A primavera de 2026 no Brasil começa com o Índice Niño 3.4 em 1,8°C acima da média, e o Inmet estima 75% de chance de o El Niño ser o mais forte desde 1950
O Índice Niño 3.4 chegou a 1,8°C acima da média em 10 de setembro de 2026, e o Inmet estima 75% de chance de o El Niño ser o mais forte desde 1950, com mais de 90% de chance de um evento muito forte na primavera, segundo o Inpe.
Imagem: mapa da anomalia de temperatura do Pacífico durante o El Niño de novembro de 2015, um dos mais fortes já registrados (esta imagem é de 2015, ilustrativa, não é o episódio de 2026). NOAA Climate.gov, via Wikimedia Commons, domínio público.
O Índice Niño 3.4, o principal termômetro do fenômeno no oceano Pacífico, chegou a 1,8°C acima da média em 10 de setembro de 2026, patamar que caracteriza um El Niño forte às vésperas da primavera no Brasil.
O dado consta do boletim de 10 de setembro divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia, que acompanha a evolução do fenômeno desde janeiro, quando o Brasil ainda estava sob La Niña.
A primavera de 2026 já começa sob alerta. O Índice Niño 3.4 subiu a 1,8°C acima da média em 10 de setembro, e o Inmet estima 75% de chance de o El Niño ser o mais forte desde 1950. O Inpe, por sua vez, projeta mais de 90% de chance de um evento muito forte entre setembro e novembro.
O Índice Niño 3.4 saiu de 0,7°C em junho para 1,8°C em setembro de 2026
O Inmet declarou o El Niño oficialmente em 11 de junho de 2026, quando o índice marcava 0,7°C acima da média. Um mês depois, em 9 de julho, a leitura já indicava 1,2°C, faixa classificada como intensidade moderada.
Em 13 de agosto, o índice chegou a 1,4°C, com o Inmet apontando "rápida intensificação" e mais de 90% de chance de um evento muito forte. No boletim seguinte, de 10 de setembro, o número saltou para 1,8°C.
Por que o Índice Niño 3.4 é o número que todo boletim cita
O Índice Niño 3.4 mede a temperatura da superfície do mar numa faixa específica do Pacífico central e equatorial, usada como referência mundial para monitorar o El Niño e a La Niña.
Segundo o Inpe, o fenômeno só é confirmado quando esse índice fica acima de 0,5°C por, no mínimo, cinco trimestres seguidos, o que evita classificar uma simples oscilação como El Niño.
O terceiro boletim do Painel El Niño reúne sete órgãos federais
O terceiro boletim do Painel El Niño 2026-2027 foi publicado em 2 de setembro de 2026, assinado por Inpe, Inmet, ANA, Cemaden, SGB, Sedec e Censipam.
O texto aponta mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte no trimestre de setembro a novembro, e 100% de chance de o fenômeno seguir presente até pelo menos o início de 2027.
O que a comparação com 1950 realmente significa
A série histórica que os meteorologistas usam para comparar El Niños começa em 1950 e reúne episódios fortes como os de 1957-58, 1972-73, 1982-83, 1997-98 e 2015-16, o mais recente da lista.
Quando o Inmet fala em "75% de chance de ser o mais forte desde 1950", a comparação é direta com esses cinco episódios, calculada para o trimestre de outubro a dezembro de 2026.
Por que o Sul deve ter mais chuva enquanto o Centro-Norte fica mais seco?
O El Niño muda a circulação atmosférica sobre o Pacífico e costuma deslocar as chuvas para o Sul do Brasil, ao mesmo tempo em que reduz a umidade que chega ao Norte e ao Nordeste.
O terceiro boletim do Painel El Niño prevê chuva acima da média no Rio Grande do Sul, estendendo-se ao Sul de São Paulo e ao Mato Grosso do Sul. Também prevê chuva abaixo da média no Centro-Norte do país, com temperatura acima da média em quase todo o território nacional.
No Rio Grande do Sul, o padrão de chuva mais forte já apareceu em setembro
O tipo de tempo que o El Niño costuma trazer para o Sul já deu as caras neste mês: em 18 de setembro, o Inmet emitiu alerta laranja para 226 municípios de Santa Catarina, com vento de até 100 km/h e risco de granizo.
O El Niño não causa uma tempestade isolada, mas eleva a chance de episódios assim se repetirem ao longo da primavera e do início do verão, segundo o padrão histórico descrito pelo Inmet para a região Sul.
Na Amazônia, a seca do rio Negro em Manaus já preocupa
Enquanto o Sul se prepara para mais chuva, a Amazônia segue o caminho oposto. O rio Negro caiu a 20,66 metros no porto de Manaus em 21 de setembro, e o Serviço Geológico do Brasil já citou o El Niño como fator de peso na intensidade da vazante.
A seca também deixa mais exposta a fauna típica da bacia em trechos rasos, como o peixe elétrico descrito pelo Inpa em rios de altitude da Amazônia brasileira.
A probabilidade de 75% não fecha o resultado, lembra o próprio boletim
Nenhum boletim trata os 75% como um veredito fechado: é uma probabilidade, recalculada a cada mês conforme novos dados chegam do Pacífico, e pode subir ou cair no próximo relatório.
A velocidade da mudança já apareceu neste ano: em janeiro, o Brasil ainda estava sob La Niña, com 75% de chance de transição para a neutralidade. Em junho, o cenário já era outro, com o El Niño oficialmente declarado.
O próximo boletim deve sair em outubro, já no auge do fenômeno
O Painel El Niño 2026-2027 é atualizado mensalmente, e o próximo número deve confirmar, ou revisar, a força do fenômeno no trimestre de outubro a dezembro, o período usado para a comparação com 1950.
Até lá, o Inmet segue publicando os boletins quinzenais com o valor mais recente do Índice Niño 3.4. Você já notou esse padrão de chuva ou calor mudando na sua cidade? Conta pra gente nos comentários.



