Dá para ver a chuva de meteoros Dracônidas do Brasil? Pico é na noite de quinta (8/10), às 22h12 de Brasília, mas o radiante só sobe no Norte
A chuva de meteoros Dracônidas tem pico na quinta, 8 de outubro, às 22h12 de Brasília, mas o radiante, na constelação do Dragão, só fica alto no Norte. Em Boa Vista, Macapá, Belém e Manaus há janela de cerca de duas horas. No Sul e no Sudeste, a chance é quase nula.
Recorte da chapa da tempestade de Dracônidas de 9 de outubro de 1933, que no original traz 25 rastros numerados. Foto: Ferdinand Quénisset, Wikimedia Commons, domínio público, recortada.
Do Brasil, a chuva de meteoros Dracônidas só dá para ver no Norte e no litoral do Nordeste, nas primeiras horas da noite de 8 de outubro, olhando baixo para o norte. No Sul e no Sudeste, o radiante, ponto do céu de onde os meteoros parecem sair, já se pôs quando o céu escurece.
Quando é o pico da chuva de meteoros Dracônidas?
O calendário da IMO, a Organização Internacional de Meteoros, repassado pelo catálogo ForecastBar, marca a atividade de 6 a 10 de outubro de 2026. O pico previsto é às 22h12 de quinta, 8 de outubro, no horário de Brasília, que é 01h12 de 9 de outubro no horário universal.
O Observatório Real de Greenwich, no texto sobre as Dracônidas de 2026, dá o dia 9 e a mesma faixa de datas. Diz também que, ao contrário da maioria das chuvas, esta rende melhor à noite, logo depois de escurecer. É a pista que decide tudo para quem está no Brasil.
De onde as Dracônidas parecem sair
As Dracônidas vêm de poeira do cometa 21P/Giacobini-Zinner, segundo Greenwich. Pela Wikipédia, em inglês, o radiante fica na constelação do Dragão, com ascensão reta de 17,467 horas e declinação de +54°, e os meteoros entram a cerca de 20 km/s.
Declinação de +54° é muito ao norte. No Hemisfério Norte, o Dragão passa a noite alto no céu. No Brasil, ele aparece baixo, do lado norte, e se põe cedo, tanto mais cedo quanto mais ao sul se estiver.
Quanto o radiante sobe em cada capital
A tabela é cálculo da redação, feito com a biblioteca de efemérides PyEphem, para a noite de 8 de outubro. Todos os horários são de Brasília: em Manaus e Boa Vista, o relógio local marca uma hora a menos.
| Capital | 19h | 20h | 21h | 22h12 (pico) | Céu escuro a partir de | Radiante acima de 10° até |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Boa Vista | 35° | 29° | 22° | 12° | 20h01 | 22h27 |
| Manaus | 29° | 24° | 17° | 7° | 20h01 | 21h50 |
| Macapá | 29° | 23° | 15° | 4° | 19h24 | 21h33 |
| Belém | 27° | 20° | 12° | 2° | 19h14 | 21h14 |
| São Luís | 24° | 17° | 9° | abaixo do horizonte | 18h58 | 20h51 |
| Fortaleza | 20° | 13° | 5° | abaixo do horizonte | 18h35 | 20h21 |
| Recife | 15° | 7° | abaixo do horizonte | abaixo do horizonte | 18h23 | 19h39 |
| Salvador | 12° | 5° | abaixo do horizonte | abaixo do horizonte | 18h41 | 19h19 |
| Brasília | 13° | 7° | 0° | abaixo do horizonte | 19h21 | 19h33 |
| Rio de Janeiro | 5° | abaixo do horizonte | abaixo do horizonte | abaixo do horizonte | 19h10 | não chega a 10° no escuro |
| São Paulo | 6° | 0° | abaixo do horizonte | abaixo do horizonte | 19h24 | não chega a 10° no escuro |
| Porto Alegre | 1° | abaixo do horizonte | abaixo do horizonte | abaixo do horizonte | 19h52 | não chega a 10° no escuro |
Ilustração: Watts & Wild, com cálculo próprio da altura do radiante (ascensão reta 17,467 h, declinação +54°) e do fim do crepúsculo astronômico (Sol 18° abaixo do horizonte) em 8 de outubro de 2026, em horário de Brasília e sem correção do ar.
No pico, às 22h12, só Boa Vista, Manaus, Macapá e Belém ainda têm o radiante acima do horizonte, e mesmo assim a no máximo 12°. O corte de 10° é escolha da redação: abaixo disso, prédios, morros e a camada de ar apagam os meteoros mais fracos.
