Animais e natureza

Furão-da-Amazônia é resgatado depois de passar sete meses sendo criado como bichinho de estimação numa casa de Manaus, até o comportamento do animal mudar e obrigar um pedido de socorro

Furão mantido por sete meses como pet é entregue ao Ipaam, no Amazonas. Animal silvestre passa por avaliação da equipe.

Um furão mantido durante sete meses como animal de estimação foi entregue ao Ipaam, no Amazonas. O caso envolve um animal silvestre, que precisa de avaliação especializada antes de qualquer definição sobre seu destino. As imagens mostram o exemplar recebido pela equipe, sem relação com a criação de furões domésticos.

Furão-da-Amazônia resgatado: animal silvestre saindo de um cano na área do zoológico em Manaus

O furão-da-Amazônia já no zoológico do CIGS, em Manaus, após sete meses vivendo como pet. Foto: Divulgação/Ipaam.

Um furão-da-Amazônia ferido foi recolhido na beira da rodovia AM-010, no trecho entre Manaus e Rio Preto da Eva, e levado para dentro de uma casa na Zona Norte da capital amazonense.

Segundo o g1 Amazonas, o morador cuidou dos ferimentos e manteve o animal por cerca de sete meses. Depois que ele passou a apresentar comportamento agressivo, acionou o Ipaam para fazer a entrega.

depois de cerca de sete meses vivendo como pet numa casa de Manaus, o furão-da-Amazônia ficou agressivo e o próprio morador pediu ajuda ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas, e o animal foi resgatado e levado ao Zoológico do CIGS, onde está sob cuidados veterinários.

O furão foi achado ferido no km 30 da AM-010

A Gerência de Fauna do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas informou que o furão-da-Amazônia foi localizado ferido no quilômetro 30 da rodovia AM-010, via que liga Manaus a Rio Preto da Eva.

O animal foi então levado por quem o encontrou para uma residência na Zona Norte de Manaus, em vez de ser encaminhado direto a um órgão ambiental ou a um centro de triagem de fauna silvestre.

Furão-da-Amazônia dentro de um tanque com água no zoológico do CIGS, em Manaus
O furão-da-Amazônia já recuperado, em atividade no novo espaço do zoológico. Foto: Divulgação/Ipaam.

Morador criou o furão como pet por cerca de sete meses

Na casa, o furão-da-Amazônia recebeu cuidados para os ferimentos e, com o tempo, passou a fazer parte da rotina doméstica, tratado da mesma forma que um cão ou gato de estimação.

O convívio durou cerca de sete meses, período em que o animal silvestre cresceu dentro de um ambiente completamente diferente do habitat natural da espécie, a floresta amazônica.

Criar bicho selvagem em casa é proibido pela legislação ambiental

O furão-da-Amazônia é um mamífero silvestre, de hábitos terrestres e comportamento ativo e predatório, que se alimenta de pequenos animais na natureza, e a manutenção da espécie como pet é proibida por lei.

Animais silvestres têm necessidades de alimentação, espaço e manejo bem diferentes das de um animal doméstico, e mantê-los presos numa casa costuma trazer prejuízo direto à saúde e ao comportamento do bicho.

Comportamento agressivo motivou o pedido de socorro

Depois de cerca de sete meses sob cuidados humanos, o furão-da-Amazônia cresceu e passou a apresentar comportamento mais agressivo dentro da casa onde vivia, segundo relatou a equipe do Ipaam.

Diante da mudança no comportamento do animal, o morador entrou em contato com o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas para pedir a devolução e o resgate adequado do furão.

Ipaam retirou o animal da casa em Manaus

A equipe da Gerência de Fauna do Ipaam foi até a residência, recolheu o furão-da-Amazônia e encaminhou o animal para avaliação e cuidados especializados no zoológico do CIGS, em Manaus.

O resgate aconteceu no último domingo (13), segundo o g1 AM, encerrando os sete meses em que o furão viveu fora do ambiente natural da espécie.

