Ciência e tecnologia

NASA libera 11 mil imagens inéditas da Lua feitas pela Artemis 2

A tripulação da Artemis 2 voltou da Lua em abril com fotos, áudios e anotações, e agora esse material está aberto a qualquer pessoa. Qualquer um pode baixar os arquivos, sem pagar. O difícil é saber por onde começar num pacote de mais de 800 gigabytes.

Disco escuro da Lua cobrindo o Sol, com a coroa solar brilhando em volta, em uma das imagens inéditas da Lua feitas pela Artemis 2

A Lua cobrindo o Sol, vista pela tripulação da Artemis II durante o sobrevoo de 6 de abril de 2026. Foto: NASA (art002e009301), Wikimedia Commons, domínio público, recortada.

A NASA liberou na quarta-feira (7/10) o conjunto completo de dados científicos lunares da Artemis 2, com mais de 800 GB, mais de 11 mil imagens e vídeos em resolução máxima e 8,5 horas de áudio dos astronautas. Parte do material ainda não tinha sido divulgada, segundo o comunicado da agência.

Os arquivos entraram no Planetary Data System (PDS), o arquivo público da NASA para missões planetárias. Além das imagens das câmeras de mão da tripulação e das câmeras da nave Orion, há fotos com anotações feitas pelos próprios astronautas.

O que a tripulação deixou no arquivo

A Orion partiu em 1º de abril de 2026 com Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense.

No ponto mais próximo, em 6 de abril, a nave passou a cerca de 6.545 km acima da face oculta da Lua. O pouso no Pacífico foi em 11 de abril, segundo a página do arquivo no PDS Geosciences Node.

A NASA diz que é o primeiro conjunto de dados de ciência planetária captado principalmente por seres humanos em mais de meio século.

Seis pacotes, três endereços no PDS

O arquivo não é uma pasta única. Cada tipo de dado fica num pacote, e os pacotes moram em nós diferentes do PDS. A tabela abaixo organiza essa divisão, conforme a página oficial do arquivo.

Pacote no arquivoO que tem dentroOnde fica no PDS
Câmeras de mão da tripulaçãoFotos da Lua, da Terra e do espaço profundo, tiradas com Nikon D5 e Nikon Z9Nó de Cartografia e Ciências de Imagem
Câmeras da OrionImagens e vídeos da nave durante o sobrevoo lunarNó de Cartografia e Ciências de Imagem
Áudio da missãoObservações gravadas, conversas com a Terra, transcrições e anotações da tripulaçãoNó de Cartografia e Ciências de Imagem
Ambiente da OrionTemperatura, umidade e ponto de orvalho nos armários de armazenamentoNó de Geociências
Documentos da missãoGuia de uso dos dados, plano de ciência aberta e pacote de alvos lunaresNó de Geociências
SPICEGeometria das observações (onde a nave estava e para onde apontava)Nó NAIF, atrasado, sem data

Arte: Watts & Wild, com dados da página do arquivo da Artemis II no PDS Geosciences Node, de 7 de outubro de 2026.

Como abrir as imagens inéditas da Lua e os áudios

A página da Artemis 2 no PDS manda começar pelo Guia do Usuário dos Dados, que descreve o arquivo inteiro. A seção 6 dele lista as ferramentas para ler, exibir e validar os arquivos.

Para buscar fotos, o caminho é o PDS Image Atlas, que filtra os produtos da tripulação e da Orion por horário, câmera e nível de processamento. Quem não sabe em qual nó está o dado usa o PDS Data Search, que varre todos eles.

As imagens e tabelas com rótulo PDS4 abrem no PDS4 Viewer, programa gratuito para Windows, Mac e Linux. O próprio PDS informa que não cobra pelos dados nem pelas ferramentas, e que os dados podem ser exportados para fora dos EUA.

