Ciência e tecnologia

Grande Mancha Vermelha de Júpiter encolhe e fica mais alta

A tempestade mais famosa do Sistema Solar já engoliu três Terras com folga. Hoje cabe pouco mais de uma, segundo a NASA, e ficou mais alta enquanto diminuía. O Hubble ainda viu o tamanho oscilar num ciclo de 90 dias, e ninguém sabe explicar.

Redemoinho laranja e marrom da Grande Mancha Vermelha de Júpiter em imagem da sonda Juno da NASA

Detalhe da Grande Mancha Vermelha em imagem da sonda Juno. Foto: NASA/SwRI/MSSS, processamento de Gerald Eichstädt e Seán Doran, Wikimedia Commons, domínio público, recortada.

A Grande Mancha Vermelha de Júpiter encolhe há cerca de 150 anos e hoje cabe pouco mais de uma Terra. Antes, segundo a NASA, ela engolia três planetas como o nosso com espaço de sobra. A conclusão vem de um estudo liderado por Amy Simon, do Goddard Space Flight Center, publicado no Astronomical Journal em 2018.

De três Terras para pouco mais de uma

A primeira observação confirmada da tempestade é de 1831. Pesquisadores não têm certeza de que registros mais antigos, de uma mancha vermelha em Júpiter, mostravam o mesmo redemoinho.

Observadores mediam o tamanho e a deriva da mancha com telescópios e um ocular riscado em cruz. Há ao menos uma observação desse tipo por ano desde 1878, e a equipe de Simon juntou esse arquivo com dados das sondas Voyager, de 1979, e com as imagens anuais do Hubble.

AnoO que a NASA registra
1831Primeira observação confirmada da tempestade
1878Começa o registro contínuo, ao menos uma medida por ano
Anos 1920A área cresce por um período
1979As sondas Voyager entram nos dados do estudo
2014A cor passa a ficar intensamente laranja
2018Estudo mostra que a mancha cabe pouco mais de uma Terra
Dez 2023 a mar 2024O Hubble acompanha uma oscilação de cerca de 90 dias

Arte: Watts & Wild, com dados da NASA (comunicados de 13 de março de 2018 e de 7 de outubro de 2024).

A mancha ficou mais alta ao diminuir

Oito quadros do Hubble com a Grande Mancha Vermelha de Júpiter, de 10 de dezembro de 2023 a 8 de março de 2024
Oito imagens do Hubble da Grande Mancha Vermelha, entre dezembro de 2023 e março de 2024. Foto: NASA, ESA, Amy Simon (NASA-GSFC), processamento de Joseph DePasquale (STScI), NASA Science.

O estudo de 2018 confirmou que a mancha diminui de comprimento desde 1878. Mas o registro histórico mostra que a área dela cresceu por um período nos anos 1920. A astrônoma Reta Beebe, da Universidade Estadual do Novo México, disse que a tempestade é pequena hoje e faz muito tempo que não cresce.

Os pesquisadores esperavam ventos internos ainda mais fortes, como uma patinadora que gira mais rápido ao encolher os braços. Não foi o que viram. A tempestade parece ser empurrada para cima, como argila num torno que vira vaso alto e fino. A mudança de altura é pequena perto da área que ela cobre, mas aparece nos dados.

Mais laranja e mais rápida para o oeste

A cor ficou intensamente laranja desde 2014. A NASA diz que os pesquisadores não sabem por quê, e que uma possibilidade é que os compostos que dão cor à mancha estejam subindo na atmosfera. Em altitude maior, receberiam mais radiação ultravioleta e escureceriam.

A mancha também passou a derivar para o oeste mais rápido do que antes. Ela fica sempre na mesma latitude, presa entre correntes de jato ao norte e ao sul, mas circula em sentido contrário à rotação de Júpiter.

O Hubble viu a Grande Mancha Vermelha oscilar

Em outubro de 2024, a NASA divulgou outra medida. Com dados do Hubble de dezembro de 2023 a março de 2024, os astrônomos acompanharam tamanho, forma, brilho, cor e vorticidade da tempestade durante um ciclo completo de cerca de 90 dias.

Nesse intervalo, Júpiter ficou entre 391 milhões e 512 milhões de milhas da Terra, o que dá cerca de 629 milhões a 824 milhões de quilômetros. A forma elíptica da mancha oscilou como uma tigela de gelatina. A causa dessa oscilação de 90 dias é desconhecida, segundo a NASA.

O que a NASA ainda não consegue dizer

O número de uma Terra vem de 2018. A página da NASA de 2024 mede a oscilação, mas não traz um tamanho atualizado, e por isso aqui não aparece um tamanho novo.

Também não existe resposta para a pergunta principal. Os pesquisadores não sabem se a mancha vai diminuir um pouco mais e se estabilizar ou se vai se desfazer. Rick Cosentino, do Goddard, disse em 2018 que os cinco a dez anos seguintes poderiam trazer mudanças rápidas e que a mancha talvez acabasse não sendo tão grande assim.

Quem quer acompanhar Júpiter no céu pode ver quando a Lua passa perto do planeta. Outra estrutura de forma estranha, em outro planeta, está em a matéria sobre o que o Hubble flagrou lá, e a viagem até o sistema joviano ganha reforço com a sonda Juice, que passou a 8.640 km da Terra.

Fontes: NASA Science, 13 de março de 2018. NASA Science, imagem do Hubble, 7 de outubro de 2024. Wikimedia Commons, imagem da Juno.

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