No Sul e no Sudeste, o radiante se põe antes do escuro
No Rio de Janeiro e em São Paulo, o radiante cruza o horizonte por volta de 19h48 e 19h57. O céu só fica escuro às 19h10 e às 19h24, e até lá ele não passa de 5° de altura. Em Porto Alegre, o radiante se põe às 19h12, antes de o escuro chegar, às 19h52.
Brasília está no limite: o radiante passa de 10° só até 19h33, e o céu escurece às 19h21, o que dá 12 minutos de janela. Para quem mora nessas cidades, a chance de ver uma Dracônida é quase nula.
A janela do Norte e do litoral do Nordeste
Em Boa Vista, o céu escurece às 20h01 e o radiante passa de 10° até 22h27, uma janela de 2h26. Em Macapá são 2h09, em Belém 2h00 e em Manaus 1h49.
No litoral do Nordeste a janela encolhe conforme se desce para o sul: São Luís tem 1h53, Fortaleza 1h46, Recife 1h16 e Salvador 38 minutos. Em todas, a melhor hora vem logo depois de escurecer, e não no pico das 22h12, porque o radiante só desce.
A direção é o norte, baixo no céu. Em Boa Vista, a altura do radiante cai de 29° às 20h para 12° no pico. Em Belém, cai de 20° às 20h para 2° às 22h12.
Quantos meteoros esperar
Greenwich dá até 10 meteoros por hora no máximo. A IMO, no catálogo do ForecastBar, lista taxa horária zenital de 5. As duas fontes divergem e ficam aqui lado a lado. O ForecastBar lembra que esse tipo de taxa supõe condições ideais e que a contagem real pode ser bem menor.
Uma conta de bolso: a taxa visível é, no melhor caso, a taxa ideal vezes o seno da altura do radiante. Em Boa Vista, às 20h (29°), 5 vira 2,4 por hora e 10 vira quase 5. No pico (12°), vira 1 e 2,1. Em Belém, às 19h (27°), vira 2,3 e 4,5.
No melhor caso, o Norte do Brasil vê entre 1 e 5 meteoros por hora, com céu limpo e escuro. Não é previsão, é o teto que a geometria deixa.
O que ajuda e o que atrapalha na noite de quinta
A Lua não atrapalha. Pelo cálculo da redação, ela terá cerca de 3% de iluminação no pico, e Greenwich lembra que a fina Lua minguante só nasce pouco antes do amanhecer. O inimigo é a nuvem, e a previsão do dia deve ser olhada no Inmet.
Escolha um lugar com horizonte norte livre e pouca luz de poste. O olho leva de 20 a 30 minutos para se adaptar ao escuro, segundo o ForecastBar. Greenwich diz que binóculo e telescópio não ajudam: o melhor é olhar o céu todo.
As tempestades de 1933 e 1946
Greenwich lembra que, em 1933 e 1946, as Dracônidas deram alguns dos espetáculos mais ativos do século 20. Nos últimos anos, a chuva não teve nenhum surto especial.
A foto da capa é daquela fase. Segundo a descrição do arquivo no Commons, a chapa de Quénisset, de 9 de outubro de 1933, mostra 25 rastros entre 20h03 e 20h55, num campo de 15 por 11 graus centrado em Vega.
A chuva de outubro que o Brasil vê melhor
Quem quer meteoros de verdade no Brasil deve olhar as Orionídeas, na madrugada de 21 para 22 de outubro: a hora em que a Lua se põe em seis capitais já está calculada. Para entender a diferença entre meteoro, meteoroide e meteorito, vale ler o texto sobre estrela cadente, meteoro e bólido.
O céu desta semana tem ainda outro encontro, na madrugada de terça, 6 de outubro: a Lua minguante perto de Júpiter, com a hora de olhar em seis capitais.
O limite desta tabela e dos números de taxa
A tabela mede só a geometria: altura do radiante e fim do crepúsculo. Ela não conhece nuvem, luz de cidade, morro ou prédio no horizonte, nem a atividade real da chuva, que pode ficar acima ou abaixo do previsto.
O radiante vem da Wikipédia, e não de uma fonte primária de astronomia. O site da IMO estava em reconstrução e o calendário de 2026 não abriu: a taxa de 5 por hora vem do ForecastBar, que cita a IMO como origem.
Fontes: Royal Observatory Greenwich, Draconid meteor shower 2026. ForecastBar, Draconids 2026 (catálogo da IMO, código 009-DRA). Wikipedia, Draconids. Wikimedia Commons, chapa de Quénisset, 1933.



