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Depois de uma picada de cobra, o soro só existe em hospitais de referência, e o Ministério da Saúde publica a lista de cada estado com endereço, telefone e o tipo de antiveneno que cada unidade tem

Soro antiveneno não fica em qualquer posto de saúde. Ele é guardado em pontos escolhidos por cada estado, e nem todo ponto tem o soro para todas as cobras. Saber de antemão qual hospital da sua região atende o caso pode poupar tempo numa hora em que cada minuto conta.

Jararaca enrolada no chão de folhas em Minas Gerais, a serpente que mais causa picada de cobra no Brasil

Jararaca (Bothrops jararaca) numa trilha da RPPN São Lourenço do Funil, em Rio Preto, Minas Gerais. Foto: MichelBioDelgado, Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 4.0, recortada.

O soro contra picada de cobra fica nos Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno, os PESA, definidos por cada estado. O Ministério da Saúde publica uma lista por estado com cidade, hospital, endereço, telefone e os antivenenos de cada unidade. Em emergência, a orientação é ligar para o SAMU, no 192, ou para os Bombeiros, no 193.

O que é a lista de hospitais com soro

São 27 arquivos, um por unidade da federação, reunidos na página de hospitais de referência do ministério. A versão atual dos arquivos foi publicada em 3 de julho de 2026. Cada lista traz o município, o nome da unidade, o endereço, os telefones, o código CNES e os antivenenos disponíveis.

O ministério avisa que as informações são de responsabilidade de cada secretaria estadual de saúde. Por isso, os arquivos mudam de formato de um estado para outro, e alguns trazem o nome completo do soro, enquanto outros listam só o tipo de acidente atendido.

A lista oficial de cada estado

A tabela abaixo reúne os 27 links diretos, organizados por região. Vale salvar o do seu estado no celular antes de uma viagem ao campo, a uma trilha ou a uma pescaria.

Listas dos Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno publicadas pelo Ministério da Saúde em 3 de julho de 2026, com dados de cada secretaria estadual. Cada link abre o PDF do estado.

Como ler o nome do soro na lista

A lista não fala em jararaca ou cascavel. Ela usa o nome técnico do tipo de acidente, que vem do gênero da serpente. Botrópico é o soro para jararacas, crotálico para cascavel, laquético para surucucu e elapídico para coral-verdadeira.

Nome do soro na listaSerpenteOnde vive, segundo o ministério
BotrópicoJararaca, jararacuçu, urutu, caiçaca, comboiaCerca de 30 espécies em todo o país, de beira de rio a áreas agrícolas e periurbanas
CrotálicoCascavel, a do chocalho na caudaCerrados, regiões áridas e semiáridas, campos e áreas abertas
LaquéticoSurucucu-pico-de-jacaFloresta Amazônica e restos de Mata Atlântica
ElapídicoCoral-verdadeiraAmpla distribuição no país

Os quatro grupos de serpentes peçonhentas de interesse em saúde pública no Brasil, segundo a página de acidentes ofídicos do Ministério da Saúde.

O grupo da jararaca é o mais importante: segundo o Ministério da Saúde, essas serpentes causam a grande maioria dos acidentes ofídicos do país. As listas também trazem soros para escorpião, aranhas e taturana, que aparecem como escorpiônico, fonêutrico, loxoscélico e lonômico.

Por que nem todo hospital tem todo soro

A distribuição acompanha onde cada cobra vive. A lista do Amazonas é um bom exemplo. Das 91 unidades com código CNES no arquivo, só 4 têm soro para cascavel: Apuí, Humaitá, Lábrea e Manaus. O soro da surucucu, a serpente da floresta, aparece em 85 delas.

Cascavel de escamas escuras com desenho em losangos claros, enrolada no chão de terra à noite
Cascavel (Crotalus durissus) de Atibaia, em São Paulo. Contra o veneno dela, o soro na lista aparece como crotálico. Foto: Otavio A. Marques, Wikimedia Commons, licença CC BY 4.0, recortada.

No Acre, nenhuma unidade da lista tem soro crotálico. No Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, nenhuma tem soro laquético, o da surucucu, que segundo o ministério vive na Amazônia e em restos de Mata Atlântica.

Hospital com soro para escorpião e sem soro para cobra

Mesmo numa capital, o tipo de soro varia de unidade para unidade. Na lista do Distrito Federal, o Hospital Regional do Guará aparece apenas com soro antiescorpiônico, enquanto outros hospitais regionais têm também os soros para jararaca e cascavel.

No Rio Grande do Norte, a lista inteira cabe em quatro cidades: Caicó, Mossoró, Natal e Pau dos Ferros. Quem mora longe delas precisa saber qual fica mais perto antes de precisar.

Picada de cobra: ligue antes de sair, se der tempo

O telefone da unidade está na própria lista. Uma ligação rápida confirma se o soro está disponível naquele dia. O ministério também orienta ligar para o Centro de Informação e Assistência Toxicológica, o CIATox, que atende cada região e orienta o socorro.

O passo a passo do socorro, o que fazer e o que nunca fazer com a picada, está no nosso guia sobre cobra em casa depois da chuva. O essencial: não amarrar, não cortar, não chupar o local e ir logo para o hospital.

Surucucu, a maior cobra peçonhenta do país

Surucucu-pico-de-jaca com manchas pretas em losango sobre fundo alaranjado, enrolada na grama
Surucucu-pico-de-jaca (Lachesis muta), a maior serpente peçonhenta do Brasil. O soro dela aparece como laquético. Foto: Christopher Murray, Wikimedia Commons, domínio público, recortada.

A surucucu-pico-de-jaca é a maior serpente peçonhenta do Brasil, segundo o ministério. Por viver na floresta, ela pesa mais na lista do Amazonas e some das listas do Sul. Já a coral-verdadeira tem ampla distribuição, e o tema das corais verdadeiras e falsas confunde muita gente.

De onde vem o soro dos hospitais

O sistema atual nasceu de uma crise. Em 1985, a multinacional Syntex do Brasil, responsável por grande parte da produção de antiveneno, encerrou as atividades no país, e faltou soro em hospitais e postos. O ministério criou então um programa para modernizar os laboratórios públicos produtores.

Os produtores citados pelo ministério são o Instituto Butantan, o Instituto Vital Brazil e a Fundação Ezequiel Dias. Em 1986, os acidentes com cobra passaram a ser de notificação obrigatória, o que permite hoje saber onde a picada de cobra é mais comum.

Os limites da lista oficial

As listas são de julho de 2026 e dependem das secretarias estaduais. Um hospital pode ter mudado de endereço, de telefone ou de estoque depois disso. Os números do Amazonas foram contados pelo Watts & Wild no PDF do estado e podem mudar na próxima versão.

A lista também não substitui o socorro. Em caso de picada de cobra, a prioridade é chamar o SAMU ou ir direto ao serviço de saúde mais próximo, que sabe para onde encaminhar o paciente.

Fontes: Ministério da Saúde, hospitais de referência (PESA); Ministério da Saúde, acidentes ofídicos; Ministério da Saúde, animais peçonhentos; listas estaduais de 3/7/2026. Contagens: Watts & Wild.

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