Animais e natureza

Maués e Tefé decretam situação de emergência por estiagem em 21 de setembro de 2026, somando-se a uma lista que já tinha ao menos 12 municípios do Amazonas afetados pela seca

As prefeituras de Maués e Tefé, no interior do Amazonas, decretaram emergência por estiagem em 21 de setembro, classificada como Nível II pela Defesa Civil. Os decretos citam rios cada vez mais baixos, comunidades isoladas e prejuízo às plantações, juntando-se a uma lista estadual que já somava 12 municípios em 18 de setembro.

Rio Tefé, no Amazonas, cidade que decretou emergência por estiagem em 2026 junto com Maués

O rio Tefé, no Amazonas: a cidade decretou situação de emergência por estiagem em 21 de setembro de 2026. Foto: Wilson Dias/Agência Brasil, via Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR).

As prefeituras de Maués e Tefé, no interior do Amazonas, decretaram situação de emergência por causa da estiagem de 2026. Os atos têm a mesma data, 21 de setembro: o Decreto nº 101 em Maués e o Decreto Municipal nº 071 em Tefé, segundo o jornal TODA HORA.

Os dois municípios classificaram o desastre como Nível II, conforme os critérios da Defesa Civil. A dupla passa a integrar a lista de cidades atingidas pela seca que também derrubou o rio Negro a 20,66 metros no porto de Manaus na mesma semana.

Maués e Tefé se tornaram, em 21 de setembro de 2026, os municípios mais recentes do Amazonas a decretar emergência por estiagem. A dupla se soma a uma lista que, segundo boletim do Governo do Estado de 18 de setembro, já contava 12 municípios em situação de emergência.

O Decreto nº 101 de Maués cobre seis rios e as comunidades ribeirinhas da região

O Decreto nº 101, de 21 de setembro, reconhece emergência na sede de Maués e em comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas dos rios Maués-Açu, Andirá, Marau, Parauari, Urupadi e Amanã. O ato também cobre lagos, paranás e igarapés da região, segundo o TODA HORA.

De acordo com o texto, a redução progressiva dos rios tem afetado a população e ampliado a dependência do transporte fluvial para chegar às comunidades. Comunidades inteiras ficaram mais dependentes de barcos para qualquer deslocamento.

Em Tefé, o Decreto nº 071 se apoiou em parecer técnico de 15 de setembro

Em Tefé, o Decreto Municipal nº 071 também é de 21 de setembro e se baseou em parecer técnico da Secretaria Municipal de Defesa Civil e Patrimonial, emitido em 15 de setembro. O documento recomendou a declaração de emergência diante da baixa ou ausência de chuvas nas cabeceiras dos rios.

A situação de emergência em Tefé vale por 180 dias, e o decreto autoriza dispensa de licitação para obras e serviços que respondam ao desastre, desde que concluídos nesse prazo, conforme a Lei de Licitações.

Pôr do sol no rio Amazonas perto de Maués, no Amazonas, município que decretou emergência por estiagem
Pôr do sol no rio Amazonas, perto de Maués (AM), um dos dois municípios que decretaram emergência por estiagem em 21 de setembro de 2026. Foto: Mestrejoel/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Por que os dois municípios classificaram o desastre como Nível II?

Nível II é a classificação usada pela Defesa Civil quando os danos superam a capacidade de resposta só do município, mas ainda não exigem ajuda estadual ou federal direta. Em Maués, o parecer técnico apontou que a extensão territorial e a dependência do transporte fluvial ampliaram os efeitos da estiagem além da capacidade municipal.

Em Tefé, o mesmo nível reconhece isolamento de comunidades, danos humanos e materiais, prejuízo ambiental e perdas econômicas, incluindo impacto em plantações e criações de animais, segundo o decreto.

O que os decretos autorizam nas duas cidades

Em Maués, o decreto libera fornecimento de água potável, cestas básicas, medicamentos e hipoclorito de sódio, além de manter as rotas do transporte escolar fluvial e a distribuição de merenda. Também prevê reparo de vias, ramais, pontes, passarelas e pontos de embarque.

