Estrelas de nêutrons: duas medições calculam massas; a terceira põe Einstein à prova
Você pode entender como estrelas de nêutrons testam Einstein acompanhando uma sequência: duas medições permitem calcular as massas do par; uma terceira verifica se a teoria consegue prever outro efeito observado. No sistema PSR J1856-0039, os resultados foram compatíveis com a relatividade geral, com concordância em torno de 1%.
Imagem: Divulgação/Live Science. Origem: livescience.com.
Segundo a Live Science, pesquisadores acompanharam os pulsos de rádio de uma das estrelas com o radiotelescópio chinês FAST. O estudo foi publicado em setembro de 2026 na Physical Review Letters.
Isso importa porque sistemas assim permitem testar a gravidade em condições extremas. Esse caminho de pesquisa já rendeu o Nobel de Física de 1993 a Russell Hulse e Joseph Taylor, pela descoberta de um pulsar binário que abriu novas possibilidades para estudar a gravitação.
Para você, o ganho é interpretar melhor a expressão “Einstein estava certo”: o resultado confirma uma previsão nas condições estudadas, sem encerrar os testes da teoria.
Como as estrelas de nêutrons permitem três medições
Estrelas de nêutrons são remanescentes compactos de estrelas que explodiram. Uma das integrantes desse par é um pulsar: sua rotação faz feixes de rádio cruzarem nossa linha de visão em intervalos regulares.
Os pesquisadores medem quando esses sinais chegam à Terra. Pequenas mudanças nos horários revelam efeitos associados à órbita e à gravidade.
O estudo original identificou três:
- Encurtamento do período orbital: o par perde energia pela emissão de ondas gravitacionais, aproximando-se gradualmente.
- Avanço da órbita: a orientação da trajetória oval gira cerca de 17,6 graus por ano.
- Atraso de Einstein: mudanças na velocidade e no campo gravitacional ao longo da órbita alteram o ritmo do relógio do pulsar, com um parâmetro medido de aproximadamente 0,445 milissegundo.
As estrelas completam uma volta em cerca de 2 horas e 22 minutos. As massas estimadas são aproximadamente 1,30 e 1,19 vez a massa do Sol.
Por que a terceira medida testa Einstein
Se os cálculos usam a relatividade, como podem verificar se ela funciona?
A diferença está em não usar todos os resultados apenas para ajustar as massas. Dentro do modelo relativístico, duas das medições fornecem informação suficiente para determinar as duas massas desconhecidas.
Com esses valores, a teoria prevê o terceiro efeito. Os pesquisadores comparam essa previsão com a medição disponível.
A terceira medida precisa concordar sem exigir outro par de massas para acomodar o resultado. Se houvesse uma divergência relevante, seria necessário investigar erros, efeitos não considerados ou uma possível limitação da teoria.
Neste sistema, a comparação entre o encolhimento orbital observado e o previsto foi consistente com a relatividade geral.
Quadro de serviço: o que o estudo esclarece
- O que se sabe: três efeitos relativísticos foram medidos no sistema PSR J1856-0039 e forneceram resultados compatíveis.
- O que ainda não se sabe: o destino final do remanescente da fusão, estimada para daqui a cerca de 82 milhões de anos; ele poderá permanecer como estrela de nêutrons ou terminar como buraco negro.
- Próximo passo: acompanhar o pulsar por mais tempo para tentar medir o arrastamento do espaço-tempo provocado por sua rotação.
- Onde consultar: o artigo científico e seu resumo público no PubMed.
O ponto decisivo não é apenas encontrar massas que expliquem os dados. É usar essas massas para prever uma medição que não foi necessária para calculá-las. Foi nessa conferência adicional que Einstein passou pelo teste.
Fonte: livescience.com.
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