Ciência

Butantan exportou 55% mais soros em 2025: 3.770 frascos

Os números vieram do próprio instituto e de seus relatórios de produção. Em um ano, o envio de soros para fora do Brasil saltou de 2.439 para 3.770 frascos. A conta mostra que um soro responde por dois terços do total e que o soro de jararaca também cruzou o Caribe.

Instituto Butantan exportou 3.770 frascos de soro em 2025: fachada branca da sede, em São Paulo

Sede do Instituto Butantan, em São Paulo, em maio de 2024. Foto: Joalpe, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0, recortada.

O Instituto Butantan exportou quase 55% mais soros em 2025 do que em 2024: de 2.439 para 3.770 frascos. O dado está em reportagem da Agência SP, do governo paulista, publicada em 10 de outubro de 2026 com base em informações do instituto e nos relatórios do Núcleo de Produção de Soros de 2024 e 2025.

Segundo o instituto, o avanço vem de mais eficiência na produção e de esforço comercial para achar clientes no exterior. O gerente das franquias de Influenza e Soros, Felipe Carvilhe, diz que o número vem crescendo ano a ano e que o atendimento ao Ministério da Saúde sempre foi prioridade.

De onde saiu o aumento de produção

Até então, o que ia para fora era sobra dos lotes feitos para o Ministério da Saúde. A exceção era o soro antidiftérico, que já tinha produção pensada para o mercado internacional.

Os relatórios do núcleo mostram o outro lado da conta. O soro concentrado a granel passou de 2.430 para 2.831 litros, alta de 16%. Os lotes foram de 115 para 141, alta de 22%.

Os números não se comparam direto: litro é o soro ainda a granel, e frasco é o produto final. Mesmo assim, 55% de alta nas remessas contra 16% na produção a granel mostra que a venda externa cresceu mais rápido que a fábrica.

Butantan exportou 3.770 frascos para 14 destinos

Dos 12 tipos de soro que o instituto produz, quatro saíram do país em 2025. O antidiftérico foi para 12 destinos, entre eles Espanha, Estados Unidos, Alemanha e Chile. O antiaracnídico foi para Holanda e Argentina. Contando cada destino uma vez, são 14.

SoroDestinos em 2025Volume informado
AntidiftéricoEspanha, Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Colômbia, República Dominicana, França, Canadá, Áustria, Chile, Bermudas e Gibraltarcerca de 2.500 frascos
Antibotrópico e antilaquéticoTrinidad e Tobago1.000 ampolas
AntielapídicoTrinidad e Tobagosem número na reportagem
AntiaracnídicoHolanda e Argentinasem número na reportagem

Arte: Watts & Wild, com dados da Agência SP de 10 de outubro de 2026 sobre os relatórios do Núcleo de Produção de Soros do Butantan.

O antidiftérico, com cerca de 2.500 frascos, responde por uns 66% dos 3.770. O antibotrópico e antilaquético, com 1.000 ampolas, fica perto de 26%. Se frascos e ampolas forem somados, sobram cerca de 270 unidades para os outros dois soros.

Jararaca enrolada sobre um degrau de concreto cinza, com a cabeça apoiada no próprio corpo e a ponta da cauda alaranjada à mostra
Jararaca (Bothrops jararaca), a cobra cujo veneno é combatido pelo soro antibotrópico. Foto: Alan Hentz, Wikimedia Commons, licença CC BY 4.0, recortada.

O soro de jararaca foi para o Caribe

O antibotrópico e antilaquético trata picada de jararaca e de surucucu-pico-de-jaca. O antielapídico age contra o veneno da coral-verdadeira. Os dois tiveram um único destino em 2025, Trinidad e Tobago.

Segundo o gerente, os soros contra animais peçonhentos têm uso mais regional, com mais chance de aplicação na América do Sul. Já os soros antidiftérico, antitetânico, antirrábico e antibotulínico combatem toxinas que existem no mundo todo, e por isso têm potencial global.

Por que o Butantan pode vender mais agora

O instituto diz que, por ser o único fornecedor nacional por um período, chegou a recusar pedidos de outros países.

A Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Minas Gerais, e o Instituto Vital Brazil, no Rio de Janeiro, tiveram a produção parada por adequações pedidas pela Anvisa. Nesse período, o Butantan atendeu 100% da demanda do Ministério da Saúde.

Com as duas retomando alguns soros, a demanda nacional se divide e sobra capacidade. Fora do país, fabricantes que interrompem a produção ou deixam o ramo abrem espaço para novos fornecedores.

Em 2026, o instituto enviou pela primeira vez frascos dos soros antidiftérico e antitetânico para a Arábia Saudita. Um novo Centro de Produção de Soros deve dobrar a capacidade do Butantan a médio prazo.

O que ainda não aparece nos números

A reportagem dá volume só para o antidiftérico e para o antibotrópico e antilaquético. O antielapídico e o antiaracnídico ficam sem número, e a mistura de frascos com ampolas impede uma soma exata. Também não há valor em reais das vendas.

Exportar mais não tira soro de quem é picado aqui

O texto de origem deixa a ordem clara: o Ministério da Saúde vem primeiro, e a venda externa usa a capacidade que cresce. Quem for picado por cobra no Brasil precisa procurar um hospital de referência, e a lista de onde há soro está em um levantamento oficial por estado.

O Butantan também aparece em a pesquisa do genoma da jararaca-ilhoa e nas orientações sobre escorpião em casa. O Relatório de Atividades do Núcleo de Soros, citado pela Agência SP, é o documento para conferir os números de produção.

Fontes: Agência SP, Instituto Butantan amplia exportação de soros antivenenos e antitoxinas em 2025, 10 de outubro de 2026.

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