Em Tefé, o decreto autoriza mobilizar órgãos da administração para resposta, reabilitação e reconstrução, além de convocar voluntários e abrir campanhas de arrecadação. Agentes da Defesa Civil podem entrar em imóveis em risco iminente para prestar socorro ou determinar evacuação.

A lista estadual já somava 12 municípios em emergência em 18 de setembro

Antes dos decretos de Maués e Tefé, o Governo do Amazonas já classificava 12 municípios em situação de emergência por estiagem, segundo boletim de 18 de setembro do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais, citado pelo Portal Tucumã.

A lista de 18 de setembro reunia Amaturá, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Caapiranga, Carauari, Eirunepé, Envira, Itamarati, Jutaí, Novo Aripuanã, São Paulo de Olivença e Tonantins. Nem Maués nem Tefé apareciam nessa lista antes dos novos decretos.

Como o número cresceu ao longo de setembro, de sete para doze municípios

Em 9 de setembro, um boletim do Governo do Estado apontava só sete municípios em emergência, Atalaia do Norte, Benjamin Constant, Carauari, Eirunepé, Itamarati, Manacapuru e São Paulo de Olivença, com outros 14 em alerta, segundo o site Fato Amazônico.

Em nove dias, a lista subiu para 12 municípios, incorporando Amaturá, Caapiranga, Envira, Jutaí, Novo Aripuanã e Tonantins, enquanto Manacapuru saiu da relação divulgada em 18 de setembro.

A seca também derruba o rio Negro em Manaus

A estiagem de 2026 também atinge a capital do Amazonas: o rio Negro caiu a 20,66 metros no porto de Manaus em 21 de setembro, mesma data dos decretos de Maués e Tefé. O Serviço Geológico do Brasil projeta a terceira maior seca já registrada na cidade.

A vazante em Manaus e a seca no interior fazem parte do mesmo fenômeno climático. Os boletins oficiais associam a intensidade da estiagem de 2026 à possível força do El Niño no segundo semestre do ano.

A queda dos rios já expôs outros efeitos no estado, como o resgate de um furão-da-Amazônia em Manaus e a descrição, pelo Inpa, do peixe elétrico com a maior descarga já medida em um rio amazônico.

Trecho do rio Amazonas entre Porto Velho e Manaus, no mesmo sistema de rios afetado pela estiagem de 2026
Trecho do rio Amazonas entre Porto Velho e Manaus, parte da mesma bacia hidrográfica afetada pela estiagem que levou Maués e Tefé a decretar emergência. Foto: Vinicius Matsumoto/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

Desde junho, o Amazonas já tinha um decreto preventivo por risco de El Niño

Em 1º de junho de 2026, o governador Roberto Cidade assinou o Decreto nº 54.274, publicado no Diário Oficial do Estado, que declarou Estado de Emergência Climática e Ambiental preventivo em todo o território amazonense, válido por 180 dias, segundo o site Amazonas1.

O decreto estadual de junho já tratava o risco de seca como emergência climática preventiva. O texto citou relatórios técnicos da Defesa Civil e permitiu flexibilizar regras de contenção de despesas para ações urgentes em todo o estado.

O total de municípios em emergência após os novos decretos ainda não tem boletim oficial

Até esta publicação, o boletim mais recente do Governo do Amazonas somava 12 municípios em emergência, sem contar os decretos desta semana. O total real pode já ser maior, mas juntar decretos municipais e estaduais por conta própria é arriscado sem um boletim que os some oficialmente.

Também não há, até esta publicação, confirmação de que o Estado tenha homologado os dois novos decretos, etapa que costuma anteceder o repasse de recursos e ajuda humanitária estadual às prefeituras.

O que vem a seguir, com os decretos valendo por 180 dias

Em Tefé, a situação de emergência vale por 180 dias a partir de 21 de setembro, prazo dentro do qual a prefeitura pode dispensar licitação para obras de resposta ao desastre. Já o decreto de Maués chegou ao público sem prazo de validade explícito no texto.

A tendência, pelo histórico da estiagem amazonense, é que novos municípios entrem na lista enquanto os rios continuam baixando rumo ao pico da seca, esperado para outubro. Você mora em algum desses municípios ou já viu de perto os efeitos da estiagem? Conte nos comentários.

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