Uma pedra do tamanho de um prédio bateu na Lua em 2024 e abriu uma cratera maior que o Coliseu, e a Nasa só descobriu agora como isso passou batido
A sonda LRO, da Nasa, flagrou uma cratera nova na superfície lunar com 222 metros de diâmetro e 43 metros de profundidade, formada por um impacto ocorrido entre 11 de abril e 22 de maio de 2024 que ninguém percebeu na hora, confirmado só agora em estudo publicado em 16 de setembro de 2026.
A sonda LRO comparou fotos da mesma área em datas diferentes e achou o rastro do impacto que formou a cratera McGetchin, indicado pelas setas. Foto: NASA Goddard/Intuitive Machines/Robert Wagner.
A Nasa confirmou, em 16 de setembro de 2026, a descoberta de uma cratera nova na Lua batizada de McGetchin, formada pelo impacto de um fragmento de asteroide ou cometa do tamanho de um prédio de três a seis andares. O choque aconteceu entre 11 de abril e 22 de maio de 2024, mas só foi identificado quando a equipe da sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) comparou fotos do mesmo trecho da Lua tiradas em datas diferentes, segundo o comunicado oficial da agência.
Com 222 metros de diâmetro e até 43 metros de profundidade, a McGetchin é a maior cratera já flagrada se formando no Sistema Solar, cerca de três vezes o tamanho do recorde anterior, também registrado pela LRO. O achado foi detalhado em dois estudos publicados na revista científica Science Advances e repercutiu em veículos como a Exame e o Olhar Digital nos dias 16 e 17 de setembro de 2026.
A sonda LRO encontrou uma cratera nova de 222 metros na Lua, criada por um impacto em 2024 e confirmada só em estudo de setembro de 2026. É a maior cratera recém-formada já observada no Sistema Solar, segundo a Nasa e os estudos na Science Advances.
A nova cratera McGetchin apareceu na Lua entre abril e maio de 2024
O impacto que formou a cratera aconteceu num intervalo curto, entre 11 de abril e 22 de maio de 2024, numa região da face visível da Lua já bastante fotografada pela LRO ao longo dos anos. A cratera recebeu o nome de McGetchin, em homenagem a Thomas McGetchin, cientista lunar e ex-diretor do Lunar and Planetary Institute, em Houston.
Não existe nenhuma sonda ou telescópio vigiando a Lua o tempo todo à espera de um flash de impacto daquele tamanho, por isso o choque passou batido na hora em que aconteceu. A descoberta só veio à tona quase um ano e meio depois, quando a equipe da missão cruzou imagens da mesma área feitas em momentos diferentes e notou uma mancha escura que não estava ali antes.
Por que ninguém viu o impacto acontecer na hora?
O responsável por notar a mudança foi Robert Wagner, especialista em processamento de imagens da Intuitive Machines, ao comparar fotos da sonda LRO tiradas em momentos diferentes sobre o mesmo ponto da Lua. "Eu simplesmente parei tudo e comecei a investigar o que era aquele ponto", disse Wagner, segundo o comunicado divulgado pela Nasa em 16 de setembro de 2026.
Do primeiro sinal até virar notícia oficial, o caminho foi longo. A mancha apareceu pela primeira vez nos dados em agosto de 2025, ganhou fotos mais detalhadas logo depois e só virou achado confirmado com a publicação dos dois estudos na Science Advances, em setembro de 2026, quase dois anos e meio depois do impacto original.
O objeto que caiu tinha o tamanho de um prédio de seis andares
Os cientistas estimam que o fragmento de asteroide ou cometa que atingiu a Lua tinha entre três e seis andares de altura, um corpo pequeno para os padrões espaciais, mas suficiente para escavar uma cratera de 222 metros de diâmetro e até 43 metros de profundidade, o equivalente, segundo a Nasa, a empilhar três ônibus escolares na vertical.
Pela extensão, a McGetchin é maior que o Coliseu de Roma e deixa para trás o recorde anterior de cratera recente observada pela LRO: o novo buraco é cerca de três vezes maior do que o maior impacto recém-formado já flagrado no satélite até então, segundo o Phys.org.
Por que um evento desses é tão raro na Lua?
Segundo os autores do estudo, impactos do porte da McGetchin acontecem na Lua, em média, uma vez a cada século, o que torna o achado praticamente único para quem estuda o satélite de perto. A estimativa aparece tanto no material oficial da Nasa quanto na cobertura do Olhar Digital sobre os dois artigos científicos publicados na mesma semana.
