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O nível do rio Negro no porto de Manaus caiu a 20,66 metros em 21 de setembro de 2026, e o Serviço Geológico do Brasil projeta a terceira maior seca já registrada na capital do Amazonas

O rio Negro marcou 20,66 m no porto de Manaus em 21 de setembro de 2026, e o SGB projeta cota mínima entre 12,31 m e 16,50 m no pico da seca.

A régua do porto de Manaus marcou 20,66 metros em 21 de setembro de 2026, queda de 3,43 metros desde o início do mês. O SGB projeta cota mínima entre 12,31 e 16,50 metros no pico da vazante, em 31 de outubro, o que pode tornar 2026 a terceira maior seca do rio Negro.

Vista aérea do porto de Manaus, no encontro do cais com o rio Negro

O porto de Manaus, no rio Negro, onde fica a régua usada há mais de um século para medir a cheia e a vazante do rio na capital do Amazonas. Foto: ME/Portal da Copa (CC BY 3.0 BR), via Wikimedia Commons.

O rio Negro marcou 20,66 metros no porto de Manaus em 21 de setembro de 2026, segundo os dados usados pela imprensa amazonense a partir da régua do cais central da capital. O recuo foi de 1,34 metro em relação aos 22 metros medidos uma semana antes, em 14 de setembro.

A régua do porto integra a rede hidrológica nacional hoje operada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB, o antigo CPRM), órgão que também projeta, em boletins periódicos, até onde o rio deve recuar antes de voltar a subir no fim do ano.

O rio Negro está em vazante acelerada e pode ter, na pior hipótese, a terceira maior seca já registrada em Manaus. Segundo o SGB, a cota no porto pode chegar a entre 12,31 m e 16,50 m no pico da seca, previsto para 31 de outubro de 2026.

A régua do porto de Manaus marcou 20,66 metros em 21 de setembro

O dado de 21 de setembro de 2026 confirma a tendência de queda contínua registrada ao longo do mês. Uma semana antes, em 14 de setembro, a régua indicava 22 metros, o que representa um recuo de 1,34 metro em sete dias.

A régua fica no cais do porto, na área central de Manaus, e é o ponto de referência histórico usado para acompanhar a cheia e a vazante do rio Negro desde o início do século 20.

O recuo acumulado desde o início de setembro passa de três metros

No dia 1º de setembro de 2026, o rio Negro estava em 24,09 metros no porto de Manaus. Em vinte dias, a queda acumulada chegou a 3,43 metros, com recuos diários de até 19 centímetros nos dias 15 e 16.

O ritmo da queda se acelerou ao longo do mês, padrão que costuma se repetir nos anos em que a vazante do rio Negro se mostra mais intensa em Manaus, segundo o histórico acompanhado pelo SGB.

Como este 21 de setembro se compara aos últimos cinco anos

Na mesma data, o rio Negro estava em 24,22 metros em 2025, 23,50 metros em 2022 e 24,19 metros em 2021, todos acima da marca deste ano. Em 2023, a régua indicava 18,34 metros, e em 2024, 14,87 metros, no dia 21 de setembro de cada ano.

O nível de 2026 já está abaixo do registrado em 2023 na mesma data, embora ainda esteja distante do patamar de 2024, apontado pelo SGB como o ano de vazante mais severa da série histórica na capital do Amazonas.

Praia de areia exposta às margens do rio Negro em Manaus, com o rio ao fundo
Faixa de areia exposta na Ponta Negra, praia fluvial de Manaus que cresce conforme o rio Negro baixa na vazante. Foto: James Martins (CC BY 3.0), via Wikimedia Commons.

O que a régua do porto de Manaus mede, e desde quando

A estação é uma das réguas linimétricas da Rede Hidrológica Nacional, hoje operada pelo Serviço Geológico do Brasil, que acompanha diariamente o nível de rios em todo o país, incluindo os grandes rios da bacia amazônica.

Em Manaus, o monitoramento do rio Negro remonta a mais de cem anos, o que permite comparar a vazante de cada ano com um histórico longo o suficiente para apontar recordes, como o de 2024.

