A chuva de meteoros Orionídeas, formada pelos restos do cometa Halley, tem pico visível em todo o Brasil na noite de 21 para 22 de outubro de 2026, com a Lua quase cheia atrapalhando os meteoros mais fracos
Todo outubro a Terra atravessa a poeira deixada pelo cometa Halley, e o resultado é a chuva Orionídeas. Em 2026 o pico é na madrugada de 21 para 22 de outubro, com até 20 meteoros por hora em céu escuro, mas a Lua quase cheia vai apagar boa parte dos meteoros mais fracos.
Fotografia composta mostra vários meteoros da chuva Orionídeas riscando o céu perto da constelação de Órion, visível no canto superior esquerdo. Foto: Jim Vajda/Wikimedia Commons (CC BY 2.0).
A chuva de meteoros Orionídeas chega ao ponto mais forte na noite de 21 para 22 de outubro de 2026, com visibilidade boa em todo o Brasil. O dado vem do calendário de chuvas de meteoros da American Meteor Society (AMS), entidade internacional que reúne astrônomos amadores e profissionais que monitoram esses fenômenos.
Em condições de céu escuro e sem nuvens, a AMS estima de 10 a 20 meteoros por hora no pico. A cobertura brasileira baseada em dados da Nasa repete o mesmo número. Para quem confunde estrela cadente, meteoro, bólido e meteorito, o Watts & Wild já explicou a diferença entre os quatro termos, sem precisar repetir aqui.
Direto ao ponto: o pico das Orionídeas 2026 é na madrugada de 21 para 22 de outubro, com até 20 meteoros por hora em local escuro. A Lua vai estar entre 74% e 80% iluminada nessa noite, segundo a AMS e a cobertura brasileira baseada em dados da Nasa, o que deve apagar os meteoros mais fracos.
Orionídeas têm pico marcado para a noite de 21 para 22 de outubro no Brasil
O calendário da AMS marca o máximo da chuva na virada de 21 para 22 de outubro de 2026. É nessa madrugada que a Terra passa pela região mais densa de detritos deixados pelo cometa Halley, e a quantidade de meteoros por hora sobe ao nível mais alto do ano nesse fenômeno.
A atividade não se resume a uma única noite: a AMS lista o período ativo entre 2 de outubro e 7 de novembro de 2026, com taxas bem mais baixas nas pontas do intervalo. Quem só puder observar alguns dias antes ou depois do pico ainda tem chance de ver meteoros isolados, em quantidade bem menor.
A chuva é formada pela poeira que o cometa Halley deixou para trás
As Orionídeas não vêm de um asteroide nem de rocha recente. São grãos de poeira e gelo liberados pelo núcleo do cometa Halley em suas passagens pelo Sistema Solar interno.
O Halley visitou as proximidades da Terra pela última vez em 1986 e só deve retornar em 2061. Mesmo assim, o rastro que ele deixou continua cruzando o caminho da Terra todo outubro.
O mesmo cometa também alimenta outra chuva, as Eta Aquáridas, vista no início de maio. A Terra cruza o rastro de detritos do Halley em dois pontos diferentes da própria órbita ao longo do ano, e outubro marca o segundo desses encontros.
Por que os meteoros das Orionídeas são tão rápidos?
A Terra encontra de frente as partículas deixadas pelo Halley em sua órbita. Isso faz os meteoros dessa chuva entrarem na atmosfera a cerca de 66 quilômetros por segundo, uma das velocidades mais altas do calendário anual de chuvas de meteoros.
A alta velocidade também deixa rastros luminosos que duram mais tempo no céu depois que o meteoro já passou, porque o gás ionizado pelo atrito com a atmosfera leva alguns segundos para se apagar. É um dos sinais que ajudam a reconhecer uma Orionídea.
A Lua quase cheia vai atrapalhar os meteoros mais fracos em 2026
O maior obstáculo para observar bem as Orionídeas em 2026 não é o clima, é a fase da Lua. Ela estará entre 74% iluminada, segundo o cálculo da AMS, e cerca de 80%, segundo a cobertura brasileira baseada em dados da Nasa, numa fase crescente gibosa a poucos dias da Lua cheia de 26 de outubro.