No CIGS, furão passou por exames e quarentena

No Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva, o furão-da-Amazônia passou por exames, avaliação veterinária e um período de quarentena antes de ser integrado ao espaço definitivo.

Atualmente, segundo a equipe do CIGS, o animal está saudável e já adaptado à nova rotina, depois de deixar para trás sete meses de vida dentro de uma residência.

Furão aparece na abertura de um tubo no espaço do CIGS
Furão no espaço de manejo do CIGS. Frame/Reprodução do vídeo divulgado pelo g1 Amazonas.

O que é a "humanização excessiva" que a veterinária do CIGS citou?

A tenente Lauren Bazzi, médica veterinária do CIGS, explicou ao g1 que o furão passou por um processo de humanização excessiva durante o tempo em que viveu como pet na casa em Manaus.

"A humanização excessiva quer dizer que ele foi muito domesticado. Isso significa que perdeu os traços de animal silvestre", disse a veterinária, sobre o comportamento que o furão apresentava ao chegar no zoológico.

Manejo alimentar inadequado prejudicou a saúde do animal

Durante o tempo em que viveu como pet, o furão-da-Amazônia recebeu manejo inadequado, principalmente na alimentação, segundo a avaliação feita pela equipe veterinária do CIGS após o resgate.

Agora, o animal recebe uma dieta ajustada às necessidades da espécie e passa por atividades de enriquecimento ambiental, pensadas para estimular os comportamentos naturais de um furão-da-Amazônia.

Furão-da-Amazônia ferido pode ser resgatado por qualquer pessoa?

A orientação dos órgãos ambientais é que um animal silvestre encontrado ferido ou em situação de risco seja levado a uma autoridade responsável, e não para dentro de uma casa.

Isso vale para o furão-da-Amazônia e para qualquer outro bicho da fauna nativa: o cuidado inicial pode até salvar o animal, mas manter um bicho silvestre como pet depois é o que a lei proíbe.

O caso reforça um alerta sobre a fauna amazônica dentro de casa

O caso de Manaus começou com um animal encontrado ferido e terminou com o encaminhamento ao zoológico. A equipe do CIGS identificou manejo inadequado durante o período em casa, principalmente na alimentação.

Especialistas em fauna costumam repetir a mesma recomendação nesses casos: procurar o órgão ambiental assim que o animal for encontrado, sem levá-lo para dentro de casa, mesmo com boa intenção, como mostrou também o caso do cateto confundido com queixada na mesma região.

Equipe do CIGS estimula comportamentos naturais do animal

No CIGS, os cuidados incluem atividades de enriquecimento ambiental. Elas são usadas para estimular comportamentos naturais do animal, que passou meses em um ambiente doméstico antes de chegar ao zoológico.

A avaliação também incluiu exames e quarentena. Segundo a equipe, o furão está saudável e adaptado ao novo espaço, onde recebe acompanhamento diário e alimentação adequada.

Ipaam recebeu o pedido e encaminhou o furão para atendimento

A orientação divulgada no caso é acionar as autoridades responsáveis ao encontrar um animal silvestre ferido ou em risco. Isso permite que equipes capacitadas avaliem a situação e definam o encaminhamento.

O resgate em Manaus foi realizado pela Gerência de Fauna do Ipaam. Depois, o CIGS recebeu o furão para avaliação veterinária e os cuidados que agora fazem parte de sua rotina.

Furão-da-Amazônia agora vive no zoológico do CIGS, em Manaus

Passado o resgate, o furão-da-Amazônia segue sob cuidados diários da equipe do zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva, com dieta, espaço e manejo adequados à espécie.

A transferência do animal reforça, segundo o Ipaam, as ações de conservação da fauna amazônica e de educação ambiental voltadas para quem encontra um bicho silvestre ferido pelo caminho.

Você saberia qual órgão ambiental procurar se encontrasse um animal silvestre ferido na sua cidade? Deixe sua opinião nos comentários.

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