Isso não quer dizer que impactos menores sejam raros: meteoros pequenos atingem a Lua com frequência, mas normalmente deixam marcas de poucos metros, difíceis de notar nas imagens de rotina da LRO. O que torna a McGetchin especial é a combinação de um tamanho grande com uma detecção quase acidental, feita por comparação de fotos, e não por observação direta do choque.
A descoberta ajuda a Nasa a entender como a Lua muda com o tempo
Para a equipe da missão, o achado é mais do que uma curiosidade: ele mostra, na prática, como impactos revolvem a poeira da superfície lunar (o regolito) e ajudam a datar outras regiões da Lua. "Estamos passando a pensar nos impactos como uma forma de lavrar o regolito, revirando os sedimentos", afirmou David Paige, professor da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla) e coautor de um dos estudos, segundo o Phys.org.
A ejeção de material do impacto perturbou uma faixa de mais de 100 quilômetros ao redor da cratera e criou uma zona termicamente diferente, de cerca de 7 quilômetros, visível nos mapas de temperatura feitos pela sonda. Esse tipo de marca ajuda os cientistas a calibrar quantos impactos desse porte a Lua recebe de fato ao longo do tempo.
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Nos comentários do vídeo sobre a cratera, a pergunta é sobre risco para a futura base lunar
O vídeo "UMA NOVA CRATERA MONSTRUOSA FOI DETECTADA NA LUA!!!", publicado pelo canal de ciência Space Today em 17 de setembro de 2026, já passa de 51 mil visualizações e reuniu 91 comentários no mesmo dia da notícia. Entre eles, a pergunta que mais aparece não é sobre o passado, mas sobre o futuro: dá para confiar na Lua quando a Nasa mandar gente para morar lá?
"Isso é uma informação extremamente importante para sabermos do risco de uma base lunar", escreveu @labressiani. Na mesma linha, @jhoumonteiiro perguntou: "A lua é constantemente atingida por meteoritos etc, não seria perigoso pra quem estiver lá quando eles construirem a base lunar?" A resposta, pelos números do próprio estudo, tranquiliza em parte: um impacto do tamanho da McGetchin acontece, em média, uma vez a cada século, embora impactos menores sejam de fato mais frequentes e costumem deixar marcas de poucos metros, difíceis de notar.
Outro comentário foi direto ao ponto que mais intriga: "Para ninguém ter visto isso, deve ter vindo do lado diurno da Terra/Lua. Será que dá pra calcular o tamanho desse negócio que colidiu com a Lua?", questionou @eduardovieira9990. O tamanho já foi calculado (entre três e seis andares de prédio), e o motivo de ninguém ter visto na hora não é a posição do impacto, e sim a ausência de vigilância constante: nenhuma sonda fica de plantão esperando um flash, e o achado só veio à tona quando a equipe da LRO comparou fotos de datas diferentes. Já @btlgrscl reclamou do contraste: "os caras já acharam coisa que deveria ser mais velha que o big bang, mas não registram um impacto no satélite natural da terra". A explicação é a mesma: existe telescópio e sonda observando o universo distante o tempo todo, mas nenhum vigiando cada metro quadrado da Lua em tempo real.
A data do impacto é um chute educado, não um horário cravado
O estudo não deixa dúvida sobre a existência da cratera, documentada em imagens de antes e depois e descrita em dois artigos revisados por pares na Science Advances, mas a data exata do impacto continua sendo uma estimativa: os cientistas sabem que ele aconteceu entre 11 de abril e 22 de maio de 2024 porque é o intervalo entre duas passagens da sonda sobre aquele ponto, não um horário cravado.
A frequência de "uma vez por século" também é uma média estatística, calculada a partir do histórico de crateras conhecidas, não uma previsão de quando o próximo impacto grande vai acontecer. Pode levar décadas para surgir outra McGetchin, ou a Lua pode ser atingida de novo amanhã, sem aviso, exatamente como aconteceu dessa vez.
Nasa confirma que a cratera de 222 metros é a maior já flagrada se formando na Lua
Passados mais de dois anos do impacto, a Nasa fechou o caso: a McGetchin entra para os registros oficiais como a maior cratera recém-formada já documentada no Sistema Solar, um marco que só foi possível graças ao monitoramento contínuo da LRO, em órbita lunar desde 2009, e ao trabalho de comparar milhares de imagens da superfície.
A confirmação também reforça um alerta silencioso: se um impacto desse tamanho passou batido na Lua, que fica a poucos dias de distância da Terra, por quase um ano e meio, quantos outros episódios parecidos podem ter acontecido sem que ninguém tenha reparado ainda? Um buraco de 222 metros passou despercebido por quase um ano e meio na Lua. Essa descoberta silenciosa já tinha chegado até você, ou é novidade completa?



