ESA e Vast fecham acordo para astronautas na estação Haven após a ISS
A Estação Espacial Internacional tem data para sair de cena, e quem usa o laboratório já faz fila por um endereço novo. A Agência Espacial Europeia assinou um memorando com a Vast, uma empresa americana que monta a própria estação, para estudar como astronautas e experimentos europeus continuam em órbita depois da ISS.
A astronauta Jessica Meir instala um kit de painel solar no exterior da ISS, em caminhada espacial de 18 de março de 2026. Foto: NASA/Chris Williams, NASA Image and Video Library, domínio público, recortada.
A Agência Espacial Europeia (ESA) assinou em 5 de outubro de 2026 um memorando de entendimento com a Vast, empresa americana que desenvolve a estação privada Haven. O papel abre caminho para futuras missões de astronautas europeus e para o uso científico da estação, segundo o comunicado da ESA.
A assinatura aconteceu durante o 77º Congresso Internacional de Astronáutica (IAC 2026). O texto continua uma parceria entre as duas e faz parte do preparo da agência para o fim de serviço e a desorbitação da Estação Espacial Internacional (ISS).
Por que a Europa precisa de um plano B em órbita
Segundo a NASA, a ISS chega ao fim da vida operacional em 2030. A agência americana quer que estações comerciais assumam o lugar para evitar um buraco na presença humana em órbita baixa, conforme a página da NASA sobre estações comerciais.
O diretor-geral da ESA, Josef Aschbacher, disse no comunicado que a ISS foi um dos maiores exemplos de cooperação internacional no espaço. Ele afirmou que a Europa avalia várias opções para manter presença em órbita baixa e que o acordo com a Vast é um passo para definir oportunidades para astronautas, pesquisa e tecnologia do continente.
O que o memorando prevê para a estação privada Haven
O documento é um quadro de cooperação, e o próprio comunicado usa palavras como "potencial" e "possível". Ele lista quatro frentes, resumidas na tabela.
| O que o memorando cita | Em que termos |
|---|---|
| Missões de astronautas | "Potenciais" missões futuras a bordo da Haven, estação que a Vast desenvolve |
| Hardware e infraestrutura | Possíveis equipamentos ou contribuições da ESA à infraestrutura da estação |
| Uso científico | Campanhas de pesquisa definidas em conjunto, espaço dedicado à ciência, capacidade de subida e descida de carga e tempo de tripulação |
| Veículos europeus | Troca de informações para que futuras naves europeias de carga e de tripulação atendam a Haven |
Arte: Watts & Wild, com dados do comunicado da ESA de 5 de outubro de 2026.
Daniel Neuenschwander, diretor de Exploração Humana e Robótica da ESA, afirmou que o objetivo é garantir a capacidade de fazer ciência e demonstrações de tecnologia em microgravidade e abrir novas oportunidades de voo para o corpo de astronautas da agência.
Quatro missões já combinadas antes deste papel
O memorando não parte do zero. Max Haot, presidente-executivo da Vast, disse que ESA e Vast já colaboram em quatro missões tripuladas, entre elas voos à ISS e a Haven-1, prevista para 2027, incluindo a primeira missão com tripulação à Haven-1.
A Vast informa em seu site que a Haven-1 tem lançamento previsto para 2027, com 45 metros cúbicos de volume habitável e órbita de 425 quilômetros de altitude e 51,6 graus de inclinação, segundo a página da própria Vast. Para Haot, o novo memorando olha para a era pós-ISS.
A Vast não está sozinha na disputa
A NASA descreve uma abordagem em fases. Em 2020 contratou a Axiom Space para um módulo comercial ligado à ISS. Em 2021 firmou acordos com Blue Origin, Northrop Grumman e Starlab, e em 2023 selecionou Blue Origin, Northrop Grumman, Sierra Space, SpaceX, Special Aerospace Services, ThinkOrbital e Vast para uma segunda rodada de colaborações.
Enquanto isso, a ISS continua recebendo gente. A rotina de revezamento aparece na cobertura da chegada da Crew-13, e a janela da estação serve de observatório da Terra, como na foto de uma rocha parecida com as da Lua, tirada da ISS em Madagascar. Na ciência de materiais, ela também rende resultados, como no plástico de bactéria com poeira da Lua e de Marte.
O que o memorando ainda não garante
O texto não fixa dinheiro, número de voos nem data para astronautas europeus embarcarem na Haven. O memorando vale por três anos e começa com um estudo de viabilidade conjunto, que deve produzir um roteiro e um cronograma indicativo para qualquer acordo vinculante.
Ele também substitui o memorando que as duas partes assinaram na feira ILA Berlim, em junho de 2024, e amplia a cooperação em voo espacial tripulado, ciência, tecnologia e comercialização. Quanto à Haven-1, a data de 2027 é meta da empresa, e a estação ainda não voou.
O próximo marco concreto é o estudo de viabilidade e, antes dele, a missão tripulada à Haven-1 planejada para 2027. O comunicado completo está no site da ESA, e a página de estações comerciais da NASA mostra como a transição americana avança.
Fontes: ESA, comunicado de imprensa de 5 de outubro de 2026. NASA, página de estações espaciais comerciais. Vast, página da Haven-1.



