Um biólogo procura uma cobra no quintal de uma casa em Jaraguá do Sul e encontra uma coral de 70 centímetros escondida dentro de um tijolo
Cobra coral de 70 centímetros é encontrada dentro de um tijolo em Santa Catarina durante atendimento de resgate.
Uma cobra coral de cerca de 70 centímetros foi encontrada dentro de um tijolo em Santa Catarina. O registro foi divulgado pelo biólogo Christian Raboch e faz parte de uma sequência de atendimentos envolvendo animais. A identificação segura exige conhecimento especializado, pois padrões de cores não resolvem sozinhos essa tarefa.
Cobra coral verdadeira em imagem ilustrativa; a foto não é do animal resgatado. Foto: William Quatman/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0), imagem ilustrativa da espécie.
O biólogo Christian Raboch Lempek foi chamado a uma casa em Jaraguá do Sul depois que uma moradora avistou uma cobra no quintal. Quando ele chegou, o animal já tinha sumido de vista.
Segundo relato do próprio biólogo ao site ND Mais, em publicação de 21 de setembro, a moradora contou que "a senhora acabou avistando uma cobrinha, mas aí até eu chegar lá, já tinha se escondido". A procura terminou dentro de um tijolo largado no quintal.
Christian encontrou uma cobra coral de cerca de 70 centímetros dentro do tijolo. O resgate foi mostrado em vídeo publicado em 20 de setembro, junto de atendimentos a um cachorro-do-mato atropelado e a um gambá que entrou em uma escola de Jaraguá do Sul.
Cobra ficou escondida até o biólogo remexer um tijolo empilhado
A moradora viu a cobra, mas ela já havia se escondido quando Christian chegou. A procura pelo quintal terminou no tijolo, onde o biólogo localizou o animal e conseguiu fazer o resgate.
O resgate faz parte da rotina do biólogo, que atua na região atendendo chamados de moradores que encontram animais silvestres em casas, quintais e terrenos de Jaraguá do Sul e cidades vizinhas.
Você sabe reconhecer a cobra coral verdadeira?
As cores não são um método seguro para distinguir corais. O Instituto Butantan explica que falsas-corais podem imitar a aparência e comportamentos das verdadeiras. Algumas também possuem veneno, embora menos potente.
Por isso, uma pessoa sem preparo não deve tentar identificar a cobra pegando o animal. No caso de Jaraguá do Sul, a moradora chamou o biólogo depois de avistar a serpente no quintal.
Veneno da coral é considerado o mais forte entre as serpentes do país
A reportagem do ND Mais descreveu o animal como a cobra mais venenosa do Brasil, classificação associada à potência do veneno da espécie, que age no sistema nervoso.
Apesar disso, acidentes com cobra coral são raros no país: a presa curta e o comportamento discreto do animal fazem a maioria dos casos graves de picada de serpente no Brasil vir de outras famílias, como a jararaca.
No mesmo dia, um cachorro-do-mato foi atropelado perto dali
Horas antes do resgate da cobra, o mesmo biólogo atendeu um cachorro-do-mato atropelado na região. O animal foi recolhido ainda na manhã de domingo.
Christian disse ao ND Mais que o cachorro-do-mato é comum na região e sofre com atropelamentos. O exemplar atendido naquela manhã foi colocado em uma caixa de transporte e levado ao veterinário.
É um problema parecido com o que acontece com outras espécies da fauna nativa, como mostra o caso da onça Manchita, filmada sozinha no Brasil depois de cruzar a fronteira.
Animal foi levado para atendimento veterinário depois do resgate
Depois de recolhido, o cachorro-do-mato foi colocado em uma caixa de transporte e levado para atendimento veterinário, seguindo o procedimento padrão para fauna silvestre ferida na região.
O atendimento ao cachorro-do-mato foi o primeiro dos três apresentados no vídeo. Depois, Christian seguiu para o chamado na escola e, por último, procurou a cobra que havia desaparecido no jardim.
Terceiro resgate do fim de semana envolveu um gambá na escola
Ainda no mesmo período, o biólogo atendeu a um terceiro chamado: um gambá encontrado dentro do refeitório de uma escola da região.
Uma professora havia colocado o gambá em um lixeiro. Christian contou que ele pulou do recipiente e foi pego no ar. Como era um jovem capaz de sobreviver sozinho, o biólogo o soltou em uma área de mata.
Identificar direito a espécie antes de agir é sempre o primeiro passo, o mesmo cuidado que separa animais parecidos, como no caso do cateto e do queixada, silvestres que costumam ser confundidos entre si.
Nem toda cobra encontrada em casa é a mais perigosa
O Butantan orienta não tentar capturar uma serpente por conta própria. Manter distância e procurar ajuda especializada evita que a tentativa de resolver o encontro se transforme em acidente.
A orientação de especialistas é sempre a mesma diante de qualquer cobra, peçonhenta ou não: manter distância, afastar crianças e animais domésticos e chamar um profissional, em vez de tentar resolver o encontro por conta própria.
O que fazer se encontrar uma cobra coral em casa?
A recomendação de biólogos é não tocar nem tentar matar o animal. O procedimento correto é isolar o local, impedir a aproximação de pessoas e acionar o corpo de bombeiros, a defesa civil ou um biólogo habilitado para o resgate.
Foi exatamente esse fluxo que levou ao resgate em Jaraguá do Sul: o chamado de uma moradora e a ida de um profissional ao local, sem que ninguém tentasse capturar a cobra sozinho.
Resgates de animais silvestres seguem comuns no norte de Santa Catarina
Casos como os de Jaraguá do Sul aparecem com frequência na rotina de biólogos que atendem a região, misturando espécies como cobra coral, cachorro-do-mato e gambá em um único fim de semana.
Os três atendimentos tiveram encaminhamentos diferentes: a coral foi resgatada, o cachorro-do-mato foi levado ao veterinário e o gambá voltou à mata. Você já encontrou um animal silvestre escondido em casa? Conte sua experiência nos comentários.



