Satélites da NASA apontam 40 lugares onde a água do chão mudou por ação humana
Um estudo da NASA encontrou 40 regiões do planeta onde a água armazenada em terra mudou de forma ligada à ação humana. A análise cobre de abril de 2002 a novembro de 2025 e foi publicada na revista PNAS. A NASA destacou o trabalho em 20 de outubro de 2026.
Imagem: 4300streetcar/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0). Origem: upload.wikimedia.org.
A água armazenada em terra inclui a que fica em lagos, rios, solo e subsolo. Ela muda com a chuva, mas também com irrigação, represas e mudanças no uso da terra.
Como os satélites medem a água
Os satélites GRACE e GRACE-FO medem pequenas variações da gravidade da Terra. Eles voam em dupla, e a distância entre os dois muda conforme a massa de água embaixo deles.
A equipe usou mais de duas décadas desses dados para separar o efeito da chuva do efeito das atividades humanas. A primeira autora, Mary Michael O'Neill, é hidróloga do Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA.
Onde a água mais mudou
As mudanças ligadas à ação humana aparecem em todos os continentes não polares, com exceção da Austrália. Os casos mais fortes são:
- Queda de água subterrânea ligada à irrigação no Vale Central da Califórnia.
- Queda no sul das Grandes Planícies dos Estados Unidos.
- Queda em Chihuahua, no México.
- Queda no norte da Índia, onde o degelo das geleiras do Himalaia responde por apenas 15% da perda.
Em partes da África subsaariana e do norte do Brasil, o nível de água subiu, apesar de chuvas abaixo da média em algumas áreas.
O que o método muda
O novo método oferece detalhe espacial de cinco a dez vezes maior que análises anteriores. Em compensação, perde um pouco de detalhe no tempo.
O'Neill afirmou que, em quatro regiões continentais, uma variável humana se relacionou com as tendências de armazenamento de água mais do que qualquer variável climática. O estudo não trata de umidade do solo nem de tendências de chuva como resultado principal.
Para entender como ler esse tipo de pesquisa sem exageros, veja como ler um estudo científico sem cair no exagero. Para o contexto climático, leia o tema de mudanças climáticas.
Fonte: science.nasa.gov.
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