Laguna Colorada, na Bolívia, deve a cor de ferrugem a algas
Vista do espaço, a água parece sangue derramado no deserto andino. Astronautas da Estação Espacial Internacional fotografaram a lagoa em setembro de 2023, e a NASA explicou a cor: ela vem de vida minúscula num lago salgadíssimo.
Laguna Colorada, no altiplano da Bolívia. A foto é de solo, não da estação espacial. Foto: Christian Mehlführer, Wikimedia Commons, licença CC BY 3.0, recortada.
A Laguna Colorada, na Bolívia, tem cor de ferrugem porque algas e outros microrganismos colorem a água rasa e muito salgada. A explicação é da NASA, na imagem do dia de 29 de outubro de 2023 do Earth Observatory, com fotos feitas por astronautas na estação espacial.
A lagoa vermelha vista da estação espacial
A lagoa fica no alto deserto dos Andes bolivianos e o nome quer dizer Lagoa Vermelha. A foto principal da NASA, registrada em 7 de setembro de 2023, mostra os tons de ferrugem típicos de ambientes hipersalinos.
Segundo a agência, astronautas da estação capturam com frequência esse fenômeno de água com aspecto de sangue. A cor vem de algas e bactérias com pigmento vermelho e também de sedimentos.
O que faz a água ficar vermelha
Na Laguna Colorada, o pigmento vem das algas vermelhas. A NASA diz que o crescimento delas depende de uma combinação de intensidade de luz, teor de sal, pH e temperatura da água.
A agência não nomeia a espécie de alga, e a Watts & Wild também não. O que a NASA afirma é o ambiente: água rasa e muito salgada, onde esses organismos prosperam e tingem a lagoa.
Outros lugares com água cor de ferrugem
Fenômeno parecido, diz a NASA, aparece no Great Salt Lake, nos Estados Unidos, e no Lago Aralsor, no Cazaquistão. Água vermelha, portanto, nem sempre tem a mesma causa.
No delta do rio Betsiboka, em Madagascar, a cor marrom-avermelhada vem de sedimento rico em ferro. Esse material pode entupir canais do estuário, mas também forma ilhas novas que os manguezais colonizam.
| Lugar (segundo a NASA) | Origem da cor | O que a cor sustenta |
|---|---|---|
| Laguna Colorada, Bolívia | Algas e outros microrganismos em águas rasas e muito salgadas | Alimento para o flamingo-andino, ave vulnerável |
| Delta do Betsiboka, Madagascar | Sedimento rico em ferro carregado pelo rio | Pastos marinhos para a tartaruga-verde e o dugongo |
| Reservatório do Jacuí, Rio Grande do Sul | Sedimento avermelhado | A NASA não cita bichos aqui |
Arte: Watts & Wild, com dados da NASA Earth Observatory de 29 de outubro de 2023.
Um caso brasileiro: o reservatório do Jacuí
A NASA lembra que muitas outras águas têm cor avermelhada por sedimento e cita o reservatório alimentado pelo rio Jacuí, no sul do Brasil. Ali a cor também vem de partículas, e não de algas.
Quem já viu rio de água cor de chá pode comparar com o caso do Rio Negro e do Solimões e com os rios da Baía James, no Canadá, fotografados pelo satélite Landsat 9.
A cor que alimenta flamingos e tartarugas
A NASA ressalta que, apesar da cor, essas águas são importantes para a biodiversidade. Na Laguna Colorada, algas e microrganismos são alimento vital para espécies vulneráveis, como o flamingo-andino.
No estuário do Betsiboka, a oferta de pastos marinhos sustenta a tartaruga-verde, ameaçada, e o dugongo, vulnerável. A espécie também aparece em a pesquisa com tartarugas-verdes em Galápagos, e outras lagoas coloridas estão em o ciclo das lagoas dos Lençóis Maranhenses.
O que a NASA não diz sobre a Laguna Colorada
A imagem do dia é uma legenda curta, assinada por Sara Schmidt, da contratada GeoControl Systems no centro Johnson da NASA. Ela não dá a espécie de alga, nem a concentração de sal, nem mede a cor da água.
As fotos de flamingos acima são de solo e mostram flamingos-de-james, enquanto a NASA cita o flamingo-andino. Para ver a legenda original e as duas imagens de astronauta, o caminho é a página do Earth Observatory.
Fontes: NASA Earth Observatory, Life Blood of Earth, 29 de outubro de 2023.



