a patente não obriga a empresa a fabricar nada.
Há também a questão do aparelho. A página oficial do DualSense no Brasil diz que ele se conecta por cabo USB-C ou Bluetooth e não menciona NFC, a tecnologia que o pedido usa para ler cartão e celular.
O texto fala em "controle de videogame" e "console", de forma genérica, e não traz data de lançamento nem preço.
O brasileiro já paga encostando
Se a ideia chegar ao sofá, vai encontrar um público acostumado. Segundo o balanço da Abecs, a associação das empresas de cartão, 76,2% das compras presenciais com cartão no Brasil no primeiro semestre de 2026 foram por aproximação, a mesma tecnologia NFC.
A modalidade movimentou R$ 1 trilhão no semestre, alta de 18,5% sobre o mesmo período de 2025. Uma pesquisa da Abecs com o Datafolha diz que 73% dos brasileiros usam o recurso.
Quem usa paga principalmente com o cartão físico (65%), depois com o celular (41%) e com relógio inteligente (2%). Comodidade e rapidez são os motivos citados por 91% dos entrevistados.
Tecnologia que muda o dia a dia tem outros exemplos aqui no site. Veja o Coliseu copiado em 3,8 bilhões de pontos de laser e o plástico feito por bactéria com poeira da Lua. Tem também o curso de edição de genes do Butantan.
Perguntas rápidas
O controle do PlayStation já aceita pagamento por aproximação?
Não. O que existe é um pedido de patente da Sony publicado nos Estados Unidos em 17 de setembro de 2026. A página oficial do DualSense no Brasil fala em conexão por cabo USB-C ou Bluetooth e não menciona NFC, a tecnologia do pagamento por aproximação.
Pedido de patente quer dizer que o produto vai sair?
Não necessariamente. O pedido protege uma ideia e ainda precisa ser analisado pelo escritório de patentes dos Estados Unidos. E ter a patente não obriga a empresa a fabricar nada.
Como o pagamento funcionaria?
Pelo documento, o console pede uma forma de pagamento, a tela manda aproximar o celular ou o cartão do controle, o controle acende, apita ou vibra para confirmar, e os dados seguem para o console, que confere tudo com um servidor antes de concluir.
O controle serviria só para pagar?
Não. O mesmo pedido descreve passar o cartão de jogador para o console, entrar numa partida com outras pessoas, comprar um jogo na demonstração de uma loja e mandar conteúdo da partida para o celular.