Ainda assim, sobra uma janela mais favorável: a Lua se põe antes do amanhecer. Esse intervalo final da madrugada tende a ser o momento de céu mais escuro para tentar ver os meteoros mais brilhantes, os únicos com boa chance de furar o brilho lunar.
Qual a melhor hora para observar as Orionídeas no céu brasileiro?
A recomendação da cobertura astronômica é observar depois da meia-noite de 21 de outubro até o amanhecer de 22 de outubro. Nesse horário o radiante da chuva, o ponto do céu de onde os meteoros parecem se espalhar, sobe mais alto e fica mais fácil de ver em qualquer região do Brasil.
Não é preciso esperar um horário exato nem consultar aplicativo para achar o momento certo. Quanto mais tarde na madrugada, maior a chance de flagrar um meteoro, porque o radiante ganha altura e a Lua já começa a se aproximar do horizonte.
Onde olhar no céu: a dica é não fitar direto a constelação de Órion
O radiante das Orionídeas fica perto da estrela Betelgeuse, na constelação de Órion, fácil de reconhecer pelo alinhamento de três estrelas que forma o cinturão de Órion. Mas olhar direto para esse ponto não é a melhor estratégia.
A recomendação de quem observa meteoros é mirar de 45 a 90 graus de distância do radiante, cobrindo uma faixa ampla do céu a olho nu, sem telescópio nem binóculo. Deitar em uma cadeira reclinável ou no chão, com os pés apontados para o nordeste, ajuda a enxergar mais área de uma vez.
Norte e Nordeste têm vantagem, mas o fenômeno é visto do país inteiro
Diferente de chuvas restritas ao Hemisfério Norte, as Orionídeas podem ser observadas de norte a sul do Brasil, porque o radiante em Órion fica numa faixa do céu visível dos dois hemisférios. A cobertura astronômica brasileira aponta leve vantagem para quem está no Norte e no Nordeste, onde a constelação sobe mais alta.
Quem mora em capitais e regiões metropolitanas enfrenta um obstáculo extra: a poluição luminosa das cidades apaga o brilho dos meteoros mais fracos tanto quanto a Lua. Se der para se afastar da área urbana, mesmo poucos quilômetros já fazem diferença.
Em anos raros, as Orionídeas já produziram bem mais meteoros por hora
A taxa normal de 10 a 20 meteoros por hora não é fixa todos os anos. A AMS registra que, entre 2006 e 2009, a chuva chegou a produzir de 50 a 75 meteoros por hora em alguns picos, valor comparável ao das Perseidas de agosto, uma das chuvas mais fortes do calendário.
Não há previsão de repetição desse pico excepcional para 2026: a expectativa oficial continua na faixa de 10 a 20 meteoros por hora. Quem quiser comparar com outro fenômeno raro do céu, vale ler sobre a explicação para Vênus não ter nenhuma lua, ao contrário da Terra.
O que pode estragar a noite, além da Lua
Mesmo em local escuro e longe da cidade, nuvens e chuva bastam para zerar a observação, e outubro já entra na temporada mais instável do ano em boa parte do Brasil. Vale checar a previsão do tempo local horas antes de se programar para ficar acordado de madrugada.
A quantidade de meteoros por hora também é uma média sob céu perfeito, sem Lua e sem poluição luminosa. Na prática, a maioria de quem observar de uma cidade grande deve ver bem menos do que os 10 a 20 por hora citados pela AMS.
As Orionídeas fecham um ano com poucas chuvas fortes para o Brasil
Depois das Orionídeas, o próximo grande evento do calendário é em dezembro, com as Geminídeas, geralmente mais intensas. O radiante delas, porém, fica em posição menos favorável para quem observa do Hemisfério Sul.
Isso torna a madrugada de 21 para 22 de outubro uma das poucas janelas boas do segundo semestre para quem gosta de reservar um horário para olhar para o céu.
Vale acordar de madrugada para as Orionídeas mesmo com a Lua quase cheia atrapalhando, ou melhor esperar um ano de céu mais escuro? Conte pra gente nos comentários.