SGB projeta cota mínima entre 12,31 m e 16,50 m para o pico da seca

Em boletim de 1º de setembro de 2026, o SGB projetou que o rio Negro pode chegar ao pico da vazante, esperado para 31 de outubro, com cota entre 12,31 metros e 16,50 metros no porto de Manaus.

A faixa foi calculada a partir de diferentes padrões de recessão do rio observados em anos anteriores, entre eles os de 2015, 2023 e 2024, usados como cenários de referência para estimar o comportamento do rio Negro neste ano.

Os cenários usados para calcular a projeção

No cenário mais severo, baseado no padrão de queda de 2015, a cota poderia ficar abaixo de 13 metros. Seguindo o padrão de 2023, a projeção aponta 13,37 metros, e o padrão de 2024 indicaria 16,32 metros.

Cada cenário reproduz a velocidade de queda observada em um ano de seca marcante, aplicada aos dados atuais do rio Negro, para estimar até onde a água pode recuar até o fim de outubro.

Por que 2026 pode ficar atrás só de 2023 e 2024?

Segundo reportagem do portal Amazonas Atual, que ouviu o pesquisador do SGB André Martinelli, o cenário mais severo da projeção colocaria 2026 como a terceira maior seca da história do rio Negro em Manaus, atrás apenas de 2023 e 2024.

A avaliação considera apenas a hipótese mais extrema da faixa projetada pelo órgão. Se a vazante seguir um padrão mais parecido com o de 2024, o resultado final tende a ficar acima do piso estimado para o pior cenário.

O papel do El Niño na intensidade da vazante

Boletins do SGB apontam que a possível intensificação do El Niño ao longo do segundo semestre de 2026 pode agravar a vazante na bacia do rio Negro, ainda que a régua de Manaus estivesse dentro da faixa considerada normal no início de setembro.

O El Niño reduz o volume de chuvas sobre a Amazônia e tende a antecipar e aprofundar o período de seca dos rios da região, fenômeno que também deixa espécies típicas da bacia mais expostas em trechos rasos, como o peixe elétrico descrito pelo Inpa em rios de altitude da Amazônia brasileira.

Ponte Rio Negro vista de cima, ligando as duas margens do rio em Manaus
A Ponte Rio Negro liga as duas margens do rio em Manaus e serve como outro ponto de referência visual para acompanhar a variação do nível da água. Foto: Ana Claudia Jatahy/Ministério do Turismo (domínio público), via Wikimedia Commons.

O recorde da série histórica ainda pertence a 2024

O menor nível já registrado no porto de Manaus segue sendo o de 2024, ano apontado pelo SGB como o de vazante mais severa da série histórica de mais de cem anos de monitoramento do rio Negro na capital do Amazonas.

Mesmo no cenário mais extremo da projeção, com cota abaixo de 13 metros, a vazante de 2026 ficaria acima do patamar mínimo de 2024, segundo os cálculos do SGB. A seca também expõe mais a fauna da região, como mostrou o resgate do furão-da-Amazônia em Manaus.

Nem toda queda vira recorde, e o pico só se confirma em outubro

O SGB é claro ao apresentar a projeção como uma faixa de cenários, não uma certeza: a cota final da vazante de 2026 só será conhecida quando o rio Negro atingir o ponto mais baixo do ano.

Até lá, comparações com 2023 e 2024 continuam sendo hipóteses baseadas em padrões de recessão, e não um resultado fechado. Quem quer acompanhar mais sobre pesquisa e divulgação científica na região pode seguir também as atividades do Museu Goeldi, em Belém, que promove exposições e trilhas sobre a Amazônia.

O que ainda pode mudar até o fim de outubro

A cota final da vazante de 2026 só será conhecida quando o rio Negro atingir o ponto mais baixo do ano, esperado para 31 de outubro, dentro da janela usada pelo SGB para suas projeções.

Até lá, o órgão segue atualizando a régua do porto de Manaus com boletins periódicos, que vão mostrar se a queda desacelera ou segue no ritmo apurado ao longo de setembro. Você mora em Manaus ou já visitou o porto durante a vazante? Deixe sua resposta nos comentários.

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