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Deserto do Atacama abriga observatórios por um motivo que vai além da altitude

O deserto do Atacama, no norte do Chile, reúne grandes observatórios porque junta ar muito seco, céu limpo e altitude, e a combinação deixa a luz dos astros chegar quase sem obstáculos. A explicação aparece em fontes do Observatório Europeu do Sul (ESO), em reportagens e no site oficial de turismo do Chile.

Imagem de divulgação: Deserto do Atacama abriga observatórios por um motivo que vai além da altitude

Imagem: ESO/B. Tafreshi/Wikimedia Commons (CC BY 4.0). Origem: upload.wikimedia.org.

A altitude ajuda, mas não explica tudo: o ar seco e a ausência de luz artificial pesam tanto quanto.

Dois observatórios, duas altitudes

O complexo de Paranal, do ESO, fica a 2.635 metros de altitude e abriga o Very Large Telescope (VLT). O ESO descreve o ambiente como resultado de ar muito limpo e em grande altitude, o que dá céus extremamente claros. Ali também está sendo construído o ELT, outro telescópio do ESO.

O ALMA, no Llano de Chajnantor, fica ainda mais alto, a cerca de 5.000 metros, com 66 antenas, segundo reportagem do BBVA. A altitude exata varia conforme a fonte e o ponto do conjunto de antenas.

Cena de reportagem: file:ALMA Antennas on Chajnantor.jpg - Wikipedia, no trecho “Por que o ar seco faz diferença”
Foto: Iztok Bončina/ESO/Wikimedia Commons (CC BY 4.0). Fonte

Por que o ar seco faz diferença

No ALMA, a pequena quantidade de água na atmosfera facilita a passagem das ondas milimétricas e submilimétricas vindas do espaço. Esse tipo de onda é absorvido pelo vapor d'água, e por isso um lugar muito seco e muito alto é ideal para captá-lo.

O céu limpo tem o mesmo efeito em quem observa com telescópios ópticos: menos nuvens e menos umidade significam imagens mais nítidas. O site oficial de turismo do Chile diz que o país tem mais de 300 noites limpas por ano, somando ar seco e pouca poluição luminosa. Esse número vem de turismo, e não de relatório técnico, então trate como referência geral.

Escuridão também é recurso

Telescópios precisam de escuro. A poluição luminosa, a luz artificial que sobe das cidades, atrapalha a observação. O norte do Chile tem poucas cidades e áreas muito vazias, o que ajuda a manter o céu escuro.

Uma reportagem recente da Swissinfo relata que o ESO comemorou o cancelamento de um projeto de hidrogênio verde perto de Paranal, que a instituição via como ameaça à escuridão e à limpeza do céu. A mesma reportagem diz que a decisão ainda precisava ser ratificada pelas autoridades locais.

Cena de reportagem: file:ALMA antennas on Chajnantor.jpg - Wikipedia, no trecho “O que ver para quem visita”
Foto: ESO/B. Tafreshi (twanight.org)/Wikimedia Commons (CC BY 4.0). Fonte

O que ver para quem visita

O Chile Travel destaca o astroturismo, ou skywatching, entre as atividades do deserto do Atacama e do altiplano. Quem quer ver o céu pode procurar observatórios abertos ao público e passeios noturnos. Confira horários e se há reserva obrigatória antes de ir.

Para ler mais sobre o céu, o Rota Planeta explica por que a Lua mostra quase sempre a mesma face e por que as auroras mudam de cor.

Fonte: chile.travel.

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