Pantanal vira refeitório para peixes na cheia, e a seca forte pode matar bichos aquáticos
O Pantanal vive de um ciclo anual de enchente e seca que os cientistas chamam de pulso de inundação, e esse ritmo da água define a riqueza, a distribuição e a abundância da vida na região. A explicação vem da Embrapa Pantanal, a unidade de pesquisa da Embrapa que estuda a planície.
Imagem: MTur Destinos/Wikimedia Commons (Public domain). Origem: upload.wikimedia.org.
Em outras palavras, o que parece mato num mês pode virar lago no outro, e os bichos acompanham essa mudança.
O que é o pulso de inundação
O pulso de inundação é o nome científico do processo anual de cheia e seca do Pantanal. Em ecologia, ele é um "processo ecológico essencial": sem ele, a vida da planície não funcionaria como funciona.
Plantas e animais estão adaptados a essas oscilações. Além do ciclo de cada ano, a Embrapa registra uma alternância entre períodos de anos muito chuvosos e anos relativamente secos.
Por que a água demora tanto a sair
A planície é muito plana: a declividade média é de 3 a 5 centímetros por quilômetro, no sentido norte-sul. Com tão pouco desnível, a água das chuvas escoa com dificuldade e fica parada por muito tempo.
O formato do rio Paraguai e de seus afluentes ajuda a prender a água. Eles são sinuosos, cheios de curvas. Barreiras de relevo e de geologia também retardam o fluxo. Uma das fontes cita áreas alagadas por até 8 meses, por extravasamento dos rios ou por chuvas locais, mas o número depende do local e do ano.
Como a cheia muda a vida dos animais
Na cheia, a vegetação alagada se decompõe, e os detritos viram alimento para peixes detritívoros, como o curimbatá e o sairu. Durante a inundação, a fauna se desloca de forma ativa e passiva entre os ambientes da planície, em busca de comida e para se reproduzir.
A seca favorece as espécies terrestres, e a cheia favorece as aquáticas. Em secas muito fortes, a mortalidade de animais aquáticos aumenta e os bichos terrestres se concentram perto de poças e canais que sobram.
O que mantém o ciclo funcionando
Segundo a Embrapa, conservar as sub-bacias do Alto Paraguai é fundamental para manter as inundações anuais. É na cabeceira que nasce a água que abastece a planície, e por isso o cuidado com os rios vai além dos limites do Pantanal.
Para entender como a água molda outras paisagens brasileiras, o Rota Planeta explica a melhor época para ver as lagoas cheias nos Lençóis Maranhenses e como o vento e a areia formam as dunas. Para visitar o Pantanal, os meses da cheia e da seca mudam de um ano para o outro, então confira a previsão do nível dos rios antes de reservar passeios.
Fonte: gov.br.
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