Cometa Halley volta em 2061 e é visto há mais de 2.000 anos
Quem tinha 10 anos em 1986 e procurou o Halley no céu terá 85 em 2061, quando ele volta. A NASA diz que o cometa passa a cada 76 anos em média e tem registros de mais de 2.000 anos. Uma conta de 1705 provou que era sempre o mesmo.
O Halley em abril de 1986, fotografado do avião-observatório Kuiper, da NASA, numa expedição à Nova Zelândia. Foto: Kuiper Airborne Observatory/NASA, Wikimedia Commons, domínio público, recortada.
O cometa Halley volta em 2061, a cada 76 anos em média, e a última passagem visível da Terra foi em 1986. A informação está na página 1P/Halley da NASA, que liga o cometa a observações de mais de 2.000 anos.
Quando o cometa Halley volta em 2061 e por que a conta não é exata
De 1986 a 2061 passam 75 anos, um a menos que a média de 76. A NASA explica a diferença: o período muda a cada aparição por causa da gravidade dos planetas.
Medido de uma passagem pelo ponto mais próximo do Sol à seguinte, o período foi de apenas 74,42 anos entre 1835 e 1910. Entre 451 e 530, chegou a 79,25 anos.
Linha do tempo de 1066 a 2061
| Ano | O que aconteceu | Anos desde o registro anterior |
|---|---|---|
| 1066 | Um cometa aparece na tapeçaria de Bayeux, sobre a batalha de Hastings | Sem conta possível |
| 1531 | Aparição de cometa brilhante, depois ligada ao Halley | Sem conta possível |
| 1607 | Nova aparição | 76 |
| 1682 | Nova aparição | 75 |
| 1705 | Edmond Halley liga as três órbitas e prevê a volta | 23 (cálculo, não aparição) |
| 1758 | Retorno previsto por Halley, que o cometa cumpre | 76 desde 1682 |
| 1986 | Última passagem visível, com frota de sondas | Passagens de 1835 a 1910 duraram 74,42 anos |
| 2061 | Volta prevista pela NASA | 75 desde 1986 |
Arte: Watts & Wild, com dados da página 1P/Halley da NASA. A coluna da direita é diferença simples entre anos, conta da redação.
A tapeçaria de Bayeux e os 2.000 anos de registro
A NASA afirma que astrônomos já ligaram aparições do cometa a observações com mais de 2.000 anos. Uma das mais conhecidas está na tapeçaria de Bayeux, que conta a batalha de Hastings, em 1066.
Na cena, um grupo aponta para o alto, e uma legenda em latim diz que eles olham a estrela com espanto. O cometa aparece como uma bola com rastro, sobre as casas.
1705: a conta que juntou três cometas em um
Até o inglês Edmond Halley (1656-1742), segundo a NASA, os cometas eram vistos como visitantes de uma passagem só pelo Sistema Solar. Em 1705, ele usou as teorias de Isaac Newton sobre gravitação e movimento dos planetas para calcular órbitas de vários cometas.
Halley notou que os cometas brilhantes de 1531, 1607 e 1682 tinham órbitas parecidas e propôs que eram um só, em visitas repetidas. Entre um registro e outro, a diferença é de 76 e 75 anos, na conta da redação.
Ele previu que o cometa voltaria em 1758, e voltou. Foi o primeiro cometa periódico conhecido, e o nome do astrônomo ficou nele.
1986: uma frota de sondas vai ao encontro
Na última passagem, a NASA conta que uma frota internacional estudou o cometa de vários pontos de vista. Entraram as sondas japonesas Suisei e Sakigake, as soviéticas Vega 1 e Vega 2, a ISEE-3 (ICE) e a europeia Giotto, mais as Pioneer 7 e Pioneer 12 da NASA.
A Giotto foi uma das primeiras sondas a se aproximar e fotografar o núcleo de um cometa. A maior aproximação da Terra, em 1986, foi de 63 milhões de quilômetros, com o cometa já saindo.
Um núcleo de 15 por 8 km que reflete 3% da luz
O núcleo do Halley mede cerca de 15 por 8 quilômetros, segundo a NASA, e é um dos objetos mais escuros do Sistema Solar. O albedo de 0,03 quer dizer que ele devolve só 3% da luz que recebe.
Ele gira ao contrário da Terra, em órbita inclinada 18 graus. No ponto mais distante do Sol, passa além da órbita de Netuno.
Em 837, passou a 4,9 milhões de quilômetros
A aproximação mais próxima da Terra aconteceu em 10 de abril de 837, a 4,94 milhões de quilômetros. A NASA diz que o brilho total chegou perto do de Vênus no auge, magnitude de cerca de -3,5, espalhado por uma área maior.
Em 1986 foi mais discreto: um pouco mais brilhante que a Estrela do Norte, também espalhado por uma área grande.
O que dá para ver do Halley neste outubro
Cada vez que volta, o núcleo solta gelo e rocha no espaço. Esse rastro forma duas chuvas de meteoros fracas por ano: as Eta Aquáridas, em maio, e as Orionídeas, em outubro.
As Orionídeas de 2026 têm pico na madrugada de 22 de outubro, como mostra a matéria sobre a hora do pôr da Lua nas capitais.
Outra chuva do mês, as Dracônidas, vem de outro cometa, como contamos em a matéria sobre o radiante no Norte. A foto do Halley que explica a ligação está no guia das Orionídeas.
Quantas voltas o Halley ainda aguenta
A cada órbita, um cometa do tamanho do Halley perde de 1 a 3 metros da superfície, segundo a NASA. A agência estima que um cometa periódico médio completa cerca de 1.000 voltas.
O Halley está na órbita atual há pelo menos 16.000 anos, e não mostra sinais óbvios de envelhecimento. Dividindo por 76, dá algo como 210 voltas, ou de 210 a 630 metros de casca perdidos, numa conta de ordem de grandeza da redação.
O que a NASA não garante sobre 2061
A página dá o ano da volta e o período médio, e não traz o mês da passagem nem diz se o cometa será mais ou menos brilhante que em 1986. Quem promete data exata e brilho para 2061 está indo além da fonte.
A conta de 75 anos entre 1986 e 2061 e a de voltas restantes são da redação. A própria NASA lista dois tamanhos para o núcleo: 15 por 8 km no texto e 11 km de diâmetro na ficha rápida.
Fontes: NASA Science, 1P/Halley. Imagens: Kuiper Airborne Observatory/NASA, ESA/MPS (Giotto) e tapeçaria de Bayeux, no Wikimedia Commons.