Christina Koch e Victor Glover, de perfil e na penumbra, olham juntos por uma janela da cápsula Orion durante o sobrevoo da Lua
Christina Koch (embaixo) e Victor Glover dividem uma janela da Orion no sexto dia da missão, 6 de abril de 2026. Foto: NASA, NASA Image and Video Library, domínio público, recortada.

O que os astronautas viram, nas palavras deles

Junto com os dados, a NASA publicou o Relatório Preliminar de Ciência Lunar, o Relatório de Operações Científicas e o Guia do Usuário. O primeiro, resumido numa página do NASA Science, destaca o que a tripulação notou olhando pela janela.

O caso mais chamativo foram cinco clarões minúsculos na superfície, vistos a cerca de 46 mil milhas (uns 74 mil km) da Lua. Depois de descartar raios cósmicos e reflexos da nave, a equipe de ciência confirmou as observações.

Pelo brilho, a NASA estima que cada rocha tinha poucos centímetros, no máximo duas polegadas, mas viajava a milhares de quilômetros por hora. O eclipse de quase uma hora, com o Sol coberto pela Lua, deu o escuro necessário para ver os clarões.

Koch descreveu uma região colorida como “uma bochecha amarelada da Lua”, na tradução livre do áudio publicado pela NASA. Glover chamou o terminador, a linha entre o dia e a noite lunares, de a coisa mais marcante que tinha visto até ali.

Eclipse visto do lado de lá

Do outro lado da Lua, o Sol ficou bloqueado por quase uma hora. Nesse intervalo a tripulação registrou planetas como Marte e Saturno, galáxias, estrelas e o brilho suave da luz zodiacal, causada por luz do Sol refletida na poeira interplanetária.

A Terra, azul e branca, aparece por trás do horizonte cheio de crateras da face oculta da Lua em imagem da Artemis 2
Nascer da Terra sobre o horizonte lunar, imagem art002e021278 da Artemis II, de 6 de abril de 2026. Foto: NASA, NASA, domínio público, recortada.

Também deu para ver a coroa solar, a atmosfera externa do Sol, que na Terra só aparece com instrumentos ou em eclipses curtos.

Os cientistas ainda não sabem por que ela é milhões de graus mais quente que a superfície solar. É a camada que alimenta o clima espacial, tema de quando uma erupção solar pode derrubar internet e Pix.

Para que serve a Lua fotografada por gente

A diferença das sondas é que humanos decidiram na hora o que olhar. Isso importa para as próximas missões, porque cores e contrastes mudam com o ângulo da luz, e nos polos lunares a iluminação é extrema.

Segundo a NASA, as informações já ajudam a planejar a Artemis 3. Para comparar com o olhar de uma sonda, veja a nova cratera registrada pela LRO. E sobre a astronauta da foto acima, leia quando Koch puxou o hino dos Eagles na NFL.

O que ainda falta no pacote

Nem tudo está no ar. O pacote SPICE, que guarda a geometria das observações, foi atrasado no nó NAIF e a página do PDS diz apenas que deve sair em breve, sem data.

O comunicado diz que alguns dados estavam inéditos, o que não faz de todas as 11 mil imagens novidade. O relatório é preliminar, e o que a NASA conta sobre os clarões e as cores é a leitura da própria equipe dela.

Quem for baixar deve considerar que a página do arquivo e os documentos estão em inglês e que o conjunto tem centenas de gigabytes. Começar pelo guia e pelo Image Atlas evita baixar o que não interessa.

Fontes: NASA, comunicado de 7 de outubro de 2026. PDS Geosciences Node, página do arquivo da Artemis II. NASA Science, guia do relatório preliminar de ciência lunar. Planetary Data System. Olhar Digital, 8 de outubro de 2026.

Espaço de anúncio

Mais do Watts & Wild

Mais em Ciência e tecnologia →

A natureza do Brasil, uma vez por dia

Sem spam. Só o que viralizou no Brasil, checado e explicado, direto no seu e-mail.