Ciência e tecnologia

Fernando de Noronha, no litoral de Pernambuco, é o topo visível de um vulcão extinto que começou a se formar há cerca de 12 milhões de anos no fundo do Oceano Atlântico, segundo o Serviço Geológico do Brasil

O arquipélago pernambucano nasceu de erupções que começaram no fundo do Oceano Atlântico há cerca de 12 milhões de anos. O Morro do Pico, cartão-postal do lugar, é o antigo conduto por onde a lava subiu, hoje datado entre 8 e 9 milhões de anos pelo Serviço Geológico do Brasil. O vulcão está extinto.

vulcão de Fernando de Noronha: o Morro do Pico, antigo conduto vulcânico da ilha principal do arquipélago.

O Morro do Pico, em Fernando de Noronha (PE), remanescente de um antigo conduto vulcânico. Foto: Andrei/Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

O Morro do Pico, elevação de 321 metros que domina a paisagem de Fernando de Noronha, é o remanescente de um antigo conduto vulcânico, segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB). A rocha que forma o morro, um domo de fonolito, foi datada entre 8 e 9 milhões de anos pelo método potássio-argônio.

O arquipélago inteiro nasceu de um vulcão muito maior, cuja base no assoalho oceânico soma cerca de 60 quilômetros de diâmetro. O dado é do Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil (Sigep), projeto ligado ao SGB/CPRM assinado pelo geólogo Fernando Flávio Marques de Almeida.

As 21 ilhas visíveis são só a ponta do edifício. O SGB confirma que Fernando de Noronha é o topo de um vulcão extinto, ativo entre cerca de 12,3 milhões e 1,7 milhão de anos atrás, em dois ciclos separados por um longo período de erosão.

Hoje não há risco de nova erupção: a atividade parou há mais de 1 milhão de anos, segundo os estudos geológicos usados pelo SGB e pelo Sigep para registrar o arquipélago.

Onde fica e o que é o Morro do Pico

O Morro do Pico fica na ilha principal de Fernando de Noronha, arquipélago que pertence ao estado de Pernambuco, a cerca de 545 quilômetros do continente. Com 321 metros de altura, é o ponto mais alto do arquipélago e a imagem mais reconhecida do lugar.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil, o morro é o maior domo de fonolito de Fernando de Noronha, um dos centros de efusão do vulcanismo que formou a ilha. A rocha se resfriou perto da superfície, o que deixou fraturas em colunas na formação.

Como os cientistas datam a idade do vulcão

A idade do Morro do Pico foi calculada pelo método de datação potássio-argônio (K-Ar), técnica que mede a proporção entre os dois elementos numa rocha para estimar quando ela se formou. O estudo usado pelo SGB é assinado por Cordani e outros pesquisadores, de 2003.

O resultado aponta uma idade entre 8,02 e 9,11 milhões de anos para o domo fonolítico que forma o morro, conforme o registro do SGB. É a marca de quando aquele magma específico subiu e esfriou dentro do vulcão.

As duas fases de vulcanismo que formaram o arquipélago

Fernando de Noronha não nasceu de uma erupção só. O arquipélago é resultado de dois ciclos vulcânicos separados por milhões de anos de erosão entre um e outro, segundo o Sigep, o banco de sítios geológicos ligado ao SGB/CPRM.

O primeiro ciclo formou a Formação Remédios, do Mioceno, com rochas de até 12,3 milhões de anos. O segundo ciclo, bem mais recente, formou a Formação Quixaba, com atividade vulcânica entre cerca de 3,3 e 1,7 milhão de anos atrás.

O tamanho real do vulcão debaixo do mar

As ilhas visíveis de Fernando de Noronha são só a parte emersa de uma montanha vulcânica muito maior. Segundo o Sigep, a base do edifício no fundo do oceano soma cerca de 60 quilômetros de diâmetro.

O assoalho oceânico ali fica a cerca de 4 mil metros de profundidade, e é dali que o vulcão começa a subir até furar a superfície do Atlântico. A plataforma insular ao redor das ilhas chega a 100 metros de profundidade.

O Morro do Pico visto da praia, com a base coberta de vegetação sobre a rocha vulcânica.
O Morro do Pico visto da praia, com a base coberta de vegetação sobre a rocha vulcânica. Foto: Tadeu Pereira/Wikimedia Commons (CC BY 2.0).

Que tipo de rocha forma o arquipélago

As rochas de Fernando de Noronha são vulcânicas e subvulcânicas, de composição fortemente alcalina e pobre em sílica, segundo o Sigep. A variação vai de um tipo mais raro, o melilita ankaratrito, até o álcali traquito, mais comum na ilha.

Esse tipo de rocha é diferente do vulcanismo mais conhecido, como o do Havaí. Outros relevos moldados por processos geológicos raros no território brasileiro aparecem no Buraco das Araras, depressão visitada por trilhas e mirantes.

O vulcão de Fernando de Noronha ainda pode entrar em erupção?

Não há registro de atividade vulcânica em Fernando de Noronha desde o fim da Formação Quixaba, há cerca de 1,7 milhão de anos, segundo o Sigep. O vulcão é considerado extinto pelos estudos geológicos disponíveis.

Isso significa que a atividade parou muito antes da chegada de qualquer ser humano à região. O que resta hoje é o resultado da erosão sobre a antiga estrutura vulcânica, esculpindo picos como o Morro do Pico.

Vista aérea de Fernando de Noronha, com picos vulcânicos e enseadas ao longo da costa da ilha.
Vista aérea de Fernando de Noronha, com picos vulcânicos e enseadas ao longo da costa da ilha. Foto: Magglz~commonswiki/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).

A idade do vulcão muda conforme o trecho estudado

Nenhum número sobre a idade de Fernando de Noronha é único. A rocha mais antiga da Formação Remédios chega a 12,3 milhões de anos, mas o domo específico do Morro do Pico foi datado entre 8 e 9 milhões de anos.

A diferença existe porque o vulcão teve vários episódios de atividade ao longo de milhões de anos, e cada rocha analisada registra o momento em que aquele magma específico esfriou, não a idade do vulcão inteiro.

Por que o arquipélago virou área protegida

O Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, administrado pelo ICMBio, protege boa parte do arquipélago e da estrutura vulcânica que forma as ilhas. A área também é proposta como geoparque, reconhecimento que valoriza o patrimônio geológico do lugar.

A CPRM já mapeou 43 geossítios no arquipélago, entre pontos em terra e submersos. O Brasil guarda outros patrimônios naturais reconhecidos por décadas de estudo, caso do Jequitibá Patriarca, no interior de São Paulo.

O que fica registrado sobre a origem vulcânica de Fernando de Noronha

Fernando de Noronha segue sendo, para o SGB e para o Sigep, o topo visível de um vulcão extinto que começou a se formar no fundo do Atlântico há milhões de anos. O Morro do Pico é o símbolo mais visível dessa história.

Novos estudos geológicos podem ajustar essas datas no futuro, como já aconteceu com outras estruturas rochosas registradas no Brasil e até fora da Terra, caso da nova cratera identificada na Lua. Você já visitou Fernando de Noronha ou conhece outro vulcão extinto no Brasil? Conte nos comentários.

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